03/06/2021 às 19h57min - Atualizada em 03/06/2021 às 19h57min

Defesa pede revogação de prisão de empresário Nilton Costa Lins Júnior, preso em operação da PF em Manaus

Empresário foi um dos presos pela Polícia Federal durante a quarta fase da Operação Sangria e atirou em policiais no momento da prisão.

G1 Amazonas
Foto: Divulgação/Universidade Nilton Lins
 

A defesa do empresário Nilton da Costa Lins Junior informou que entrou com um pedido de revogação da prisão temporária dele na Justiça, nesta quinta-feira (3). Ele foi um dos presos pela Polícia Federal durante a quarta fase da Operação Sangria, que investiga irregularidades no aluguel do complexo hospitalar usado como hospital de campanha, e atirou em policiais no momento da prisão.

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Junto com o secretário de Saúde, Marcellus Campêlo, que também foi preso durante a operação, Nilton da Costa Lins Júnior foi encaminhado ao Centro de Detenção Provisória Masculino II (CDPM II) em Manaus. Inaugurado em 2017, o local recebe presos com curso superior. Os outros presos foram levados para Centro de Detenção Provisória Masculino I

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A advogada de defesa do empresário, Paula Sion, disse ao G1 que o pedido de revogação da prisão temporária de Nilton da Costa Lins Junior foi protocolado com a argumentação de que as diligências da Polícia Federal já foram concluídas e as oitivas foram todas realizadas ainda na quinta-feira (2). Com isto, a defesa acredita que não há mais motivo para a prisão ser mantida.

A defesa de Lins informou que o pedido de revogação da prisão temporária do empresário foi protocolizado de forma digital na ação cautelar do Supremo Tribunal de Justiça (STJ). Sion afirmou ainda que a defesa ainda não teve acesso ao processo.

"Estamos no aguardo da decisão do Ministro Falcão, inclusive sobre a liberação do acesso dos autos da cautelar para a defesa, que não foi facultado até o presente momento", disse a advogada Paula Sion.

Disparos durante prisão

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Nesta quarta-feira (2), o empresário atirou em agentes da Polícia Federal que cumpriam os mandados de prisão durante a operação. Na ocasião, a defesa disse que Lins teria confundido a ação policial com um assalto.

Em nota divulgada pela defesa de Lins, no dia da prisão, os advogados do empresário explicam que, por conta de um roubo sofrido anteriormente em sua residência, ele pensou se tratar de um novo assalto. De acordo com a defesa, ele disparou dois tiros de alerta dentro de casa. Depois, prestou esclarecimentos aos agentes no local. Na casa do empresário, a Polícia Federal apreendeu duas armas, ambas legalizadas.

A advogada Paula Sion informou ao G1, nesta quinta-feira (3), que o ocorrido foi esclarecido ainda na quarta-feira (2), quando a prisão aconteceu. Segundo ela, uma fiança por disparo de arma de fogo foi arbitrada ao empresário. O pagamento, segundo ela, foi feito nesta manhã à Polícia Federal. Não foi informado o valor da fiança.

"Ele efetuou disparos de advertência em momento em que pensava estar sofrendo um assalto. No momento dos disparos ao alto os policiais não tinham adentrado à residência e a perícia do local demonstrou que não houve intenção de agredir quem quer que seja", informou a advogada.

O superintende da PF no Amazonas, Leandro Almada, que comandou a operação, afirmou na quarta-feira que o caso seria analisado. Após perícia no local, os agentes serão ouvidos para verificar se realmente se trata de um engano ou se Nilton da Costa Lins Júnior teve intenção de ferir os policiais.

"Foi feita a perícia técnica no local, foram recolhidas duas armas do local com posse legal para uso. As equipes estavam todas equipadas e todos os policiais com uniformes ostensivos de forma que dava para identificar que se tratava de uma operação", afirmou o superintende da PF no Amazonas, Leandro Almada.

"Se confirmado que ele realmente quis atirar contra os policiais, sabendo já que se tratava de uma operação, pode até responder por tentativa de homicídio contra os policiais. Mas se configurar outra ação, pode responder apenas por disparo de arma de fogo. Tudo vai depender da análise jurídica", disse Almada.

Polícia Federal faz busca na casa do governador do Amazonas

Locação do Hospital Nilton Lins

A ação realizada pela PF apura irregularidades no aluguel do Hospital Nilton Lins, usado como hospital de campanha para combater a Covid-19 no estado durante a pandemia. A operação investiga se funcionários da Secretaria de Estado de Saúde fizeram contratação fraudulenta para favorecer empresários locais, sob orientação da cúpula do governo do Estado.

Sobre as questões apontadas durante a investigação, a advogada de defesa de Lins informou que o empresário esclareceu, durante depoimento à PF, que somente o espaço físico do Complexo hospitalar Nilton Lins foi alugado ao governo em 2020.

Hospital de Nilton Costa Lins, que atirou contra a PF em Manaus, é alvo da Operação Sangria

"O Grupo Nilton Lins nada tem a ver com o contratação de serviços pelo governo para serem exercidos no imóvel e está havendo uma enorme confusão. Já em 2021 não houve contrato algum com o Estado e sim obediência a uma requisição do imóvel e de outros serviços, imposta pelo Estado. O grupo Sequer recebeu qualquer indenização até o presente momento. Então o sentimento dele é de enorme aborrecimento com essa situação, que esperamos ver solucionada em breve", disse a advogada.

Quarta fase da Operação Sangria

Além da prisão do empresário Nilton Lins, foram detidos na operação Sérgio José Silva Chalub, Rafael Garcia da Silveira, Frank Andrey Gomes de Abreu, Carlos Henrique Alecrim John.

O secretário estadual de Saúde, Marcellus Campêlo, foi preso ao desembarcar de um avião, no aeroporto de Manaus, na tarde desta quarta-feira.

Agentes fizeram buscas na casa de Wilson Lima, na sede do governo do Amazonas, na Secretaria de Saúde e na casa de Campêlo. Há, ainda, autorização da Justiça para a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico do governador e do secretário de Saúde.

GOVERNADOR: 'Não há nenhuma prova contra mim', diz Wilson Lima sobre operação da Polícia Federal

Na casa do governador Wilson Lima, do PSC, policiais apreenderam documentos e computadores. Na noite de quarta, Wilson Lima divulgou um vídeo e disse que não há provas contra ele, que não praticou ato de ilegalidade e nem se beneficiou de recursos públicos.

 


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