13/06/2017 às 17h58min - Atualizada em 13/06/2017 às 17h58min

As Boas-vindas ao mês de Junho, mês do orgulho LGBT.

Estreia da coluna de Gabriel Mota no M2News

Gabriel Mota - M2News
E pra começar a conversa sobre diversidade...
Junho chegou e, no Brasil, trouxe junto com os festejos juninos uma onda colorida que tem tomado conta do avatar de vários perfis no Facebook: as cores do orgulho LGBT.
Mas afinal, por que LGBT? E por que o orgulho?

Pasmem! Mas ainda esse ano (2017...) fazendo uma ação para sensibilizar os parlamentares do legislativo municipal, junto com o coletivo Manifesta LGBT+, me deparei com alguns assessores me questionando “LGBT? O que é isso?”. Aí a gente dá aquela revirada de olho, retomo a postura e começa a explicar.

LGBT é a sigla que se refere à pessoas que são lésbicas, gays, bissexuais, transexuais e travestis. Nesse momento, é importante lembrar que as três primeiras siglas referem-se à orientação sexual do indivíduo (ou seja, um homem pode ser heterossexual, bissexual ou homossexual - popularmente: gay; a mesma coisa a mulher, que pode ser heterossexual, bissexual ou homossexual - popularmente: lésbica). A última sigla “T” se refere não mais à orientação sexual, mas sim à uma identidade de gênero, ou seja, como um pessoa se autodeclara (e é feliz – importante lembrar!!!), independente do órgão genital que nasceu; estamos falando aí de mulheres ou homens transexuais e também as travestis.

Quando falamos sobre o início do movimento social LGBT, a história sempre nos remete à invasão da polícia no pub Stonewall Inn, localizado no bairro de Greenwich Village, Nova York e à resposta dos LGBTs presente no local, em tom de revolta pela repressão que a comunidade vinha sofrendo naquela cidade. Mas como toda revolta, só se torna revolta quando um indivíduo – nesse caso, toda uma comunidade – chega ao limite da opressão que sofre. Levando em consideração um contexto “americanizado” do movimento, imaginem um país de raízes cristãs-protestantes, onde a base da sua constituição (e da sua colonização/constituição) é a bíblia. Imaginem agora que pessoas LGBTs sempre existiram. Imaginem que dia após dia, mais pessoas LGBTs começam a existir e ficar em evidência em uma sociedade branca, heterossexual e patriarcal que vê tudo que seja diferente disso como algo abominável (vide índios, negros, LGBTs e atualmente imigrantes...). Então... Ao longo da história da maior potência do mundo, os LGBTs sempre foram marginalizados, violentados e tratados como pessoas doentes (sim, DOENTES). Muitos respondiam ao crime de “sodomia” e muitas vezes eram condenados à pena de morte. Entre outras crueldades, as quais levaram ao tímido despertar de algumas iniciativas em resposta à essas barbaridades na terra do tio Sam. Do outro lado do país, na cidade de San Francisco, vários atos de resistência foram tomados para afirmar a identidade LGBT na cidade. Entre os marcos desses atos de resistência, San Francisco conseguiu ser a primeira cidade americana (talvez no mundo) à eleger um vereador homossexual – Harvey Milk, um dos maiores vultos da política americana no que se referia à direitos humanos.

Na Europa, os homens gays da Alemanha foram os primeiros a erguer suas vozes em oposição à opressão que a comunidade LGBT sofria no país. Não à toa, homens gays e judeus foram o grupo de pessoas mais exterminados nos campos de concentração durante a Segunda Guerra Mundial, na Alemanha nazista de Hitler. Na Inglaterra, pessoas que fossem descobertas mantendo relações sexuais com pessoas do mesmo sexo, eram presas ou podiam optar pela liberdade com o adicional da castração química. Alan Turing, um matemático que através de sua inteligência matemática conseguiu encurtar a Segunda Guerra Mundial em dois anos – considerados por muitos como o pai da informática – não fugiu à essa regra: foi condenado à castração química. Voltando um pouco para os EUA, houve um tempo em que até tutoriais de “como se proteger de um homossexual” era televisionados em rede nacional. No Brasil, homossexuais e travestis foram rechaçados das ruas do país, sob a justificativa de que era preciso “limpar e manter as ruas das cidades em ordem”. E havia censura para qualquer veículo de comunicação que desse qualquer tipo de visibilidade à essas pessoas. O jornal Lampião da Esquina foi o primeiro do gênero a circular em meados da década de 70, abertamente voltado à comunidade LGBT.

Até aqui, citei alguns do eventos mais marcantes em termos de agressão aos direitos humanos das pessoas LGBTs. Com certeza – muita certeza – existe muito conteúdo que poderia ser exemplificado aqui. Mas como todos esses eventos aconteceram e ainda acontecem até hoje – lembram de 12 de junho de 2016? Quando mais de 50 pessoas foram mortas numa boate em Orlanda, EUA? Lembram das recentes notícias sobre “campos de concentração para homossexuais na Chechênia”? – não há dúvidas que usar a data da Revolta de Stonewall, 28 de junho, como marca do orgulho LGBT, foi um dos maiores atos de afirmação para toda a comunidade. O ex-presidente americano Bill Clinton estipulou em junho de 2000 que o mesmo mês seria o mês do orgulho para lésbicas e gays. Anos depois, Barack Obama ampliou essa celebração e em todos os anos de sua presidência, fez alusão do mês de junho como o mês do orgulho LGBT. E como o país ainda hoje é o grande império influenciador do mundo, essa celebração pegou e, vários países tomaram junho como um mês oficial para dar visibilidade à comunidade LGBT. Uma das grandes empresas do mundo, o Facebook, e diretamente seu fundador e proprietário, Mark Zuckerberg, são abertamente apoiadores da causa LGBT. Aqui no Brasil, não é preciso navegar muito na rede social para visualizar vários perfis com as cores do arco-íris.

Por isso, caros leitores, o ORGULHO. O orgulho, ele parte da resistência, da afirmação, da luta. Ele parte da sobrevivência. Do ato de viver, que é um ato de altíssima dificuldade quando você não se encaixa em um padrão que a sociedade construiu como “certo”.
Neste mês, você não precisa ser LGBT para fazer parte dessa causa. Tenho certeza que muito perto de você tem alguém que precisa de abraço amigo e o amor incondicional para se fortalecer e ter a certeza que não é porque você nasceu LGBT, você está condenado à indiferença humana. Dê apoio para um amigo LGBT. Acolha um amigo LGBT. Dê apoio para um trabalhador LGBT. Dê apoia para a família de um LGBT que não sabe como lidar com essa situação. Abrace essa causa mesmo que ela não faça parte do seu cotidiano. Não precisa estar na pele de uma pessoa LGBT pra sentir a opressão que ela sofre. Vamos trabalhar a empatia e olharmos uns aos outros além dos nossos preconceitos. Quem sabe um dia o amor de fato não vença a indiferença e então tenhamos um mês de orgulho e um ano inteiro de humanidade?

Até o próxima!!


 
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