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Qual a diferença entre carbono neutro e carbono zero? Descubra

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O mundo está enfrentando extremos cada vez mais frequentes: calor, chuvas intensas, furacões. Tudo isso é resultado das mudanças climáticas, provocadas pela emissão de gases de efeito estufa na atmosfera. Com a pressão pela transição energética, empresas têm adotado estratégias para reduzir o impacto, o que levou à chegada de produtos e serviços que se rotulam como carbono neutro ou carbono zero. Mas você sabe qual é a diferença?

O grande desafio global dos próximos anos é a transição energética. A proposta é que os países invistam em fontes de energia renovável e reduzam o uso de combustíveis fósseis para, assim, cortar emissões.

E, se você pensa que os combustíveis fósseis estão apenas nos carros ou motos, é muito mais do que isso. Eles estão em quase tudo ao nosso redor, já que a maioria das empresas usa fontes fósseis para gerar energia nas fábricas e produzir — inclusive roupas, sapatos e alimentos.

Segundo o relatório de emissões feito pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, os setores que mais emitem no país são:

Uso e mudança da terra, que inclui emissões por desmatamento de áreas posteriormente usadas para produção;

Agropecuária;

Energia (transporte, geração de calor, fabricação e construção);

Processos industriais e uso de produtos.

Na conferência do clima do ano passado, a COP29, os países assumiram a missão de realizar a transição energética. Ou seja, fazer com que todos esses setores reduzam suas emissões. Para isso, há dois caminhos:

Compensar as emissões: calcular o total de gases emitidos durante os processos e compensar com ações que permitam a captura desse volume — como o plantio de árvores;

Emitir menos: investir em tecnologias que permitam produzir com menos emissão.

Qual a diferença entre carbono neutro e carbono zero?

Para entender melhor: imagine que os gases de efeito estufa são como balões que são soltos na atmosfera todos os dias.

  • Carbono neutro

Quando uma empresa adota o carbono neutro, ela calcula quantos “balões” (gases) emite ao longo da produção por ano e, depois, investe em iniciativas para compensar essa emissão.

Por exemplo: pode financiar projetos de reflorestamento ou manutenção de florestas, já que as árvores absorvem carbono da atmosfera. Assim, ela compensa o que emite.

O ponto chave é: a empresa não reduz as emissões, ela continua emitindo e compensa depois.

Carbono zero

Já o carbono zero é quando a empresa investe em tecnologias para reduzir ao máximo suas emissões. Ou seja, solta menos balões. A compensação só entra para cobrir o que ela não conseguiu evitar.

Como isso deve funcionar?

A pesquisadora Luciana Gatti, coordenadora do Laboratório de Gases de Efeito Estufa (LaGEE) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), explica que os dois processos são importantes:

A transição energética, como o nome indica, é um processo — e vai exigir que as empresas se adequem e invistam em novas tecnologias para reduzir suas emissões, o que leva tempo. No Brasil, por exemplo, a meta nacional é reduzir as emissões em até 67% até 2035.

Ou seja, a ideia é que as empresas adotem sua transição investindo primeiro na compensação, mas com um prazo para que cheguem a uma redução real das emissões. É importante que a compensação não seja a única estratégia e que seja permanente.

“A gente precisa garantir que as empresas invistam na transição para que a compensação seja secundária. Não podemos manter as emissões altas apenas compensando porque o planeta já dá sinais de limite”, explica.

Só o reflorestamento não seria suficiente

Um estudo publicado na revista Nature Communications Earth & Environment neste mês analisou o quanto seria necessário reflorestar se essa fosse a única medida para controlar as emissões com base na reserva de petróleo das 200 maiores indústrias do mundo.

O foco foi apenas na indústria do petróleo porque ela faz parte da categoria de geração de energia — a que mais emite no mundo.

Segundo o estudo, seria preciso reflorestar uma área colossal: mais de 24,75 milhões de quilômetros quadrados.

Qual o tamanho disso?

Maior que toda a América do Norte, que inclui Estados Unidos, Canadá e México

Três vezes o tamanho do Brasil (8,51 milhões de km²)

Cinco vezes o tamanho da Amazônia no Brasil (5 milhões de km²)

Ou seja: não seria possível. Não há, no mundo, uma área tão vasta disponível para reflorestamento sem afetar cidades e zonas agrícolas.

Conteúdo Originalmente Publicado em: G1

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