28/09/2020 às 18h00min - Atualizada em 28/09/2020 às 22h06min

Há um ano engenheiro Flávio Rodrigues era assassinado em Manaus. Caso ainda não teve desfecho e segue em segredo de justiça

De magistrados se considerando impedidos à suspeita de improbidade de Arthur Neto (PSDB) e servidores da prefeitura de Manaus, além de cadeia para alguuns e prisão domiciliar para Alejandro Valeiko, marcam 365 dias da morte do engenheiro da Ambev

Redação M2 News
Especial M2
Flávio Rodrigues do Santos foi assassinado no dia 29 de Setembro, em um caso que ainda segue sem julgamento dos envolvidos. Foto: Arquivo Pessoal/Reprodução/Redes Sociais
Nesta terça-feira, 29 de setembro, completa exatamente 1 ano do assassinato do engenheiro Flávio Rodrigues dos Santos, (42 anos), morto por asfixia e por pelo menos seis perfurações, provavelmente de faca, dentro de uma mansão, no Condomínio Passaredo, na zona Oeste de Manaus, onde morava o enteado do atual prefeito da capital amazonense, Arthur Neto (PSDB), Alejandro Molina Valeiko, filho mais velho da primeira-dama de Manaus, Elisabeth Valeiko. 

Este mês, quatro juízes que atuam no Tribunal do Júri se declararam com alguma ligação com um dos suspeitos de envolvimento do caso, e optaram por não atuar na condução do julgamento dos acusados de assassinar o engenheiro da Ambev.  Entre eles, a juíza Ana Paula Braga, que chegou a atuar inicialmente no caso, aceitando as denúncias do Ministério Público do Amazonas (MPAM) e a conceder liberarde provisória a Alejandro Valeiko. Além dela, Anésio Pinheiro, disse ser ligado a uma das vítimas do caso e também optou, em 2019, por não atuar. No último dia 25 de setembro, a magistrada Eline Amaral Pinto, que herdou o processo de Ana Paula Braga, também se disse impedida. No mesmo dia, o juiz Adonaid de Souza Tavares, da 1ª Vara do Tribunal do Júri, alegou impedimento e também optou por não conduzir o caso. 

Alguns presos, outros em liberdade

Sem juiz para conduzir o caso, uma data para o julgamento dos acusados de terem participação direta ou indireta na morte do engenheiro ainda está indefinida. Enquanto isso, o policial militar Elizeu da Paz de Souza, que trabalhava na equipe segurança do prefeito Arthur Neto e o ex-lutador do MMA, Mayc Vinicius Teixeira, seguem presos no complexo de cadeias de Manaus, localizado na BR-174, que liga a capital amazonense a Boa Vista (RR). Mayc confessou a autoria do crime.

Em liberdade, mas com monitoramento por tornozeleira eletrônica, está Alejandro Molina Valeiko, que levou Flávio e seus amigos para sua casa, no Tarumã e é acusado pelo MP de participação  na morte do engenheiro. A irmã dele, Paola Molina Valeiko, é acusada de fraude processual, ela teria alterado a cena do crime para tentar dificultar a ação dos investigadores, aguarda julgamento em liberdade.

Além dos enteados de Arthur Neto, José Edvander Martins Júnior, conhecido como Júnior Gordo, que teria levado drogas para o grupo no dia do assassinato, é acusado de denunciação caluniosa, que na prática é a acusação enganosa contra uma pessoa. Ele aguarda julgamento.

MP promete acelerar investigações

O novo Procurador-Geral de Justiça do Amazonas, Alberto Rodrigues do Nascimento Júnior, disse que vai determinar celeridade na investigação de improbidade administrativa contra o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto (PSDB) e servidores municipais, pelo provável uso de carros oficiais, pagos com dinheiro público, no transporte do corpo de Flávio Rodrigues, do seu assassino e do principal auxiliar dele, ao que se apontam nas investigações, Elizeu da Paz. Câmeras de monitoramento do condomínio flagraram a entrada e saída dos dois em um carro oficial da prefeitura, mais tarde, marcas de sangue foram encontrados no veículo.

