03/10/2017 às 18h53min - Atualizada em 03/10/2017 às 18h53min

Jucá cobra da tribuna reação do Senado contra STF no caso Aécio

Senador saiu de hospital em Boa Vista direto para Brasília para tentar barrar afastamento de Aécio Neves

Felipe Frazão e Thiago Faria / AE
 

Depois de uma crise de diverticulite, o senador Romero Jucá (PMDB-RR), líder do governo no Senado, usou seu discurso na tribuna nesta terça-feira, 3, para defender que o plenário reverta decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que afastou do mandato o senador Aécio Neves (PSDB-MG) e determinou seu recolhimento domiciliar noturno.

O senador deixou registrado um voto simbólico contra a decisão do Supremo e disse que iria viajar para São Paulo para continuar seu tratamento, já que estava "há dois dias acamado". "Essa Casa tem obrigação de passar a limpo. Espero que essa Casa se dê ao respeito."

Jucá disse que o Supremo não pode buscar "jeitinho" ao julgar a ação direta de inconstitucionalidade sobre medidas cautelares contra parlamentares, agendada para ir ao pleno da corte no dia 11 de outubro. O líder do governo afirmou que há um movimento para "anestesiar" os senadores, mas que não se pode agir com "covardia" nem "leniência" no caso.

O líder do governo também aproveitou para fustigar o ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que pediu a abertura de inquérito contra ele, o ex-presidente José Sarney, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) e o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado por formação de quadrilha.

Jucá disse que o procurador buscava um terceiro mandato no cargo, almejava "virar presidente da República" e que tinha como alvos o PSDB e o PMDB. Ele pregou que o Senado investigue as ações de Janot.

"Essa Casa tem a obrigação de passar a limpo. Era um golpe, tentando acabar a classe política, os partidos, o governo, numa loucura, num sonho ensandecido: ter o terceiro mandato de procurador e ser presidente da República. Esse era o projeto (de Janot). Ridículo quando a gente fala assim. Tanto estrago fez em tantas pessoas", afirmou o senador.

"Eu queria estancar a sangria mesmo. Era a sangria da Dilma", disse em referência à frase interpretada pelos investigadores como uma afronta à continuidade da Operação Lava Jato. "O Rodrigo Janot teve que engolir a sangria, teve que engolir as opiniões, as agressões, os absurdos, e teve que botar aquela assinatura canalha num pedido de arquivamento da ação contra nós "

Jucá reclamou que no ano passado ele, o ex-presidente da Casa Renan Calheiros (PMDB-AL) e o ex-presidente da República José Sarney foram alvos de "achincalhe" e que ninguém saiu em defesa deles. Disse que os julgadores votam atualmente orientados pela "turba eletrônica".

Apoiaram a manifestação os senadores Fernando Collor (PTC-AL) e Renan Calheiros (PMDB-AL), ambos alvos da Lava Jato e também a favor da votação nesta terça. Collor acusou os ex-procuradores-gerais Rodrigo Janot e Roberto Gurgel, respectivamente, de "calhorda" e "chantagista".

 

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