12/04/2022 às 10h01min - Atualizada em 12/04/2022 às 10h01min

Moro irritado, 3ª via e 'poder da verdade': o debate sobre Brasil nos EUA

Uol
Foto: Arquivo
 

O papel da terceira via nas eleições de 2022 foi um dos temas do Brazil Conference, congresso que ocorreu em Boston (EUA) e foi organizado por alunos brasileiros de Harvard e do MIT (Massachusetts Institute of Technology). O evento sabatinou os presidenciáveis Sergio Moro (União Brasil), Ciro Gomes (PDT), Simone Tebet (MDB), João Doria e Eduardo Leite (ambos do PSDB), e contou com a participação de políticos, empresários, juristas e jornalistas.

Luís Roberto Barroso, ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) e ex-presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), disse ser necessário restabelecer "o poder da verdade" diante do cenário de desinformação no país e mencionou ataques ao sistema eleitoral brasileiro.

 

"No Brasil, houve comício na porta do Quartel General do Exército, pedindo a volta do regime militar, fechamento do Congresso e Supremo. Isso não é natural. Houve manifestação no 7 de setembro e afirmação de descumprimento de decisões judiciais, isso não é natural", declarou.

Durante sua sabatina, o ex-juiz e ex-superministro da Justiça criticou o advogado Augusto de Arruda Botelho por questioná-lo sobre trocas de mensagens reveladas pela 'Vaza Jato'.

"Questionar a integridade dos procuradores e a minha integridade na operação Lava Jato, com todo respeito, eu não concordo. Você está errado em colocar esse assunto", disse Moro ao advogado Augusto de Arruda Botelho.

Botelho, que também é colunista do UOL, rebateu Moro e disse que o ex-juiz foi "quase coautor de crime de falsidade ideológica".

"É uma fantasia que você está construindo. Ninguém foi incriminado com base em prova fraudada na Lava Jato", respondeu Moro.

Ao longo da sabatina, Moro disse defender o fim da reeleição e negou ter sido cúmplice do governo de Jair Bolsonaro (PL).

Se eu fosse realmente um cúmplice dessas coisas erradas do governo Bolsonaro, estaria lá até hoje como ministro da Justiça. Poderia ter virado ainda, se fosse cúmplice maior, um ministro do Supremo Tribunal Federal. Mas eu não me vendo por cargo."
Sergio Moro

Ele acrescentou que deixou seu nome à disposição do União Brasil para uma possível candidatura presidencial, embora sua saída do Podemos e filiação à legenda tenha sido atrelada à desistência da disputa pela Presidência da República.

Ciro Gomes, na sua sabatina, disse que só vai escolher o seu candidato a vice-presidente na mesma chapa em julho. Ele afirmou que a escolha deriva da força que ele tiver na opinião pública.

Ele também criticou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por falas em defesa do aborto.

"Por que o Lula tinha que dar uma declaração estapafúrdia como a que ele deu agora, que todo mundo tem direito a fazer aborto? Que coisa mais simplória para um assunto tão grave. (...) Qual o poder que Lula tem, sendo presidente por 14 anos, ou mandando na Presidência do Brasil, que não resolveu essa questão? Porque ela é insolúvel."

O pedetista acrescentou que o debate das chamadas "pautas de costume" favorece a reeleição de Bolsonaro e que a abordagem da esquerda sobre a temática levou à eleição de nomes como Marcelo Crivella e Wilson Witzel no Rio de Janeiro.

Nosso povo é 'criptorreacionário', crescentemente neopentecostal e profunda e enraizadamente cristão em matéria de costumes. Então, pensa se um político tem o direito de se meter na minha família para me dizer como eu devo tratar um filho gay meu?"
Ciro Gomes

A senadora Simone Tebet declarou que a chamada "terceira via", que reúne os nomes de Doria, Leite e o dela, não pontua nas pesquisas eleitorais por ainda não ter uma candidatura definida e centralizada. Segundo ela, isso explica porque Bolsonaro aparece em segundo nos levantamentos.

O centro democrático não pontua porque não tem nome, não tem rosto. Mas teremos."
Simone Tebet

"Nós começamos com sete pré-candidatos no final do ano. Viramos o ano com cinco. Foram quatro, três. Hoje temos absoluta certeza que o centro democrático estará escolhendo um único candidato para a Presidência da República", declarou.

Presidenciável tucano, João Doria disse ser um "especialista" em romper com as resistências dentro do partido. A mensagem soa como recado às articulações de alguns tucanos, do MDB e da União Brasil por uma chapa com Eduardo Leite e Simone Tebet.

"Em 2016 eu disputei prévias para a prefeitura de São Paulo. A maioria expressiva do PSDB não me queria como candidato", recordou ele. "A minha probabilidade de vencer as prévias era praticamente nenhuma. Vencemos as prévias e depois vencemos as eleições", acrescentou.

Ele também mencionou a candidatura ao governo de São Paulo, em 2018, que não contava com o apoio do próprio governador da época, o então tucano Geraldo Alckmin.

Quando apresentado no evento como possível candidato ou pré-candidato à Presidência, o tucano respondeu: "Estou na pista para negócios".

Leite deixou o governo do Rio Grande do Sul para ficar à disposição do partido mesmo depois de perder as prévias para Doria. Quanto a isso, ele brincou que se candidatará a "alguma coisa".

À medida que estou desempregado vou ser candidato a alguma coisa, nem que seja a uma vaga de emprego."
Eduardo Leite

Outros palestrantes também responderam questionamentos e deram declarações sobre as eleições de 2022. 


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