02/10/2020 às 12h19min - Atualizada em 02/10/2020 às 12h19min

No “Passa ou Repassa” da Band os vencedores foram a “botoneira” e a aglomeração

Debate que tinha o "protocolo" contra o Covid-19 como um dos atrativos, terminou com aglomeração

Mário Marinho
Especial M2 News
Debate que tinha o "protocolo" contra o Covid-19 como um dos atrativos, terminou com aglomeração. Foto: Reprodução

Por um instante eu pensei que estava revivendo aquele famoso programa de televisão, do SBT, o “Passa ou Repassa”, que era um jogo de perguntas e respostas no qual o participante acionava um botão para responder. Mas não era, estávamos na Band, e os participantes tentavam convencer os eleitores a votar neles, eles até se esforçaram, mas tinha uma confusa botoneira entre eles, chamada com todo esforço pela TV de “inovação” no debate.
 
Foi um debate, como já esperado, com poucas propostas e muitos ataques, alguns pessoais, como no caso em que o candidato David Almeida (Avante) chamou o candidato Ricardo Nicolau (PSD) de leviano. O assunto era sério e foi justamente julgado pela comissão da OAB, presente no debate, que também lembrando os programas de auditório de Silvio Santos levantou meigas plaquinhas do SIM ou NÃO para concessão de direito de resposta.
 
 
O Tabuleiro Baré de hoje faz um apanhado, rápido, de como foi o primeiro debate das eleições deste ano, em Manaus.
 
 
O botão

A BAND pensou em inovar e trazer para o Amazonas um modelo diferente de debate. A proposta era deixar que os candidatos fizessem perguntas com temas livres e usassem os dois minutos que cada um tinha. Só que existia à frente de cada candidato um botão, que deveria ser acionado quando o participante que fez a pergunta fosse passar a pergunta para o outro. Claro, como tudo que é novo, causou problema. Não deu certo e, por diversas vezes, o apresentador teve que intervir. Em um debate de poucas propostas o botão acabou chamando mais atenção que os participantes.
 
 
Marcelo Amil

Candidato do PCdoB, Marcelo Amil era o mais alegre do programa. Me chamou a atenção ele sempre sorrindo, como se aguardasse um click de máquina fotográfica. Mas querer saber se o candidato Alfredo Nascimento (PR) se referia a Ponta Negra ou Jorge Teixeira ao questionar sua proposta para cuidar de Manaus foi uma grande deixa para os “memeiros” de plantão. Sua atuação foi de boa desenvoltura com as palavras e raciocínio rápido. Propôs a construção de uma Universidade Municipal para ampliar o acesso da periferia à ensino superior e foi contra o armamento da guarda municipal defendendo a polícia militar como a grande guardiã da segurança.
 

 
Alfredo Nascimento

Claro que a BR-319 iria ser citada no debate. Alfredo Nascimento até tentou, quis colocar um ponto final no assunto, ao ser questionado por Alberto Neto (Republicanos) sobre não ter concluído a BR quando era Ministro dos Transportes. Mas o troco veio em seguida... Alfredo precisa se libertar do passado e olhar para o hoje. O que de fato propõem para Manaus? Os tempos são outros.
 
Alberto Neto

 
O Capitão Alberto Neto falava de propostas para melhorias do transporte, incitou o ex-ministro deste tema e disse que iria trabalhar para melhorar os diversos “modais” de transporte público. Alfredo, não perdeu tempo e disse que Manaus só tem um modal, o de transporte rodoviário, e propôs o modelo hidroviário como alternativa. Ficou no 1x1. Alberto mostrou no bom estilo bolsonarista que o lance é “atentar” a vida dos petistas e provocou toda a esquerda. Disputou com o Coronel Menezes quem mais defendia Bolsonaro. E Manaus onde fica?
 
 
David e seus 4 meses

 
Outro “preso” no passado e usando o mesmo discurso de 2018, David Almeida falou por diversas vezes, como se ninguém mais soubesse, que ficou quatro meses no comando do executivo estadual, e inaugurou vicinais, fez promoções de militares e pagou o Fundeb. Nicolau trocou de assunto, falou sobre a decisão do conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE) que multou seu ex-secretário de saúde de David Almeida quando governador. Aí o caldo entronou com mente e desmente fato. A parte positiva foi que tanto David quanto Ricardo concordam que Manaus precisa de uma gestão eficiente.
 
