Amanhã (24), Manaus celebra 357 anos consolidando uma história que é inseparável das águas que a cercam. Em comunicado aos seus associados, o Sindicato das Empresas de Navegação Fluvial no Estado do Amazonas (Sindarma) aproveitou a data para ir além das celebrações e emitiu um alerta contundente sobre a necessidade urgente de novos investimentos na infraestrutura e na segurança fluvial da cidade.
Representando as principais transportadoras de produtos e insumos que abastecem a capital amazonense – movimentando desde alimentos básicos e remédios até veículos de todos os portes por meio de balsas – o Sindarma reforça que a data é o momento ideal para debater e planejar, de forma estratégica, o futuro da navegação em Manaus nas próximas décadas.
O dirigente e vice-presidente do Sindarma, Madison Nóbrega, relembra que a omissão do poder público com o setor é histórica e desde a criação da entidade em 1935, sob o nome de ‘Syndicato Amazonense de Armadores de Navios’, poucas intervenções estruturais foram realizadas pelo Estado na orla e hidrovias municipais.
“Basicamente, desde aquela época, a cidade conta com o porto na região central e o da Manaus Moderna, que sempre funcionou de forma precária. Se não fossem os pioneiros do transporte, que tomaram a dianteira e investiram em terminais privados, hoje a cidade dificilmente teria condições de atender à demanda da população, inclusive em itens de primeira necessidade”, acrescentou Nóbrega.
ESTIAGENS SEVERAS
Outro tema central que o Sindarma coloca na mesa de debates para o futuro do transporte fluvial em Manaus é a severidade das estiagens, que a cada ano vem testando os limites da logística local e ameaçam isolar a capital, desabastecer o PIM e a população.
De acordo com o Sindarma, as transportadoras responderam a este novo desafio com planejamento operacional rigoroso, readequação de comboios e forte investimento em novas tecnologias, contudo, o esforço da iniciativa privada não é suficiente a longo prazo e é preciso que os poderes públicos assumam suas responsabilidades.
PIRATARIA NA ORLA DE MANAUS
Além dos gargalos naturais, o ponto mais crítico e urgente apontado pelo sindicato é a crise de segurança pública na orla de Manaus, desde que as quadrilhas de piratas passaram a atacar comboios no rio em frente a cidade e também balsas e embarcações atracadas nos portos.
“Cada vez mais, as quadrilhas estão atuando na orla da cidade, inclusive invadindo portos. Precisamos da união e da resposta integrada das forças de segurança para combater esse problema que afeta toda a sociedade, desde a área econômica e social até a ambiental”, alerta Nóbrega.
FUTURO FLUVIAL
Para que o desenvolvimento de Manaus não fique estagnado e a economia local não perca competitividade nas próximas décadas, o Sindarma cobra contrapartidas imediatas dos poderes públicos.
A principal bandeira é a implementação de um programa permanente de dragagem e a instalação de sinalização e balizamento eficaz nos pontos críticos dos rios que abastecem a cidade, evitando que a capital fique refém de medidas paliativas de última hora a cada ano.
“Celebrar Manaus é também planejar o seu amanhã. O setor de navegação está fazendo sua parte, modernizando a frota e combatendo as adversidades. No entanto, para que Manaus continue sendo um polo de desenvolvimento, precisamos de infraestrutura hidroviária adequada, segurança jurídica e física nos rios. A dragagem permanente e o policiamento ostensivo não são pleitos corporativos das empresas, são necessidades vitais para a sobrevivência e o futuro da cidade”.





