01/02/2019 às 18h49min - Atualizada em 01/02/2019 às 18h49min

Braga e Vanessa são denunciados por ‘caixa 3’

A acusação é de mascaramento de doações de campanha que eram da Odebrecht com intermédio do grupo Petrópolis

Com informações - Estadão Conteúdo
Redação M2 News
Foto: Reprodução

Um dia após ser escolhido como líder do MDB no Senado, o senador Eduardo Braga (MDB-AM) foi denunciado junto com a ex-senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), pela Procuradoria-Geral da República (PGR), pela prática do chamado “caixa 3” nas eleições de 2012, quando a então senadora foi candidata à Prefeitura de Manaus. A acusação é de mascaramento de doações de campanha que eram da Odebrecht, mas oficialmente foram feitas por outra empresa interposta, a Praiamar, do Grupo Pretrópolis. Inserir informações falsas na prestação de contas é crime eleitoral.

Os registros do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas das eleições em 2012 apontam doações da empresa Praiamar no valor de R$ 1,650 milhão ao diretório municipal do PMDB (atual MDB) em Manaus, presidido na época por Eduardo Braga, e de R$ 700 mil à campanha de Vanessa Grazziotin. Na acusação, a procuradora-geral Raquel Dodge afirma que as doações “foram feitas pela empresa Praiamar com o objetivo de dissimular a real origem dos valores advindos da Odebrecht”.

Também foram denunciados Roberto Luiz Ramos Fontes Lopes, Walter Faria, Fernando Luiz Ayres da Cunha Santos Reis e Eduardo José Mortani Barbosa. A PGR pede o pagamento de indenização por dano moral no valor de R$ 2,350 milhões, mesmo valor doado pela Odebrecht.

Um dos delatores do grupo Odebrecht, Fernando Ayres Reis revelou um encontro com Grazziotin em Manaus, em agosto de 2012, no qual ficou acertado o repasse de R$ 1,5 milhão pela construtora. Segundo a PGR, Reis autorizou que a empresa Odebrecht Ambiental utilizasse o Setor de Operações Estruturadas da construtora – o “departamento da propina” – para a liberação do valor destinado à então senadora.

Segundo a acusação, no entanto, foram repassados R$ 2,350 milhões pela empresa Praiamar, do Grupo Petrópolis, de propriedade do empresário Walter Faria. O pagamento aparece no Sistema Drousys, da Odebrecht, registrado com a alcunha “ELA” – que seria referência a Vanessa Grazziotin.

A PGR concluiu que parte do valor foi para o PMDB local. Naquela eleição, Grazziotin teve o apoio do PMDB em umm acordo costurado com Eduardo Braga, líder da legenda no Amazonas.

O inquérito foi aberto em abril de 2017 junto com outras 75 investigações originadas dos acordos de colaboração da Odebrecht – a chamada Lista de Fachin, revelada pelo Estado.

A ex-senadora Vanessa Grazziotin não atendeu aos contatos da reportagem e a assessoria de imprensa da senadora não foi localizada. 

Em nota oficial, a defesa do senador Eduardo Braga disse que ele não tem nenhuma responsabilidade sobre a prestação de contas da então candidata Vanessa Grazziotin ou de qualquer outro candidato no pleito municipal de 2012. Segundo a nota, ele não era candidato na época e não solicitou doações em favor de nenhuma candidatura. Não tratou de financiamento eleitoral com nenhuma empresa ou pessoa física. 

“Esses fatos foram devidamente esclarecidos no inquérito policial em que o senador Eduardo Braga foi ouvido como simples testemunha. O inquérito, aliás, nem chegou a ser concluído. Por isso, a medida da Procuradoria-Geral da República (PGR) é precipitada e profundamente injusta no tocante ao senador Eduardo Braga. Além disso, não encontra apoio em nenhum elemento de informação constante dos autos do inquérito conduzido pela Polícia Federal”, diz a defesa.


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