Ricardo Nicolau

Também concordou na necessidade urgente de fazer uma reforma administrativa na Prefeitura com gestão e método e defendeu a construção de um Hospital Municipal para Manaus, voltado para cirurgias eletivas. Experiência na saúde há muito. Mas o candidato precisa falar mais de seus outros projetos para Manaus. Ganhou direito de resposta e deu o seu recado.
 
 
Romero Reis

Defendeu também uma reforma administrativa e como empresário que é pontuou sua meta: fazer Manaus chegar a lista das 10 melhores cidade brasileiras para se viver. Desdenhou do candidato Marcelo Amil quando perguntou “quem tinha mais chances na vida, se um aluno do Lato Sensu ou do Vasco Vasques (escola pública para quem não conhece)?” e não definiu seu projeto para educação e professores municipais.
 
 
Coronel Alfredo Menezes

Sim, a Band não atendeu ao pedido da assessoria do candidato que o chamasse apenas de Coronel Menezes. Como não estavam no quartel foram de nome civil mesmo. O candidato fez questão de defender a figura de seu presidente e por um momento nos levou a questionar se o debate era para eleger prefeito ou presidente da república: só deu Bolsonaro versus Lula no discurso dele. Direita versus esquerda. E Manaus onde ficou Coronel? Falou em alguns momentos de projetos para cultura e educação que precisam ser aprofundados e melhor traduzidos para população.
 
José Ricardo

O homem da Kombi rebateu bem a pergunta de um candidato sobre a relação do governo PT com a corrupção e destacou os ganhos sociais, inevitáveis, que ocorreram na gestão de Lula e alfinetou e bateu em Bolsonaro, “muleta” de sustentação do candidato direitista, na postura do presidente frente ao combate o COVID-19. Apontou um projeto interessante de construir, se prefeito for, uma central de exames para a população realizar os milhares de exames importantes que a rede de saúde municipal tem atravancado.
 
Amazonino Mendes

Ausente no debate, mas jamais esquecido dos participantes. Todos de alguma forma lembraram a ausência do candidato que justificou em nota que não foi ao debate por respeitar o momento tenso e de avanço do COVID-19 em Manaus, alegando que é uma forma de dar sua contribuição para que o vírus não avance. A nota de Amazonino foi lida no ar. Bem, o argumento é forte e consciente. Não podemos negar que ele está certo. Porque não fizeram um debate via zoom, google meet e tantos outros?
 
 
Aglomeração

No final, todo o cuidado das normas de saúde foi posto por terra. Ao encerrar o debate e vermos a subida dos créditos do programa pudemos assistir os bastidores de todos os 8 candidatos, além do mediador, se aglomerando entre si para cumprimentos, toques e mão e sabe-se lá o quê conversavam tanto.
 
 
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Artista amazonense da etnia Apurinã venceu o Prêmio Destaque-Aquisição da 15ª Bienal Naifs do Brasil com a obra “Totem Apurinã Kamadeni” e faz história nas artes visuais.
 
Sãnipã, significa Caba (um tipo de vespa), na língua Apurinã, e é o nome artístico da primeira mulher indígena amazonense a ter uma obra de arte adquirida para o Acervo Sesc de Arte Brasileira, do Sesc São Paulo. A entrada de Sãnipã no seleto acervo de 2.600 obras, de aproximadamente 1.800 artistas do Brasil, entre eles os amazonenses Denilson Baniwa e Manauara Clandestina, é fruto da vitória da artista no Prêmio Destaque-Aquisição da 15ª Bienal Naifs do Brasil, promovida há 30 anos, pelo Sesc Piracicaba, em São Paulo.
Quanto talento, quanto orgulho! Parabéns!

 
 
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O aumento do número dos casos de Covid-19 no Amazonas. Na última sexta-feira o sinal de alerta começou a soar! Os sepultamentos e cremações de óbitos, tendo como causa a Covid-19, nos cemitérios públicos de Manaus alcançaram, em setembro, a maior taxa desde o mês de junho. Conforme a Semulsp, nos últimos 30 dias, foram registrados nos espaços funerários públicos, 89 sepultamentos e cremações tendo como causa confirmada a doença provocada pelo novo coronavírus. Em julho, foram contabilizados 67 sepultamentos de óbitos por Covid-19 e em agosto foram 77. 
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Tabuleiro Baré

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Coluna Política do M2 News com os bastidores da política e fatos importantes do Amazonas.

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