A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) formalizou nesta terça-feira (20) na Justiça Eleitoral a autorização para a quebra voluntária dos sigilos bancário, fiscal e telefônico do presidente, da primeira-dama Janja Lula da Silva e dos cinco filhos dele, referentes aos últimos oito anos. O pedido foi distribuído ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, que ficou responsável pela relatoria do caso.
A iniciativa ocorre após Lula anunciar, durante o debate presidencial de domingo (18), que abriria os próprios dados e os de seus familiares. Na segunda-feira (19), durante um ato de campanha em Porto Alegre (RS), o presidente voltou a desafiar o adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL), a autorizar a divulgação das mesmas informações.
Além dos dados pessoais dos dois candidatos, a petição pede a quebra de sigilo de empresas e contas nas quais eles tenham participação societária. No caso de Lula, o documento cita a L.I.L.S. Palestras, Eventos e Publicações Ltda., fundada em 2011 com o empresário Paulo Okamotto, presidente do Instituto Lula.
Em relação a Flávio Bolsonaro, o pedido inclui o escritório de advocacia do senador e as empresas All In One Corretora de Seguros, Bravo Grafeno Tecnologia e Inovação, Bolsonaro Digital Ltda. e Alcazar Holdings. A petição também propõe que a medida alcance familiares do senador, entre eles o ex-presidente Jair Bolsonaro, os irmãos Carlos, Eduardo e Jair Renan, a esposa Fernanda Antunes e a mãe, Rogéria Bolsonaro.
A campanha petista defende que os dados sejam disponibilizados na plataforma DivulgaCandContas, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ou em outro site de acesso público, caso Flávio Bolsonaro também autorize a abertura dos sigilos dele, de seus familiares e de empresas ligadas a ambos.
“A divulgação pública dos dados bancários, fiscais e telefônicos dos dois candidatos, anterior à próxima quarta-feira (21.10.2026), é fundamental para que a população brasileira seja devidamente informada e possa decidir livremente em quem vai votar”, afirma a petição.
Na manhã desta terça-feira, em declaração no comitê de campanha, Lula voltou a cobrar transparência do adversário e questionou se ele estaria disposto a abrir os dados pessoais e empresariais.
“Eu estou disposto a que a sociedade saiba quem é o ladrão nesse país, quem é corrupto. Quero ver se ele tem coragem de abrir sigilo bancário e telefônico da pessoa física e jurídica. […] Vamos ver se tem coragem de abrir a vida secreta dele”, afirmou.
Lula disse que incluiu os cinco filhos — Lurian, Marcos Cláudio, Fábio Luís, conhecido como Lulinha, Sandro Luís e Luís Cláudio — para responder a acusações e especulações sobre a família durante disputas eleitorais.
A discussão sobre a abertura dos sigilos ganhou destaque no debate entre os candidatos, realizado no domingo pela TV Bandeirantes, quando Lula questionou o patrimônio declarado por Flávio Bolsonaro e propôs que os dados dos dois fossem analisados antes da votação.





