04/08/2017 às 00h34min - Atualizada em 04/08/2017 às 00h34min

Casa de Acolhimento LGBT+ em Manaus busca doações

Projeto de iniciativa do coletivo Manifesta LGBT+ iniciou a busca por doações início de julho e já conta com vários parceiros

Gabriel Mota - M2 News
Olá, pessoas 
heart

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Quero começar esse texto contando umas histórias pra vocês e então adentrar o tópico de hoje: acolhimento.

Kelly, 23 anos, nasceu Carlos. Kelly é uma mulher transexual. Isso significa que o sexo biológico (genitália) que ela nasceu não corresponde com a sua identidade de gênero. Kelly, quando ainda era Carlos, sentia-se mulher, de todas as maneiras possíveis. Até que um dia começou o processo de transexualização e desenvolveu então todas as características físicas de uma mulher. Ao autodeclarar-se como Kelly, sua família não aceitou. Kelly foi "convidada" à sair de casa, pois para sua família era uma aberração. Kelly não tinha pra onde ir. 

Alberto, 18 anos, nasceu Amanda. Alberto é um homem trans. Isso significa que o sexo biológico (genitália) que ele nasceu não corresponde com sua identidade de gênero. Alberto, quando ainda era Amanda, nunca se sentiu conectado com nada referente ao feminino. Sempre sentiu-se um homem preso num corpo feminino. Até que um dia começou o processo de transexualização e desenvolveu então todas as características físicas de um homem. Ao autodeclarar-se como Alberto, sua família, muito religiosa, insistiu que Alberto estava quebrando todas as "leis naturais" ditadas por Deus, e que ele era uma vergonha pra família e não poderia continuar naquele lar pois seria uma péssima influência para os outros familiares. Alberto não tinha pra onde ir.

Mônica é travesti, negra e mora na periferia. Dividia a casa com o irmão, que tinha sérios problemas com álcool. Mesmo tendo muitas habilidades profissionais, Mônica nunca conseguiu emprego devido à sua identidade de gênero. Restou às ruas para manter a casa e os vícios do irmão. Presa ao irmão e ao mercado de trabalho LGBTfóbico, Mônica não tinha pra onde ir. E numa das noites na rua, foi assassinada por alguns garotos que dirigiam pela cidade fazendo "brincadeiras" com "veados". 
Mônica não teve pra onde ir.

Jonathan é gay. Bianca é lésbica. Jonathan e Bianca são amigos de infância. Ambos tem 20 anos. E desde quando autodeclararam-se homossexuais, nunca mais tiveram um dia de paz em seus lares. Tudo que Jonathan e Bianca queriam era um lugar onde tivessem a oportunidade de passar um tempo e estabilizar suas emoções para seguir firme seus planos de vida. Mas eles também não tinham pra onde ir.

São histórias pesadas, não é? E apesar de eu ter criado apenas para ilustrar algumas vivências, acreditem: foram todas baseadas em fatos reais. 

Em geral, quando temos problemas em casa, sempre temos um lugar à recorrer: um familiar, um amigo, um colega de trabalho... enfim, sempre tem um teto pra passar um ou dois dias até a poeira baixar em casa. Infelizmente, a saída do armário de pessoas LGBT+ não conta com essa dinâmica. Como vocês viram, Kelly, Alberto, Mônica, Jonathan e Bianca não tiveram para onde ir. Não foram acolhidos em nenhum lugar. 

O Artigo III da Declaração Universal dos Direitos Humanos evoca que “Todo ser humano tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal”. E é aqui que eu deixo um ponto de reflexão à todxs: de que forma o desabrigo garante vida, liberdade e segurança à um indíviduo?

(silêncio...)

Foi com essa inquietação e baseado em vivências parecidas com as histórias que contei pra vocês que o coletivo social Manifesta LGBT+, o qual estou presidente, pensou, elaborou e iniciou um projeto chamado CASA DE ACOLHIMENTO LGBT+

Dentro da comunidade LGBT+, a violência começa dentro de casa, primeiro de forma psicológica, emocional e, infelizmente, chega muitas vezes à violência física, que é o momento onde ocorre a fuga do lar em busca da sobrevivência. E nessa fuga, nossos amigxs, colegas e conhecidxs que passam por essa situação, buscam um abrigo cada dia num lugar diferente, chegando à haver momentos onde o único abrigo é a rua. Levando em consideração esses aspectos, o projeto da Casa de Acolhimentos LGBT+ tornou-se uma prioridade para o Manifesta LGBT+ e demanda urgência para a execução.

O projeto, que é uma iniciativa enquanto sociedade civil organizada, foi pensando para funcionar por 12 meses. A princípio, é previsto o acolhimento de 6 a 8 pessoas que estejam em vulnerabilidade social. Cada abrigadx terá um plano de ação individual e o tempo médio de estadia na Casa será de 3 à 6 meses, tempo que o coletivo em parceria com os vários voluntários que estão inscritos no projeto realizarão ações para reinserir essas pessoas de volta ao seio familiar, mercado de trabalho e também fazer o nivelamento escolar adequado. Conheça o projeto com mais detalhes neste link: https://goo.gl/EZBwn1

Levando em consideração esses aspectos, o projeto da Casa de Acolhimentos LGBT+ tornou-se uma prioridade para nosso coletivo e demanda urgência para a execução. Para isso, precisamos da sua colaboração, seja através de doação em espécie, doação em alimentos, doação de móveis ou eletrodomésticos ou mesmo a oferta de serviços voluntários que estejam dentro da sua área de atuação, por exemplo: psicologia, enfermagem, educação/capacitação, assistência social, entre outros.

Vejam aqui as várias formas de ajudar e se tornar um parceirx do projeto:

Link Vakinha Online: https://goo.gl/tQejft

Link Planilha de Doações (acessar aba LISTA e adicionar seu nome em ORIGEM): https://goo.gl/wjWUiV

Link para cadastro de trabalho voluntário (3 horas semanais): https://goo.gl/aZWwtd

Vem somar com a gente nesse projeto. Para mais informações, entre em contato nos números: 


Gerência de Arrecadação de Fundos:
Gabriel Mota – 92 981189174
Emílio Félix – 92 991846380
Maurício Oliveira – 92 984077519
 
Gerência de Doações:
Sebastiana Silva – 92 993118474
Mauro Gaudêncio
Patrícia Sampaio





 
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