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28/07/2020 às 16h03min - Atualizada em 28/07/2020 às 16h03min

Ator faz sucesso como 'tia do Zap' que espalha fake news; você tem uma?

Folhapress
Fábio de Luca como Dona Helena. Foto: Divulgação
Munida de mantimentos, lanterna e uma câmera de celular, Dona Helena está isolada na cisterna da família, onde grava seus vídeos. Completamente paranoica, ela não acredita na imprensa e defende Jair Bolsonaro, o uso da cloroquina e alerta sobre a conspiração por trás da pandemia, que tem origem em um conluio escuso entre China, Globo e o PT. Só não vê quem não quer.

Não é difícil de imaginar: nossos amados grupos de WhatsApp, onde as fakes news e teorias conspiratórias estapafúrdias correm soltas. Vai dizer que você não tem uma tia, tio ou parente próximo que não pense como Helena, interpretada pelo humorista Fábio De Luca no Porta dos Fundos?

Só pegar umas folhas de mamona carrapateira, salpicar tinta colorama em cima e espalhar pelo quarto depois de ligar o ar-condicionado no 15. É tiro e queda.



Pegue uma dose de cloro, saião, boldo, pata de vaca, césio 147 virgem, espada de Santa Bárbara, adicione uma cusparada, três Cebions e esquente tudo em um tubo de ensaio. Não tem como dar errado.



 
Preste bastante atenção na explicação detalhada que começa no minuto 1:17 do vídeo abaixo, que "desmoralizou" o biólogo e pesquisador Atila Iamarino.



Nós não conseguimos parar de rir com a Dona Helena —de nervoso, porque conhecemos gente assim— e resolvemos ir atrás do Fábio De Luca para explicar a criação da personagem. Ele diz que ela nasceu inspirada na própria família dele, que foi criado em Nova Iguaçu (RJ) em uma família de mulheres. Mãe, avó e tias estavam sempre por perto.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Funfun é respeito. (Consegue me achar?)

Uma publicação compartilhada por Fábio de Luca (@fabiodelucaa) em


 
Essa figura da 'senhora', separada, voz rouca de cigarro, sempre me perseguiu. Já a utilizei em algumas ocasiões no teatro. Mas agora percebi que ela se encaixa muito bem como 'tia do Whatsapp', que povoa os grupos de família de todo mundo e que nesse momento de pandemia ganhou muito destaque Fábio de Luca, que não tem nenhum parentesco com Bruno de Luca
 

No processo de criação da Dona Helena, que desde março espalha fake news no canal do Porta dos Fundos, Fábio usou a própria experiência em grupos de WhatsApp. Ele cita dois, em especial: o da própria família, onde diz ler com frequência incômoda textos que mais parecem saídos da boca da personagem, e um grupo do curso de canto que cursou e era cheio de senhorinhas.
 
 
Mas o da minha família foi o que mais me surpreendeu. Porque ali tinha gente que estudou. Tias supostamente bem informadas, mas que por teimosia querem defender um determinado lado do espectro político. Elas até admitem a existência de fake news, desde que não vá contra o que pensam Fábio de Luca, que espera atingir todo tipo de público com os vídeos, inclusive o das 'tias do Zap'
 
 
Na opinião do humorista, Dona Helena é o símbolo de um Brasil frustrado, orgulhoso e populista. Um país que se decepcionou com os anos de esquerda no poder e agora enxerga em Jair Bolsonaro a figura do salvador, assim como aconteceu anteriormente com outros presidentes.
 
 
Parece que nós, brasileiros, estamos esperando a chegada de um herói redentor desde a novela do Sassá Mutema ['O Salvador da Pátria']. E agora temos esse Messias, que no caso se chama Messias mesmo, caiu como uma luva para um monte de gente. Tenho muitas tias professoras que sempre foram PT e hoje defendem o Bolsonaro
 
 
Na esquete do Porta dos Fundos, Dona Helena está há meses em sua saga presa na cisterna, testando a paciência dos parentes no telefone e a própria sanidade. E, como já adiantou o clipe em que canta seus absurdos ao estilo Anitta, ela deixará o local em breve, já no próximo vídeo. Seu drama agora será outro: saber se pode enfim sair de casa e ir ao shopping sem um motivo aparente.


Sim! Helena não está isolada na cisterna apenas porque tem medo da pandemia. Presente na obra "A República (Livro VII)", a alegoria da caverna mostra como o ser humano pode se libertar da ignorância que o aprisiona, representada pela escuridão, encontrando a saída e, assim, a luz da verdade. Só não sabemos ainda se teimosa Dona Helena alcançará tamanha iluminação.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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