20/06/2017 às 09h56min - Atualizada em 20/06/2017 às 09h56min

Entre milho, abelha e tartaruga... Eleição no Amazonas promete ser uma das mais ferrenhas

Mário Marinho - M2News
Menos de 24h após o registro oficial das candidaturas de quem, agora, de fato vai concorrer ao cargo deixado por José Melo (por decisão do TRE, confirmada pelo TSE) no Amazonas, partidários dos candidatos já travam uma batalha de vídeos, memes e intrigas. Em grupos de aplicativos de bate-papo e nas redes sociais o que não falta é assunto. Um dos principais alvos é o candidato a vice-governador  na chapa encabeçada por Eduardo Braga.  Marcelo Ramos, que até quinze dias atrás dizia que não aceitaria compor com Braga, aceitou ser vice de seu ex-adversário. Marcelo, que nas últimas eleições ao governo do Estado em 2014, travou embates contra Braga e Melo, afirmou que a composição é pelo bem do Amazonas. 

Apesar das justificativas, Marcelo Ramos não escapou de virar o grande personagem, ao menos de vídeos e memes, dessa eleição. Em um dos vídeos que circula pelos apps de conversas, Ramos diz: "Eu tenho certeza de que o final de quem muda de lado é o final da execração pública", declaração dada por ele em entrevista a uma emissora de TV local. Um dos vídeos mais comentados é de um debate entre candidatos ao governo em 2014. Se dirigindo ao então adversário Braga, e se mostrando como opção nova, séria e opositora, Marcelo disparou a frase que hoje se vira contra ele. "Que conversa é essa de eles. Tu podes até criticá-los, mas tinhas que fazer ajoelhado no milho".

A união com Braga gera críticas à Marcelo Ramos, mas se olharmos mais a frente, pode se transformar em uma boa jogada no tabuleiro da política. Sem ser citado em delações premiadas, sem estar na lava jato e sem processos que o desqualifiquem legalmente, se vencer a eleição ao lado de seu ex-desafeto, Marcelo Ramos pode até herdar a cadeira de governador, com ou sem milho.



Bom ou não, a abelha sempre volta
 
​Aos 77 anos, com um currículo político acumulado em mais de três décadas, Amazonino Mendes volta à cena política do Amazonas para reeditar a disputa de 2006, quando perdeu para seu então pupilo, Eduardo Braga, a eleição para governo do Amazonas. Na época, Amazonino investiu pesado, mas não conseguiu derrubar Braga. Agora, onze anos depois, Amazonino e Braga voltam a duelar. E como não é, nunca foi e nunca será segredo para ninguém, alianças formadas entre eles 'num passado não tão distante', também viraram memes.
 
A imagem mais emblemática, ao menos até agora, é da foto de uma camisa das eleições de 1992. No registro, em letras garrafais, a composição de chapa vitoriosa da época. "Amazonino, prefeito. Eduardo Braga, vice. Omar, vereador". A foto, claro, viralizou na rede. Se hoje estão em chapas diferentes, Amazonino, Braga e Omar (que até hoje está com Amazonino), já estiveram no mesmo palanque. E é nisso que seus opositores apostam. Mostrar a todos, na visão deles, que o trio nunca se debandou.
 
Aliás, Mendes talvez seja uma pedra branca no nosso tabuleiro político... faz sempre o primeiro movimento do jogo. Antes mesmo das eleições começarem oficialmente, juntou Artur, Omar, Hissa, Silas e outro conglomerado de políticos que já estiveram em lados opostos, ao seu lado, firmes, fortes e sorrindo.
Para muitos, Amazonino representa um retrocesso, pela idade avançada. Ele sabe disso. Tanto que na convenção do PSDB que abraçou sua chapa, ele disparou. "Eu não vou disputar uma maratona. Eu vou governar'',  disparou Amazonino, seguido de aplausos.
Resta saber agora se Amazonino vai ter fôlego para uma disputa curta, mas tão ferrenha. Agosto vai nos responder se o refrão da música que promete virar jingle - Quando o mel é bom a abelha sempre volta - da dupla Simone e Simária, vai se transformar em votos.

 
A tartaruga nada ninja promete voltar com tudo


O episódio conhecido como "guerra das tartarugas" já voltou à cena. Para quem não lembra, em 2006, Marcelo Serafim, então articulador do pai, prefeito Serafim Correa, foi acusado em plena sessão ordinária da Câmara Municipal de Manaus, de criar de maneira ilegal, tartarugas para consumo próprio em sua casa. Na época Marcelo Serafim disse que os bichinhos eram legalizados. Mostrou documentos e ao lado de fiscais do Ibama, partiu para casa de Amazonino Mendes, que estava em ano sabático. Acompanhado da imprensa, Marcelo viu os agentes do Ibama apreenderam quelônios que pertenciam a esposa de Mendes. Autuado e notificado, para Amazonino ficaram mais R$ 50 mil em multas e um novo desafeto para sua caderneta.
Agora em 2017, claro, que esse episódio não iria deixar de voltar ao mundo da política baré. As conversas sobre o assunto, movimentam grupos de Whatsapp e Facebook.

