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01/05/2020 às 13h30min - Atualizada em 01/05/2020 às 13h30min

Relatos de uma pandemia... Não é uma simples gripe

Relatos do jornalista Mário Marinho sobre a crise criada pela pandemia

Mário Marinho - Especial para M2 News
mariomarinho@m2news.com.br
Eu confesso que não tem sido fácil abrir minha timeline nos últimos dias. Toda manhã me deparo com relatos de amigos, colegas, conhecidos... eles choram seus mortos. São pessoas que a sociedade chama comuns, eu prefiro chamar de amigos. Por mais que não tenhamos uma proximidade, mas aos olhos de Deus somos irmãos.

Muitos já se foram, alguns sem direito a despedida. Pois é solitário o momento em que centenas de pessoas, isoladas em leitos de hospitais se encontram. Ao passar pela porta, eles ficam sozinhos com as equipes médicas. Do lado de fora, orações, esperança, dor, revolta e acreditem, um pouco de incredulidade...

Com tantas notícias ruins, tantas mortes, tantos relatos, tanta tristeza, ainda não é difícil encontrar quem acredite que tudo isso é uma armação. Armação da mídia, da imprensa, de políticos. Eles falam em caixões vazios; em gripezinha; em mentira.

Eu, em respeito aos amigos e mortos por esse vírus, prefiro não responder. Às vezes o silêncio é a melhor resposta para tudo. Lendo e vendo tudo isso, só lembro daquela célebre frase, dita há mais de dois mil anos.  "Pai  perdoa-lhes, porque não sabem o que dizem ." Lucas 23:34.


O solitário Bispo em meio aos mortos


Em um gesto solitário mas cheio de piedade e esperança, o Arcebispo de Manaus, Dom Leonardo Steiner, aos 70 anos de idade, foi nessa sexta-feira (01/05) sozinho, mas tomando todas as medidas sanitárias possíveis, abençoar familiares e os caixões lacrados de vítimas da pandemia.



Um enorme aceno para quem espera um amparo, uma palavra amiga, um carinho, a quem não pôde ao menos se despedir de quem ama. O arcebispo, que por ser idoso nem poderia estar ali, teve mais que um gesto de coragem, cumpriu seu voto de fé e amor ao próximo. Soube que a partir de agora sempre haverá um padre no local. É um alento para quem está vivendo em meio à reclusão e solidão domiciliar.


Os mortos ainda incontáveis


Diferente da matemática que todos aprendemos nos banco de escolas, a soma dos mortos ainda é uma incógnita. Quem diria que em plena era tecnológica o Brasil e o mundo dependeriam de um gota sangue, ou mucosa, para fazer a soma, aparentemente simples, de quem tem ou não o novo coronavírus.

As chamadas subnotificações são a prova de que esnobar a ciência custa caro, custa vidas...

Não é de hoje que os investimentos em ciência, tecnologia e pesquisas não são prioridade em nosso Brasil. E ao que se percebe, a fatura chegou! Talvez o impacto fosse bem menor se nossos cientistas tivessem meios e o respeito que sempre mereceram. Um país inteligente sempre alia ciência, saúde e tecnologia. Quem sabe por isso, a China, onde tudo começou, agora exporte ajuda de seus médicos, testes e estudos para o restante do mundo.

Enquanto quem deveria liderar tapar os olhos, muitos que  se alimentam de gestos, continuarão levando uma vida normal, enquanto o mundo segue fechado. O grande problema é que eles não se arriscam sozinhos, arriscam aos outros. E ao que parece, têm até aqui uma parcela de culpa na matemática mórbida que o Brasil vive. 

Os mortos não estão em caixões vazios, nunca tiveram. Vazias são as mentes de quem espalha notícas sem fundamentos e sem respeito aos parentes, amigos e admiradores dos que se foram. 

A gripe não é pequena


Ela causa dor no peito
Ela Invade os pulmões
Ela revira nosso corpo

Ela dá febre
Ela faz a cabeça doer
Ela causa solidão

Ela leva muitos aos leitos provisórios
Ela leva muitos aos leitos eternos

Ela tira pais de filhos
Ela acaba com casais
Ela apaga famílias

Ela causa dor
Ela isola
Ela assola
Ela não é uma simples gripe
Nunca foi, mas vai passar!



As palavras que saem são verdadeiras, como eu queria que fossem apenas invenções de uma mente aberta. Infelizmente não são. Elas refletem a dor de quem viu amigos, colegas e conhecidos partirem. Mas também de quem viu amigos vencerem e seguir em frente. Nunca foi uma gripezinha, mas tal qual ela, vai passar!
Sairemos maiores, melhores...Assim espero!


Mário Marinho





Sobre o autor:
Mário Marinho é jornalista e empreendedor da comunicação. Já atuou em diversos veículos de comunicação do Amazonas.
No serviço público, ocupou cargos em secretarias de estado, como FPS, Seinfra, UGPE (Prosamim), Seas; Também atuou na Prefeitura de Manaus (Semasdh e Semcom), sempre nas áreas de comunicação e jornalismo.
Atualmente mantém uma coluna no portal M2 News, fundado por ele em 2016, e atua como consultor de comunicação pessoal e assessoria política.
Para entrar em contato com o colunista envie e-mail para mariomarinho@m2news.com.br





 
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Coluna do Mário Marinho traz os bastidores da política e fatos importantes do Amazonas.

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