O governo federal deverá investir mais de R$ 500 milhões até o fim de 2026 para garantir a navegabilidade dos rios amazônicos, especialmente durante os períodos de estiagem. A informação foi dada pelo secretário nacional de Hidrovias e Navegação, Otto Luiz Burlier, durante o encontro on-line “Diálogos Amazônicos”, promovido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) na noite de segunda-feira (27).
Segundo o secretário, os investimentos fazem parte de uma estratégia para manter o transporte de cargas na região ao longo de todo o ano. Nos últimos três anos e meio, o governo federal aplicou cerca de R$ 1,7 bilhão em ações como dragagens, sinalização e manutenção de trechos considerados críticos para a navegação, incluindo a Enseada do Madeira, entre Manaus e Itacoatiara.
“É pouco quando a gente compara com rodovias e ferrovias, mas são recordes históricos que a gente está tentando implementar da melhor forma possível em dragagens, manutenção, sinalização e operação de recursos para manter a navegabilidade dos nossos rios durante todos os dias do ano”, afirmou Burlier.
Durante o evento, o secretário também destacou que o governo trabalha na agenda de concessões de hidrovias como forma de ampliar os investimentos e dar maior previsibilidade ao setor produtivo. Os contratos deverão incluir serviços atualmente realizados pelo poder público, como dragagem, sinalização, levantamentos hidrográficos, gestão ambiental e tecnologias de monitoramento das embarcações.
Entre os projetos avaliados está a concessão da hidrovia do rio Madeira. De acordo com Burlier, a medida poderá reduzir em até 25% o custo do frete de mercadorias transportadas pelo rio, já que a operação permitiria a navegação contínua, com funcionamento pleno durante todo o ano.
“O rio vai funcionar plenamente 24 horas por dia, todos os dias do ano. As empresas vão poder movimentar suas cargas de forma plena e isso vai trazer uma série de benefícios para todos os atores”, explicou.
A concessão do Madeira estava prevista para avançar neste ano, junto com os projetos dos rios Tapajós e Tocantins, mas as tratativas foram suspensas em fevereiro após manifestações de lideranças indígenas contrárias aos impactos previstos, principalmente no Tapajós.