Marcelo Serafim tenta se eleger ao lado de Sirlam Cohen ( ambos do PSB) com o apoio de Chico Preto (PMN). Sabendo que o embate é duro, Serafim espera "tocar" no coração do povo. "Hoje 20% dos eleitores querem votar em nulo ou branco e cabe a nós semearmos a fé  e a esperança no coração dos nossos eleitores", disse Marcelo Serafim, durante lançamento da chapa. O que ainda não sabemos é se o almoço pós-lançamento da candidatura dele teve algum quelônio servido.
 
O recuo de Silas e o gesto de grandeza de David Almeida
 
No tabuleiro da política só ter bons discursos e boa vontade, ao menos no Brasil, não emplaca candidatura. É preciso uma boa composição de chapa, tempo de campanha em TV, bons cabos eleitorais e bastante recursos financeiros. E em um estado com dimensões continentais, onde fazer campanha para o governo custa caro, Silas Câmara tentou, tentou, tentou e recuou. Com cenário armado, com banners e cartazes e dezenas de fotos dele e do seu então vice, coronel Amadeu, Silas subiu ao palco e jogou um balde com  água na temperatura de 10º C em todos os presentes. O banho gelado, encolheu partidários e membros da igreja comandada por sua família. O recuo, segundo Silas, foi por uma causa nobre, um gesto de grandeza. "Em uma eleição muito curta, onde todos os candidatos só pensam em 2018, eu não vejo como continuar nessa disputa. ", afirmou Silas, já presumindo um embate sangrento entre os candidatos que seguem. Mais tarde, na segunda-feira,19, Silas declarou apoio a Amazonino Mendes. Alguém ainda tem dúvidas de que o negão está sem energia?
Semanas antes do recuo, Silas Câmara dizia: "Ninguém conhece todos os 61 municípios do Amazonas como eu. Eu sei o que nosso Estado precisa. Vamos mudar o Amazonas."  Quem sabe na próxima, né?

Governador interino, David Almeida, também enfrentou descontentamentos dentro do seu partido (PSD) comando por Omar Aziz. Viu parte dos integrantes da legenda desembarcar no sítio de Amazonino de mãos dadas com o PSDB.  A vontade de disputar o governo não era segredo, mas faltava força dentro da própria casa. Em outras palavras, David Almeida era quase uma figura real britânica dentro do PSD. Reinava plenamente na sede do executivo estadual, mas não governava a legenda comandada por Omar. Horas antes dos instantes finais para formação de alianças, recebeu do comando nacional da legenda o aval para disputar o governo. Mas já tinha dado sua palavra e seu compromisso para apoiar Rebecca Garcia (PP) , manteve o acordado e se agigantou dentro da legenda. Já Omar, não foi visto em nenhuma convenção.


Questão de honra

O PHS de Wilker Barreto pode se tornar uma das grandes surpresas nessa eleição. Wilker,  candidato do partido, passou por momentos complicados. Nos bastidores  viu, descontentamente, seu nome ser indicado para vice de Amazonino e Rebecca. Igual a David Almeida, mas com o partido nas mãos, a vontade de entrar de cabeça na disputa não lhe faltava.
Na véspera da convenção, viu a sua então candidata a vice, Eliane Ferreira (PV) desembarcar do palanque. E não escondeu de ninguém. "Não vamos ligar para quem saiu pela porta dos fundos. Nós somos pessoas honradas e sempre entraremos pela porta da frente" , disse Wilker durante discurso na convenção do PHS.
Com uma chapa puro sangue, professora Jaqueline é sua vice. Ambos  levam o conhecimento de parlamento manauense para disputa. Wilker é bom articulador e Jaqueline tem ótima ligação com movimentos feministas. Ambos prometem brigar por muitos votos.


Por enquanto é só. Continuamos por aqui, acompanhando as pedras se mexerem no tabuleiro. Até a próxima.


Sobre o autor:
Mário Marinho é jornalista e radialista. Já atuou como repórter, apresentador, diretor e produtor de programas de televisão. Tem passagens por grandes emissoras de TV do Amazonas, como TV A Crítica e TV Em Tempo. Já atuou no serviço público como assessor de imprensa e repórter. Atualmente é gestor do portal de notícias M2News.
Contato: mariomarinho@m2news.com.br

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