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Hamas anuncia dissolução do governo em Gaza em meio a negociações de cessar-fogo

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O grupo Hamas anunciou, nesta segunda-feira (6), a dissolução do governo que administrava a Faixa de Gaza e afirmou que pretende transferir o poder para um comitê técnico apoiado pelas Nações Unidas. A medida faz parte das negociações de cessar-fogo mediadas pelos Estados Unidos para o encerramento do conflito com Israel.

O anúncio foi feito por Ismail al-Thawabta, diretor-geral do Gabinete de Mídia do Governo controlado pelo Hamas. Segundo ele, apenas equipes técnicas e profissionais permanecerão em seus cargos para garantir a administração dos serviços essenciais no território palestino.

Apesar da declaração, o Hamas não informou se pretende desarmar seus integrantes ou transferir o controle da segurança para uma força internacional, pontos considerados centrais nas negociações para a segunda fase do acordo de cessar-fogo.

O Conselho de Paz, órgão criado para coordenar a administração e a reconstrução de Gaza, informou que acompanha o anúncio, mas afirmou que avaliará seus efeitos com base em “ações, não em promessas”. Em comunicado, o conselho reiterou que o acordo prevê que o futuro comitê tecnocrático tenha controle sobre todas as armas no território.

Nove meses após a assinatura do cessar-fogo, Israel e Hamas ainda divergem sobre a implementação da segunda etapa do acordo. Enquanto Israel defende o desarmamento do grupo como condição para avançar nas negociações, o Hamas sustenta que a prioridade deve ser a execução integral da primeira fase antes de discutir o futuro de seu aparato militar.

Mesmo com a trégua em vigor, confrontos continuam sendo registrados na Faixa de Gaza. Nesta segunda-feira, autoridades de saúde locais informaram que ao menos cinco pessoas morreram em ataques israelenses, incluindo vítimas em Khan Younis e na Cidade de Gaza. As Forças Armadas de Israel afirmaram que os alvos eram integrantes do Hamas e da Jihad Islâmica Palestina.

O conflito teve início após o ataque do Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023, que deixou cerca de 1,2 mil mortos e 251 pessoas sequestradas, segundo autoridades israelenses. Em resposta, a ofensiva militar de Israel na Faixa de Gaza já provocou mais de 73 mil mortes, de acordo com o Ministério da Saúde de Gaza, órgão administrado pelo Hamas. A ONU e especialistas independentes consideram os registros da pasta geralmente confiáveis, embora o ministério não diferencie civis de combatentes em seus balanços.

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