18/04/2022 às 13h02min - Atualizada em 18/04/2022 às 13h02min

Simone Tebet rejeita vice, defende Temer e fica em cima do muro sobre Lava Jato

Folha/UOL
Foto: Reprodução
 

Pré-candidata à Presidência, a senadora Simone Tebet (MDB-MS) rejeitou a vaga de vice numa eventual chapa que reúna os partidos da chamada terceira via. A parlamentar participou nesta segunda-feira (18) de sabatina promovida pela Folha e pelo UOL.

"Não sou candidata à Vice-Presidência. Ao abrir mão da pré-candidatura e aceitar o papel de vice eu estaria diminuindo o espaço das mulheres na política. Se eu não pontuar a ponto de ser cabeça de chapa, não vou ajudar sendo vice. Vou estar nesse palanque como cabo eleitoral", afirmou.

Tebet voltou a dizer que o nome desse centro na disputa pelo Planalto será anunciado até o dia 18 de maio e descartou a possibilidade de o MDB lançar uma candidatura própria avulsa. "A pré-candidatura terá rosto, nome e sobrenome. Antes disso, nada pode ser feito nem cobrado", afirmou.

Os partidos União Brasil, MDB, PSDB e Cidadania afirmaram no começo deste mês que irão anunciar nessa data quem representará uma candidatura única das quatro siglas à Presidência da República neste ano.

Ainda na sabatina, a parlamentar defendeu o ex-presidente Michel Temer (MDB) e o seu governo e afirmou ainda ele tem atuado como conselheiro.

"O ex-presidente Temer é um bom conselheiro, tem dado orientações. Na campanha, pode atuar como alguém que articula, que tem experiência para resolver problemas. Não vamos esquecer da sua boa gestão", continuou.

Tebet também minimizou as críticas que recebe de sua candidatura por lideranças do MDB. Em jantar com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no último dia 11 em Brasília, um grupo de caciques da legenda fritou a candidatura da parlamentar.

O jantar ocorreu na casa do ex-presidente do Senado Eunício Oliveira (MDB-CE). Também participaram os senadores Renan Calheiros (MDB-AL), Marcelo Castro (MDB-PI) e Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB), além de parlamentares de outros partidos.

Integrantes do MDB fizeram uma comparação entre a senadora e o ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles em 2018, que representou o partido na disputa presidencial e acabou o pleito com 1,2%.

​Segundo ela, não é possível esperar unanimidade no partido, mas afirmou que haverá "unidade na convenção partidária". "Não estou negando as dificuldades dentro do partido. Se fosse fácil, não me chamariam. O maior partido do país não pode ficar inerte nem a reboque de qualquer um que seja."

Ela disse ainda que a legenda não tem condições de escolher apoiar o ex-presidente Lula ou o presidente Bolsonaro. "O MDB vai entrar numa fragmentação se não tiver candidatura única."

Tebet também afirmou que sua candidatura é "muito diferente" da de Meirelles, que "era candidato de si próprio". "Eu fui chamada pelo partido, a maioria absoluta dos diretórios quer candidatura própria. O MDB tem condições de liderar essa frente. Não sou candidata de mim mesma", continuou.

"O que fez o MDB encolher não foi a candidatura própria [de Meirelles], foram denúncias gravíssimas de corrupção que depois foram, ao longo do tempo, se comprovando que não eram verdadeiras", continuou.

Ela disse ainda que reconhece que a legenda tem "virtudes e defeitos" e que lutou contra o fisiologismo dentro do MDB.

E afirmou que, caso vença as eleições, irá fazer "tudo diferente". "Como presidir sem o centrão? Basta, com uma única canetada, você dar transparência ao Orçamento, para ver para onde estão indo os recursos. E aí você traz o Orçamento para a mão do Executivo."

A senadora afirmou ainda que não votou no segundo turno das eleições de 2018 em Bolsonaro —mas não declarou o seu voto. E fez críticas ao ex-presidente Lula e ao presidente Bolsonaro ao longo da sabatina.

"Voltar ao passado neste momento ou permanecer no presente, a meu ver, não é uma opção saudável para o povo brasileiro. Tenho convicção que o centro democrático tem condições de chegar no segundo turno."

A parlamentar também disse que não se arrepende de ter votado pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), que votaria a favor de um eventual pedido de impedimento contra o presidente Jair Bolsonaro (PL) e que defende uma atualização da lei de crime de responsabilidade no Brasil.

Tebet afirmou que é feminista e que não ataca nenhuma pauta que o movimento defende —mas que pode não concordar com algumas delas. "O feminismo que eu acredito é o que luta pelos seus direitos compreendendo quem pensa diferente e vice-versa."

Ao ser questionada sobre a legalização do aborto, por exemplo, a parlamentar afirmou que é contra, com exceção aos casos que são previstos na Constituição.

"Embora o Estado seja laico, eu sou cristã e não abro mão disso. Não tem como separar as duas coisas. É um assunto complexo e que não pode ser tabu. É preciso ser discutido com seriedade, e não a cada quatro anos na campanha eleitoral."

Ao ser questionada sobre a Lava Jato, a senadora ficou em cima do muro —não defendeu, nem criticou. "Não fico nem a favor nem contra a questão da Lava Jato. Ela cumpriu um papel importante, escancarou verdadeiros escândalos de corrupção, não adianta o PT dizer que não houve", afirmou.

Por outro lado, diz que houve "excessos do rito processual". "Não tenho dúvida nenhuma disso. Tenho um bom relacionamento com o [ex-juiz Sergio] Moro e quero acreditar que houve boa-fé. Mas aí tem que perguntar para ele, para os membros do Ministério Público, do Judiciário, para ver se houve má-fé ou boa-fé", continuou.

A última pesquisa Datafolha, divulgada em 24 de março, mostra Lula com 43% das intenções de voto, contra 26% de Bolsonaro, 8% de Moro, 6% de Ciro, 2% de Doria (PSDB) e Janones (Avante) e 1% de Simone Tebet (MDB), Vera Lúcia (PSTU) e Felipe d'Ávila (Novo). Moro não é mais pré-candidato ao Planalto.

 


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