12/06/2017 às 19h03min - Atualizada em 23/06/2017 às 09h03min

Manual de Sobrevivência para o Festival de Parintins

Dicas de quem viveu a experiência de conhecer a ilha Tupinambarana e se apaixonou pelo Boi Bumbá

Leandro Leite - M2News
Apresentação do Boi Caprichoso no Festival Folclórico de Parintins de 2016

Apresentação do Boi Caprichoso no Festival Folclórico de Parintins de 2016

 
O Amazonas tem uma guerra dentro do estado que acontece há anos, que falamos dela há anos, financiada pelo governo, grandes indústrias e promovida pela população ao longo do tempo. Ao contrário de qualquer outra guerra que você já tenha visto ou ouvido falar por aí, essa guerra tem um conflito com data marcada anualmente e suas armas são a criatividade, a originalidade e muita diversão. A guerra, é claro, é entre as cores vermelha e azul que se espalham pela ilha de Parintins, um lugar mágico e que todo amazonense já nasce sabendo do seu misticismo, depois de aprender o abecedário.
Mesmo com sua importância para a promoção e valorização da cultura a nível regional e nacional (até mesmo internacional), muitos de nós nascidos aqui nessa região encantadora menosprezam esse festival ou a cultura do boi, por motivos de falta de identificação, ou por motivos religiosos e entre outros preconceitos. Eu devo admitir que não era muito afinado com a cultura do boi bumbá, achava brega, não tinha afinidade com a sonoridade, muito menos com a dança que era muito complicada de acompanhar (já tinha ido a eventos do segmento no sambódromo de Manaus, mas por não saber os passos, me sentia deslocado e acabava indo para a tenda eletrônica onde eu podia dançar de forma livre como o gênero musical permite).
Superado esse preconceito e distanciamento inicial, resolvi ano passado conhecer o maior festival folclórico do estado. É tão estranho você viajar pelo Brasil e pelo mundo, as pessoas te perguntarem sobre o festival de Parintins e você não saber informar a elas como ele é ou ter que afirmar que nunca foi, enquanto muitas pessoas de fora tem vontade em conhecer ou até mesmo já foram. E com o conhecimento que eu tive nessa experiência vim listar algumas dicas e motivos para você deixar o ritmo quente que existe dentro de você vir à tona que a energia dessa festa vai te contagiar e você vai aprender como sobreviver na ilha tupinambarana.



1 – Indo de Barco
O legal de ir de barco é que ele é barato, você vai encontrando e conhecendo novas pessoas, além de ir aprendendo todas as músicas de boi e principalmente as danças, você já chega na ilha sabendo todos os passos e isso é muito importante.
Os barcos oferecem a opção do andar com ar condicionado para quem for ficar em redes e os camarotes também. Se você é uma pessoa calorenta, não se preocupe: de noite faz um clima agradável.
A parte chata é ter que parar em uma balsa da marinha, enquanto eles passam quase uma hora fazendo revisão no barco e vendo se não tem gente em excesso na navegação, fora isso, eu recomendo muito, fui e gostei.

2 – Alugue um lugar para ficar com uma família local
A minha ida no ano passado, foi no calor do momento e eu fiquei onde meus amigos já tinham alugado para passar a temporada na casa de uma família, lá é muito comum as famílias alugarem quartos para o período do festival e o bom que você convive com pessoas da cidade que vão sempre te dar as melhores dicas de onde sacar dinheiro, onde comer e onde ir.
Se você puder ficar em hotel ou outra locação, ótimo. Mas, não deixe de experimentar essa opção se o bolso tiver um pouco apertado, o bom que você vai ter pessoas que vão saber se você chegou bem ou não chegou e testemunhar sua convivência na ilha.

3 – Não fique parado, se locomova pela ilha com muitas opções
Ficamos no lado vermelho da ilha e essa localização é um pouco longe do centro, mas esse não era um problema já que existem os táxis, os mototáxis e os triciclos que fazem o transporte dos visitantes. Uma viagem de mototáxi partindo dessa região quase próxima do aeroporto não sai por mais que R$ 5 indo até o centro da cidade. Andar de triciclo também é muito interessante, o rapaz leva você pedalando em uma cabininha pela cidade e você vai vendo as pessoas, as regiões e consegue passar até perto dos carros alegóricos e observá-los com atenção antes deles entrarem no bumbódromo. Vale a pena a alternativa.