Em nota, 
a Prefeitura de Manaus disse que todas as providências administrativas necessárias à apuração dos fatos foram tomadas à época e que as informações serão levadas ao conhecimento do MPAM, mas não estipulou prazo para divulgar os dados. O mandato de Arthur Neto termina dia 31 de dezembro deste ano.

Caso de repercussão nacional
 
A morte do engenheiro Flávio Rodrigues é considerado um dos mais recentes assassinatos, com pessoas próximas a políticos no país. A morte do engenheiro ganhou repercussão em todos os principais veículos do país, entre eles a TV Globo, que usou seus telejornais para dar destaque ao caso, entre eles o Fantástico, um dos programas de maior audiência da emissora.

Veja a chamada do caso, feita pelo Fantástico




 

Familiares esperam justiça

Parentes de Flávio pedem respostas e justiça. Durante entrevista à Rede Amazônica, a irmã de  Flávio, Aline Rodrigues, disse que a família luta pela verdade. "O meu irmão morreu, mas ele ainda tem um nome. O que a gente quer é só a verdade", afirmou.

Arthur chegou a falar em invasão de traficante

Com a grande repercussão do caso,dois dias após o assassinato de Flávio, o prefeito de Manaus, Arthur Neto, fez um post em suas redes sociais para dar uma versão sobre a morte do engenheiro. 
“Sequestraram e assassinaram Flavio, assim como sequestram e matam, todos os dias, aqueles que se tornam dependentes e não conseguem mais pagar aos seus algozes” afirmou Arthur Neto em texto publicado em sua conta oficial no Facebook

A publicação de Arthur dava a entender que Flávio seria dependente químico e teria sido levado de dentro da casa do enteado por traficantes, que teriam invadido o condomínio onde os jovens estavam. A versão da invasão foi negada, mais tarde, pelo síndico do local. 

Feridos na frente do Condomínio

No dia do crime, 29 de setembro de 2019, imagens divulgadas na internet mostravam 
Elielton Magno de Menezes Gomes Junior, 22, agonizando após ter sido atingido nas costas por golpes de faca. Naquele momento, como o caso ainda estava em andamento, não se notou que nas imagens aparecia Alejandro Valeiko conversando com alguns populares na entrada do condomínio, enquanto Magno agonizava em frente à portaria do condomínio.





Família procurou Flávio antes de saber da morte

Antes de saber que o engenheiro havia sido assassinado, amigos e familiares de Flávio montaram uma cadeia de buscas por informações sobre ele. Muito querido por amigos, como nunca tinha passado tanto tempo sem dar notícias, o sumiço chamou a atenção. Mais tarde, após a confirmação de que o corpo encontrado em um terreno no Tarumã, seria dele, áudios começavam a revelar que o caso já teria ligações com o filho da primeira-dama de Manaus.





Entenda o caso

Flávio Rodrigues dos Santos foi morto na noite do dia 29 de setembro de 2019, depois de participar de uma festa na casa do enteado do prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto, Alejandro Molina Valeiko. O corpo de Flávio foi encontrado somente no dia seguinte no bairro Tarumã, Zona Oeste de Manaus.
Quase dois meses depois, no dia 18 de novembro, a Polícia Civil realizou a reconstituição do crime. Durante quase cinco horas, os seis suspeitos e investigadores estiveram na casa de Alejandro Valeiko.

Seis pessoas foram presas suspeitas de terem participado no crime:
  • Alejandro Valeiko, de 29 anos;
  • José Edvandro Martins de Souza Junior, 31;
  • Elielton Magno de Menezes Gomes Junior, 22;
  • Vitorio Del Gatto, cozinheiro de Alejandro e que morava na residência. Em novembro, ele teve liberdade concedida por problemas de saúde;
  • Elizeu da Paz de Souza, 37, policial militar que estava lotado na Casa Militar da Prefeitura de Manaus e, conforme investigações, seria segurança de Alejandro;
  • Mayc Vinicius Teixeira Parede, 37 - que confessou o crime.

