O autônomo Valdecir Ferreira, 45 anos, pai do adolescente Fernando Vilaça, 17 anos, declarou nesta quinta-feira (21) que se sente “aliviado” com a sentença de três anos proferida pelo Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) contra os dois adolescentes de 16 e 17 anos por ato infracional análogo ao crime de homicídio por motivo torpe. Vilaça morreu no dia 5 de julho após sofrer uma série de agressões na rua Três Poderes, bairro Gilberto Mestrinho, zona Leste de Manaus. Os dois menores ficarão internados para cumprir medidas socioeducativas.
“Eles foram condenado a pagar pelo tamanho (do crime) que fizeram. Estamos aliviados. Não traz ele (Fernando) de volta, mas a gente fica mais aliviado porque vão pagar pelo que fizeram. A gente fica muito sentido, é muito difícil, só quem é pai sabe o tamanho da perda de um filho, um membro da família. Ficamos aliviados um pouco por isso. Agradecer a todos quer viram que o caso não poderia ficar parado. A justiça está sendo feita para não ficar esquecido”, declarou Valdecir.
Publicada nesta quarta-feira (20), a setença pela internação prevista no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) dos dois adolescentes foi assinada pelo juiz Eliézer Fernandes Júnior, titular do Juizado da Infância e Juventude Infracional, em atendimento ao pedido do Ministério Público do Amazonas (MPE-AM). Alexandre Torres Junior, advogado da família de Fernando, explicou que as agressões que resultaram na morte da vítima foram motivados por insultos homofóbicos. Fernando foi chamando de “viadinho” e ao questionar o motivo foi agredido pelos dois adolescentes.
O advogado adiantou que a família de Fernando não pretende recorrer dessa decisão, mas deve ajuizar uma ação civil contra os familiares dos adolescentes infratores. “E não pretendemos recorrer dessa decisão, mas, pretendemos ajuizar uma ação civil contra os familiares de todos os infratores pedindo a reparação pelos danos morais por todo o dano causado à familia de Fernando Vilaça”, declarou Alexandre. O depoimento da mãe de Fernando, a dona de casa, Rosângela Vilaça, 47 anos, foi determinante para as investigações. Ela escutava os relatos do filho sobre o bullying que sofria na rua.
Ainda bastante abalada relembrou esses momentos. “Faziam bullying com ele (Fernando). Falou para mim que eles (os infratores) chamavam ele de ‘viadinho’ e muitas outras coisas. Eu aconselhei ele a deixar para lá (sic). O sonho dele era de, quando começasse a trabalhar, me dá uma boa vida, comprar uma casa, me tirar de onde moramos e fazer uma faculdade. Sonhos de dá uma boa vida para mim, para o pai e os irmãos. É um alívio que agora estão presos e terão que pagar o que eles fizeram com o meu filho”, declarou a mulher.

Alexandre Torres Junior. Advogado da família de Fernando Vilaça
Relembre
A agressão contra Fernando ocorreu no dia 2 de julho na rua Três Poderes, bairro Gilberto Mestrinho, zona Leste de Manaus, no momento em que ele saiu de casa para comprar leite. Um vídeo feito por testemunhas mostra duas pessoas em fuga do local do crime e Fernando desacordado na sarjeta. Ele foi socorrido e levado para ao Hospital e Pronto-Socorro Doutor Aristóteles Bezerra Platão de Araújo, em seguida transferido para o Hospital e Pronto-Socorro Doutor João Lúcio Pereira Machado, onde passou por cirurgia e foi a óbito. A causa da morte foi traumatismo craniano.
Moradores da localidade, informaram que Fernando era alvo frequente de bullying por outros jovens. No dia da agressão, ao ser insultado novamente, ele foi questionar os suspeitos o motivo do insulto e foi agredido. Segundo relatos, ele teria sido chamado de “viadinho”. Após o ato criminoso, os dois suspeitos são perseguidos por moradores da rua Três Poderes mas fogem da cena do crime e deixam Fernando inconsciente na via pública. Os dois menores envolvidos no crime se apresentaram de maneira voluntária na Delegacia Especializada em Apuração de Atos Infracionais (Deaai).
Conteúdo Originalmente Publicado em: Acrítica




