28/03/2019 às 13h31min - Atualizada em 28/03/2019 às 13h31min

Pesquisa com apoio da Fapeam pode pode auxiliar no diagnóstico da Doença de Chagas Crônica

Os exames imunológicos são utilizados para detectar doenças infecciosas

Redação M2
Foto: Divulgação/Fapeam



Pesquisa científica apoiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) tem o intuito de desenvolver em laboratório testes imunológicos, in house, para o diagnóstico sorológico da Doença de Chagas Crônica, utilizando linhagens de Trypanosoma cruzi, agente etiológico da enfermidade, circulantes no Estado.

A intenção é produzir um kit de teste imunológico in house, que significa em casa (no laboratório), considerando que a matéria-prima, ou seja, a linhagem do parasito circulante na região foi isolado, pelos pesquisadores, e conservado para os ensaios.

A pesquisa é desenvolvida nos laboratórios de entomologia da Fundação de Medicina Tropical, Dr.Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD), por meio do Programa de Apoio à Pesquisa (Universal Amazonas), edital N°002/2018, e envolve alunos de mestrado e doutorado em doenças tropicais e infecciosas, do programa de Pós-graduação em Medicina Tropical da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) que funciona em parceria com a FMT-HVD.

Sobre a Doença de Chagas - A coordenadora do projeto, Maria das Graças Vale Barbosa Guerra, explica que a Doença de Chagas é uma enfermidade infecto-parasitária, causada pelo protozoário T. cruzi, encontrado nas fezes de insetos conhecidos como barbeiros. A doença se manifesta em duas formas clínicas, uma fase aguda e uma fase crônica.

Nas duas fases pode haver manifestação ou não de sintomas clínicos. Quando há manifestação na fase aguda os sintomas podem ser febre, miocardites, mialgia (dor muscular), e na fase crônica problemas cardíacos e digestivos são os mais frequentes.

“Se houver o surgimento de sintomas no início da doença, a pessoa pode ser diagnosticada e tratada. Porém, se não houver sintomas e passado o tempo que caracteriza a fase aguda da doença (oito semanas), a pessoa infectada pode se tornar portadora da doença crônica, sem saber, pois pode continuar assintomática, e ser diagnosticada eventualmente ou quando já estiver com comprometimentos sérios, principalmente, cardíacos”, explicou.

Por esse motivo, Maria das Graças explica que o diagnóstico precoce é altamente recomendado para que o tratamento seja realizado o quanto antes, visando a redução das graves consequências que a infecção pelo T. cruzi pode causar em longo prazo. A identificação deve basear-se em uma combinação de resultados, incluindo exames laboratoriais, o histórico clínico e epidemiológico, a detecção do parasito e/ou a realização de testes sorológicos.

Método - Para a pesquisadora, de maneira geral, há uma grande dificuldade no diagnóstico da Doença de Chagas Crônica, principalmente, porque os testes para o diagnóstico sorológicos disponíveis no mercado, não apresentam boa sensibilidade, particularmente para nossa região, em razão de diferentes fatores, entre eles, o fato de que os testes comerciais não utilizam em seus protocolos as mesmas linhagens de T. cruzi encontradas na Amazônia e particularmente no Estado.

“O nosso objetivo é obtermos antígenos de isolados de T. cruzi conservados em nosso laboratório para utilizá-los em testes imunológicos, buscando detectar maior sensibilidade no teste, com perspectivas de melhorar o diagnóstico da Doença de Chagas Crônica no Estado”, disse.

Segundo Maria das Graças, o grupo de trabalho obteve 28 diferentes extratos de antígenos utilizando os isolados de T. cruzi encontrados no Amazonas. Essas substâncias já foram avaliadas pelo método de ELISA in house, e na próxima fase esses antígenos serão submetidos a testes mais específicos para avaliar as atividades e a sensibilidade desses testes.

Doença negligenciada - A pesquisadora destaca a importância de validar o estudo sobre o tema porque a Doença de Chagas é uma doença negligenciada que afeta entre 6-7 milhões de pessoas no mundo, sendo 1.6 milhão no Brasil.

“Hoje a Amazônia é a região responsável pelo maior número de casos da doença na sua forma aguda principalmente em surtos associados ao consumo do açaí (nos casos em que o fruto esteja contaminado pelo T. cruzi a partir das fezes de barbeiros silvestres) um importante alimento que faz parte da dieta nutricional da população”, disse. 

Transmissão - Existem diferentes formas de transmissão, ou contaminação do homem pelo T. cruzi. A forma de transmissão clássica é a vetorial, transmitida pelo contato com as fezes de insetos triatomíneos infectados, conhecidos também como barbeiros. No entanto, existem outras formas de transmissão, como a vertical (congênita – da mãe para o bebê), por transfusão de sangue ou transplantes de órgãos contaminados, acidentes laboratoriais e a forma oral, que tem sido reportada frequente na Amazônia associada ao consumo de frutos como o açaí e a bacaba contaminados.

De acordo com Maria das Graças, atualmente os barbeiros estão sendo encontrados cada vez mais com frequência dentro de casas e apartamentos, construídos próximos a áreas de floresta fragmentadas, em diferentes áreas dentro de Manaus, sejam urbanas, periurbanas ou rurais, e isso vulnerabiliza a população porque possibilita o contato desses insetos com as pessoas, na medida em que não conhecendo a dinâmica de transmissão da doença, muitas vezes matam os barbeiros esmagando-os. Nesse caso, se o barbeiro estiver infectado, podem ter contado com as fezes do parasito e se infectar. 

Doença de Chagas no Amazonas - De acordo com a Fundação de Vigilância em Saúde (FVS) em 2017 foram notificados nove (9) casos da Doença de Chagas no estado do Amazonas contra 32 em 2018. E entre anos de 2011 e 2018 foram notificados 96 casos da Doença de Chagas no Amazonas. 


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