19/01/2022 às 10h14min - Atualizada em 19/01/2022 às 10h14min

Audiência do caso Robinho dura 30 minutos; jogador aguarda decisão

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Foto: Uol
 

A Corte de Cassação de Roma, última instância da justiça italiana, julga hoje o recurso apresentado pelas defesas de Robinho e Ricardo Falco, condenados a nove anos de prisão por violência sexual de grupo cometida contra uma mulher albanesa numa boate de Milão, em janeiro de 2013. A sentença deve sair ainda hoje, e a decisão é definitiva.

A audiência começou por volta das 6h30 (de Brasília) e durou cerca de 30 minutos. A corte, composta por um colegiado de cinco juízes, sendo quatro homens e uma mulher, julga 28 casos na audiência de hoje. O recurso de Robinho é o primeiro da lista. Somente após ter analisado todos os casos o colegiado se reunirá para emitir a sentença.

 

O italiano Alexander Guttieres, que representa o atacante brasileiro, foi o primeiro a chegar. Ele entrou e, após alguns minutos, voltou à frente do tribunal para falar com os jornalistas. Disse que não comentaria sobre o que seria dito na sessão, mas explicou que para ele o "processo está cheio de falhas", sem especificar quais são.

Advogado de Robinho, Alexander Gutierrez, na entrada na Corte de Cassação Imagem: Janaina Cesar/UOL

"Robinho foi massacrado pela mídia, está sem trabalho e temos certeza de que não é culpado", afirmou. "A mulher tem que ser respeitada, mas a lei aplicada", disse Guttieres.

Em seguida chegaram a vítima e Jacopo Gnocchi, seu advogado. Os dois não quiseram deixar comentários antes da sentença.

No início da audiência, o juiz relator, Aldo Aceto, leu os recursos apresentados e deu a palavra aos advogados.

O advogado de defesa da vítima falou brevemente e deu a palavra para a defesa de Falco, que passou imediatamente aos advogados de Robinho.

Franco Moretti foi quem mais falou. Ele contestou as provas que não foram aceitas em segunda instância, como o dossiê sobre a vida da vítima que continha fotos de suas redes sociais que provariam a conduta da mulher.

O presidente da corte, Luca Ramacci, ainda chamou a atenção de Moretti, que se exaltou durante sua fala ao declarar que a vítima estava "tocando os genitais" de Robinho e dos amigos. "Advogado, estamos na Cassação, por favor", declarou Ramacci.

Por fim, o procurador Stefano Tocci pediu que o recurso seja rejeitado. Agora, a corte irá se reunir em câmara de conselho para tomar uma decisão após analisar os outros 27 casos. A previsão é que a sentença saia até o começo da noite na Itália, fim de tarde no Brasil.

O caso aconteceu em Milão, na boate Sio Cafe, durante a madrugada de 22 de janeiro de 2013. A vítima é uma mulher albanesa que, na época, comemorava seu aniversário de 23 anos. Além de Robinho, que então defendia o Milan, e Ricardo Falco, outros quatro brasileiros foram denunciados por terem participado do ato.

Como já haviam deixado a Itália no decorrer das investigações, não foram avisados da conclusão das investigações e por isso não foram processados —o nome deles é divulgado por causa disso. O caso contra esses quatro brasileiros está suspenso até o momento, mas pode ser reaberto, principalmente se a Corte de Cassação confirmar a condenação de Robinho e Falco.

Robinho admitiu ter mantido relação sexual com a vítima, mas negou as acusações de violência sexual, quando foi interrogado, em 2014. Em entrevista ao UOL Esporte em outubro de 2020, o jogador afirmou que não abusou sexualmente da mulher.

Ele não compareceu a nenhuma das audiências nos quase seis anos de julgamento. O processo, que iniciou em 2016, teve a sentença de primeiro grau proferida em 23 de novembro de 2017. O caso voltou à tona em outubro de 2020 quando o site "Globoesporte.com" publicou trechos de conversas interceptadas pela polícia, nas quais Robinho e os amigos fazem pouco caso da vítima.

"Estou rindo porque não estou nem aí, a mulher estava completamente bêbada, não sabe nem o que aconteceu", escreveu o jogador em uma das conversas.

Em dezembro de 2020, a corte de Apelação de Milão, segunda instância da justiça italiana, em audiência única, confirmou a condenação do atacante e de Falco a nove anos de prisão.

De acordo com a juíza italiana Francesca Vitale, que presidiu o julgamento em segunda instância, "a vítima foi humilhada e usada pelo jogador e seus amigos para satisfazer seus instintos sexuais".

"O fato é extremamente grave pela modalidade, número de pessoas envolvidas e o particular desprezo manifestado no confronto da vítima, que foi brutalmente humilhada e usada para o próprio prazer pessoal", escreveu a magistrada.

A defesa do brasileiro, então, apelou à Corte de Cassação, a terceira e última instância italiana.

Robinho tem 37 anos e foi anunciado pelo Santos em outubro de 2020, mas o clube suspendeu o contrato do jogador depois da pressão causada por imprensa, torcida e patrocinadores por conta da condenação, então em primeira instância.

 


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