4 – Comidas coloridas
Existe na ilha a opção de comer alguns pratos com as cores dos bois, principalmente a tapioca e eu fui inventar de comer a tapioca azul. Cuidado esses alimentos vem com corantes e deixam seu organismo um pouco “colorido” por alguns dias, é estranho. Se tiver estomago sensível evite a experiência, mas se não conseguir resistir vale a pena pelo menos pelo registro fotográfico.


5 – Comuna’s
Chegar à orla de Parintins às três horas da tarde e curtir o fervo em frente ao Comuna’s Bar e outros bares das adjacências é uma experiência que tem que entrar para o seu currículo do festival. É como um carnaval fora de época, onde você encontra os amigos, conhecidos e até pessoas que você nem sabia que iam para a ilha naquele ano.
É o esquenta para as festas da noite e uma ótima pedida para quem tem pique de começar os trabalhos antes da abertura dos portões do bumbódromo.

6 – Com que roupa eu vou?
Ano passado foi um ano atípico no festival, a festa dos visitantes que acontece tradicionalmente na quinta-feira que antecede o início das apresentações dos bois na sexta, aconteceu separadamente em cada curral e não junta com os dois públicos em um só evento.
Despreparado com essa informação, acabei vestindo um tênis azul, camisa azul e fui para o curral do boi caprichoso, depois resolvemos ir ao curral do boi garantido e achávamos que as regras de cores estariam mais brandas por ser a noite dos visitantes. Nada disso. Eles levam à sério essa questão das cores, eu não pude entrar no curral e tive que comprar uma camisa de R$ 45,00 lá na frente, trocar para poder assistir a festa do garantido.
Preste atenção nas suas vestes.

7 – Camarotes, Arquibancas e Galera
Se você não conseguiu comprar a tempo o seu ingresso não se preocupe, você consegue comprar ainda na bilheteria do Bumbódromo se tiver a venda ou com os cambistas que conforme o festival vai acontecendo podem diminuir o preço do ingresso para não perder a venda.
O camarote que você for, caso compre esse acesso, tem que ser algum bem estruturado com algo acontecendo nele (banquete, organização no geral dentro dele com cadeiras e tudo), fora isso você vai ficar competindo por espaço na sacada do camarote para ter uma visão do festival. Sair para o banheiro e perder o lugar é o risco que você corre.
A Arquibancada tem o lado azul e vermelho e o lado especial que é o neutro você pode curtir as duas apresentações tranquilamente, sendo que esse acesso é um pouco mais caro. E a arquibancada da galera tem acesso livre, mas o que impede de ir nela é o tamanho da fila, alguns moradores locais ficam na fila por você e cobram uma taxa por isso e você pode pegar o lugar mais tarde quando estiver próximo de entrar. É uma chance de ver o festival de dentro e se emocionar.

8 – Bebeu água?
A composição da água muda de região para região que você vai, você que já viajou deve saber disso, você que nunca viajou fique sabendo. Cuidado com a água que você toma, prefira tomar água mineral engarrafada, pois você pode se sentir mal por não está acostumado com a composição da água de outra região.


9 – Copão
Mas, beber água para quê se na praça central da cidade os ambulantes chegam a vender três copos grandes de 600ml de cerveja por 10,00 o combo? É o que eles chamam de copão e comporta uma garrafa de cerveja tranquilamente. Vale a pena o investimento. E você pode se divertir com os amigos e alternar com eles quem paga a rodada da vez.

10 – Estamos indo de volta pra casa
 Se ir para ilha de barco pode ter suas vantagens, voltar para Manaus de barco não é tão prazeroso. Todos estão exaustos e fica aquele clima de luto, fora que a volta é mais demorada já que o barco vem contra o rio e ninguém está mais tão animado para beber e se conhecer. Para os que querem voltar logo tem a opção de lancha que leva entre 8h a 7h para chegar em Manaus e avião também, é claro.
 
Bom, depois que você embarca nessa aventura quer repetir a dose todo ano e entende o porque de tantos amazonenses, paraenses e pessoas do mundo inteiro serem tão apaixonadas por esse festival. Não perca a oportunidade de conhecer essa festa gigantesca que acontece aqui do nosso lado. Valorizar os eventos da nossa terra é importante e ainda ajuda na economia local. Vale a pena o investimento. 

Até nosso próximo post. 

Sobre o autor:

Leandro Leite é Relações Públicas, Especialista em Gestão e Produção de Eventos
 
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