10/05/2021 às 10h44min - Atualizada em 10/05/2021 às 10h44min

Líder da oposição na Câmara pedirá ao TCU e MPF para investigar 'Bolsolão'

UOL
Foto: Reprodução
 

O deputado federal e líder da oposição na Câmara, Alessandro Molon (PSB-RJ) afirmou que entrará com uma representação junto ao TCU (Tribunal de Contas da União) e ao MPF (Ministério Público Federal) para que investiguem o "Bolsolão". As opiniões foram compartilhadas no Twitter na manhã de hoje.

O parlamentar afirma que o pedido surgiu diante das "gravíssimas denúncias" de que o governo do presidente Jair Bolsonaro teria criado um orçamento paralelo para montar uma base aliada no Congresso, "via toma lá da cá".

Diante das gravíssimas denúncias de que o governo Bolsonaro teria criado um orçamento paralelo para montar uma base aliada no Congresso via toma lá da cá, vamos representar ao TCU e MPF para que investiguem o "Bolsolão".

A investida de Molon junto aos órgãos é reflexo de uma reportagem do jornal O Estado de S. Paulo que afirma que o governo federal montou um orçamento secreto de R$ 3 bilhões em emendas para garantir o apoio da base aliada no Congresso.

Do montante, ao menos R$ 271 milhões teriam sido destinados para compra de tratores, retroescavadeiras e equipamentos agrícolas. No caso de 115 tratores ao preço de R$ 15 milhões, o jornal identificou que apenas 12 deles seriam comprados dentro dos valores de referência do próprio governo.

O Ministério do Desenvolvimento Regional chegou a reconhecer, em um documento, que foram os parlamentares, e não a pasta, que definiu a aplicação de R$ 3 bilhões em verbas, segundo a reportagem do Estado de S. Paulo.

Os ofícios que continham as indicações de gastos são de 37 deputados e cinco senadores, entre os quais está o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-ALo, a ministra Flávia Arruda (PL-DF), o ex-líder do governo na Câmara, Vítor Hugo (PSL-GO), e o ex-presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP).

O UOL entrou em contato com a assessoria do deputado Alessandro Molon para pedir mais detalhes sobre o pedido de investigação. Em resposta, a assessoria declarou que as ações estão sendo preparadas, mas não detalhou quando serão enviadas ao TCU e ao MPF.

Ontem, o UOL pediu esclarecimentos ao Ministério das Comunicações, à Presidência da República, ao Ministério do Desenvolvimento Regional e à Presidência da Câmara.

No Twitter, Rogério Marinho, que comanda o Desenvolvimento Regional, informou que os recursos das emendas são de indicação do parlamento, tiveram início em 2019 e eram de conhecimento público.

Marinho também afirma que o senador Humberto Costa (PT-PE) também foi contemplado pelos valores e questionou, de forma irônica: "O senhor participou de algum tratoraço, senador? Pois o senhor teve uma indicação para a compra de máquinas contemplada. E isso não poderia ser diferente."

 


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