Um total de 648 pessoas procurou atendimento médico após a exposição ao gás estireno em Manaus, segundo informe epidemiológico divulgado pela Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) nesta segunda-feira (20). O vazamento do produto químico ocorreu na última quarta-feira (15), em um tanque da empresa Innova, localizada no Distrito Industrial.
De acordo com o levantamento, elaborado pela Diretoria de Vigilância Ambiental e Epidemiológica, Zoonoses e Saúde do Trabalhador (Dvae), apenas um paciente permanecia internado até as 15h de segunda-feira. Os dados incluem atendimentos realizados nas redes pública e privada de saúde.
O informe também registra dois óbitos que seguem sob investigação para determinar se há relação com a exposição ao estireno. As vítimas são um homem de 60 anos, que morreu no dia 16 de julho, no Centro de Manaus, e um trabalhador de 66 anos, cuja morte foi registrada na madrugada do último domingo (19).
Segundo a Semsa, a maior parte dos atendimentos ocorreu nos dois dias seguintes ao incidente. Na quinta-feira (16), foram registrados 364 casos, enquanto na sexta-feira (17) houve 163 atendimentos. Nos três dias seguintes, a procura pelos serviços de saúde caiu para 30 pessoas.
Os dados apontam que 67% dos pacientes tiveram contato com o gás no ambiente de trabalho. Outros 19% relataram ter sentido os efeitos da substância em casa, enquanto 10% afirmaram estar em ambientes externos no momento da exposição.
O tempo médio de contato com o estireno foi estimado em três horas. A faixa etária mais atingida foi a de adultos entre 20 e 59 anos, embora também tenham sido registrados atendimentos de crianças e adolescentes, incluindo menores de um ano.
Entre os principais sintomas apresentados pelos pacientes, 78% relataram problemas respiratórios, como falta de ar e irritação das vias aéreas, enquanto 20% apresentaram alterações cutâneas.
Desde o início da ocorrência, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) realizou a remoção de 13 pessoas que precisaram de atendimento emergencial.
Apesar de o vazamento ter sido controlado, a Semsa informou que continua monitorando os casos relacionados à exposição ao estireno, especialmente entre trabalhadores diretamente afetados, gestantes, crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias ou cardiovasculares preexistentes.
Além do acompanhamento em saúde, as causas do incidente seguem sendo investigadas. Na segunda-feira, peritos do Departamento de Polícia Técnico-Científica (DPTC) realizaram uma perícia na fábrica da Innova. Paralelamente, um comitê formado por órgãos estaduais, além da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) e do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Amazonas (Crea-AM), autorizou a retomada das atividades industriais e dos serviços públicos que haviam sido suspensos na região do Distrito Industrial.