O Caso Flávio segue em segredo de justiça, com poucos dados do processo podendo ser acessado publicamente, a última movimentação de acesso público aconteceu no dia 24 deste mês, e trata de uma conclusão para decisão intelocutória, ou seja, aguarda a decisão do juiz do caso. Como magistrados se declararam impedidos de julgar o mérito, é preciso, agora, saber quem vai assumir o caso e dar continuidade às fases que antecipam o julgamento dos envolvidos no Tribunal do Júri.


A defesa de Alejandro Valeiko 


Em nota enviada ao M2 News, a defesa de Alejandro Valeiko afirma que o engenheiro Flávio não foi morto dentro da casa de seu cliente. "Nos depoimentos prestados à polícia, Mayc Vinícius Teixeira Parede e o PM Elizeu da Paz de Souza relataram que o engenheiro foi levado para fora do condomínio Passaredo, onde ele estava com o grupo, e o deixaram em um terreno no bairro Tarumã. Elizeu permaneceu no veículo enquanto Mayc desceu do carro com o engenheiro para soltá-lo. Nesse momento, Flavio teria travado luta corporal com Mayc que desferiu de 3 a 4 golpes de faca na vítima. Mayc assumiu a autoria do crime à Polícia Civil.",  informou a defesa.

A nota, dá detalhes de parte do processo que corre em segredo de justiça, e relata uma versão de como o Flávio teria sido assassinado. "A juíza da Central de Inquéritos, Lina Marie Cabral, confirmou em informações prestadas ao desembargador José Hamilton Saraiva que, segundo as afirmações constantes dos autos, Flávio foi levado até um terreno baldio, onde foi agredido e assassinado, indicando que o crime ocorreu fora do Condomínio Passaredo.", diz a defesa de Alejandro, em nota enviada ao M2 News.

“Após o ocorrido, Elizeu e Mayc saíram daquele local, levando Flávio imobilizado. Sabe-se que, momentos depois, Flávio, vítima do fato, fora levado até um terreno baldio no bairro Tarumã, ocasião em que foi agredido e assassinado, consoante ficou demonstrado às fls 2386 e 2388”, conforme informações prestadas em dezembro de 2019, diz a nota.

Por fim, segundo os advogados do enteado de Arthur Neto, Alejandro foi indiciado por omissão, uma vez que na acusação do Ministério Público, Molina não foi declarado como mandante do crime ou tenha tido alguma ação penal, no fato.

"Logo, pelo mesmo estar no condomínio e não ter sido acusado da autoria do crime e nenhum dos outros presentes, apenas Mayc e Elizeu - que afirmam ter retirado Flávio do residencial, não é possível afirmar que o engenheiro foi morto dentro do Passaredo.", diz a nota.

Sobre a afirmação  de que Alejandro Molina Valeiko, teria levado Flávio e seus amigos para sua casa, no Tarumã e é acusado pelo MP de participação  na morte do engenheiro, a defesa diz que Molina Valeiko estaria em sua residência, na companhia de Victório Del Gato, que chegou a ser preso durante o curso das investigações .

"À polícia, Alejandro afirmou que estava com o cozinheiro Vittorio Del Gatto quando recebeu uma ligação de Matheus de Moura Martins convidando todos a irem para casa de Alejandro. A informação foi confirmada por Elielton Magno de Menezes Gomes Junior e Edvandro Martins de Souza Junior, o Junior Gordo", conluiu a defesa em nota enviada ao M2 News.

 
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*Reportagem atualizada às 22h06, horário de Brasília, para inclusão de nota da defesa de Alejandro Valeiko.
 

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