12/06/2018 às 10h43min - Atualizada em 12/06/2018 às 10h43min

Navios italianos transferem imigrantes do Aquarius nas próximas horas

Com informações - Agência Brasil
Redação M2 News
Foto: Oscar Corral

Um navio da guarda costeira da Itália e outro da marinha, com funcionários da Ordem de Malta e do Fundo das Nações Unidas para a Infância ( Unicef) a bordo, chegam nas próximas horas desta terça-feira (12) à região onde está o Aquarius para transportar 500 imigrantes para o porto de Valência, na Espanha.

"Nas próximas horas, parte dos imigrantes do navio Aquarius será transferida ao navio Dattilo, da guarda costeira italiana, e a uma embarcação da marinha de guerra, a fim de permitir a transferência das três unidades para o litoral da Espanha, em condições de máxima segurança possível para as pessoas a bordo", diz um comunicado da guarda costeira italiana.

 

O Aquarius, das Organizações Naõ Governamentais (ONGs) SOS Méditerranèe e Médicos Sem Fronteiras (MSF), está a 27 milhas de Malta desde o último sábado, depois que as autoridades italianas e maltesas se recusaram a abrir seus portos. Ontem, a Espanha se ofereceu para receber o navio no porto de Valência.

"O navio, que está em contato permanente com o Centro Nacional de Coordenação de Resgate da Guarda Costeira Marítima em Roma (IMRCC, na sigla em inglês), está sendo supervisionado por navios-patrulha da guarda costeira com profissionais de saúde a bordo, prontos para proporcionar atendimento médico quando for necessário", diz o comunicado.

Esta foi a solução proposta pelas autoridades italianas depois que as ONGs explicaram que era arriscado demais fazer uma viagem de tantos dias em um navio que superou sua capacidade e devido à previsão de uma piora nas condições meteorológicas.

No navio Dattilo da guarda costeira italiana haverá profissionais de saúde do Corpo de Socorro Italiano da Ordem de Malta e funcionários do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) que ficará responsável pelos menores de idade.

No Aquarius há 123 menores não acompanhados, 11 crianças pequenas e sete mulheres grávidas.

"O tempo de navegação estimado é de quatro dias", acrescentou a guarda costeira italiana.

Para garantir a assistência imediata em caso de emergência de caráter sanitário, "durante toda a travessia, todos os centros de coordenação SAR (Busca e Salvamento) dos países em cujas águas passarão os três navios foram alertados", segundo a guarda costeira italiana.

O diretor-geral da Organização Internacional para as Migrações (OIM), William Swing, agradeceu nesta terça-feira à Espanha por receber a embarcação de imigrantes "Aquarius", mas antecipou que haverá graves crises nessa rota marítima se os países se negarem a resgatar este tipo de embarcações.

"Estou feliz que a Espanha tenha dado um passo adiante para acabar com esta crise, mas temo uma tragédia maior se os Estados começam a se negar a resgatar imigrantes ameaçados", disse.

Mediante uma declaração lida por seu porta-voz, Swing sustentou que atuar dessa maneira "não vai fazer com que outros migrantes desistam de tentar chegar à Europa".

Perante a recusa das autoridades da Itália e Malta a permitir que o "Aquarius", que leva a bordo 629 refugiados, atraque em algum de seus portos, o Governo espanhol anunciou que a embarcação poderá atracar em Valência, embora deva demorar de três a quatro dias para chegar até na cidade.

No "Aquarius", com o qual a ONG francesa SOS Méditerranée resgata imigrantes em situação de naufrágio, há sete mulheres grávidas e 120 crianças que viajam sozinhas.

Swing pediu aos países uma reflexão e que entendam que "deter um ou mais embarcações no Mediterrâneo não é uma resposta aos desafios migratórios da Europa, que requer uma política integral e de instituições necessárias para aplicá-la".

O fundamental - acrescentou - é que sejam planejadas oportunidades para combinar um movimento migratório "seguro e ordenado, uma gestão humana das fronteiras e o combate aos traficantes".

Por sua vez, a Agência das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) lembrou que por causa dos fluxos migratórios dos últimos anos no Mediterrâneo e em outros mares do planeta, foi elaborado um guia dirigido aos marujos e capitães com instruções práticas para os resgates "sob um imperativo humanitário".

"O princípio do resgate nunca deve ser colocado em dúvida", disse o porta-voz da organização, Andrej Mahecic.

A Acnur concorda com a OIM que toda a evidência disponível indica que os imigrantes não deixarão de tentar atravessar o Mediterrâneo para a Europa, "independentemente de haver operações de resgate ou não".

Mahecic lembrou que inclusive em um período recente no qual foram suspensas temporariamente todas essas operações, "os botes seguiam saindo do norte da África".

 


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