13/06/2017 às 17h21min - Atualizada em 13/06/2017 às 17h45min

Revitalizado, Centro de Manaus volta a ser tomado por ambulantes.

Só no Centro da capital foram investidos mais de R$13 milhões para retirar camelôs das ruas.

Mário Marinho - M2News

Não precisa andar muito pelas ruas do Centro de Manaus para notar que os vendedores ambulantes ainda continuam no local. Até aí tudo bem, afinal toda grande cidade tem camelôs pelas ruas. Mas em Manaus, um grande projeto de requalificação, nomenclatura usada pela prefeitura da capital, começou a ser implantado desde 2013, início do primeiro mandato do governo tucano. Acontece que apesar dos esforços, campanhas publicitárias e um investimento de R$ 13.592.241,30 só na construção das Galerias Populares Espírito Santo e dos Remédios,   e a promessa de melhorar a circulação de pedestres naquela área, o Centro volta a ser tomado por camelôs. E agora,  parte desses ambulantes, é formada por haitianos, venezuelanos e imigrantes vindos de outros países da América do Sul, mas os brasileiros são maioria. 

Uma das principais Avenidas de Manaus, a Eduardo Ribeiro, é o grande ponto de concentração de ambulantes. A maioria de produtos oferecidos é de eletroeletrônicos, mas é fácil conseguir óculos, camisetas e chipes de diversas operadoras de celular. Em frete da maior loja de departamentos do Estado, ambulantes oferecem livremente aparelhos celulares sem procedência. "Compro e vendo celular. Chip de todas as operadoras é só R$ 10,00" , gritava na manhã desta terça-feira, 13, Francisco Loureiro, 25, que vende esses produtos no local. Segundo vendedor, o grande problema seria a falta do movimento de compradores nas atuais galerias. "Minha mãe até ganhou uma loja na Galeria Espírito Santo, mas o movimento lá é muito fraco. Tem dias em que não vendemos R$1,00. O jeito é vir pra cá", afirmou o vendedor.

Nas ruas é possível ver ficais da prefeitura de Manaus, mas também é muito difícil vê-los pedir para os vendedores retirarem as mercadorias das calçadas. Um dos fiscais, que preferiu não se identificar, disse que não pode fazer muito. "Nosso efetivo é muito pouco. Não dá pra impedir que eles (os camelôs) coloquem seus produtos aqui. É um trabalho de enxugar gelo", afirmou o fiscal.

Na galeria Espirito Santo, localizada no cruzamento das Ruas 24 de Maio com Joaquim Sarmento, algumas lojas estão fechadas. A maioria dos vendedores sai de lá e vai vender nas ruas próximas ao local. Segundo Paula Alves, 56, proprietária de uma das lojas da galeria, o fato é de conhecimento dos administradores do projeto. Segundo ela, os lojistas já pediram ajuda à Prefeitura de Manaus, para resolver o problema das lojas fechadas e até mesmo de camelôs às ruas do Centro. "Já pedimos aos secretários. Mas infelizmente nada foi feito até hoje. Agora o que vemos são vendedores lá na Eduardo Ribeiro. Depois das 18h é ainda pior, é tanto carrinho nas ruas que às vezes não tem nem como andar", disse a vendedora.

No começo da noite vendedores de frutas e verduras se concentram em frente aos supermercados da região e nas proximidades dos terminais de ônibus. Jovanca Augustine, 48, é haitiana. Todos os dias ela sai de casa e se junta aos colegas brasileiros para vender frutas e verduras em um carrinho de mão adaptado. Ela diz que não encontrou dificuldades para conseguir se instalar na área. “Não é difícil. Comprei o carrinho e com um pouco de dinheiro que tinha comecei a comprar frutas e verduras aqui na feira Manaus Moderna e coloquei para vender”, explicou, de maneira tímida a vendedora ambulante. Questionada se existe alguma autorização para vender ali, ela disse apenas que o sindicato sabe.

 
Sindicato cobra mais fiscais, mas emite crachá liberando venda para alguns ambulantes.


Procurado pelo M2News o presidente do Sindicato do Comércio de Vendedores Ambulantes de Manaus (Sincovam), José Assis, negou que o sindicado conceda permissão para venda de frutas e verduras na cidade. “Esses vendedores, estrangeiros, não possuem autorização nossa para estarem ali. Nós, do sindicato, concedemos apenas 40 autorizações para vendas de água e refrigerantes. Essas autorizações são para aqueles vendedores que ainda não foram contemplados com o projeto das galerias”, explicou Assis.

Sobre a ida de vendedores das galerias para ruas do Centro, Assis afirmou que o Sincovam não apoia e que busca melhorias para o projeto. “Hoje nós estamos tentando fazer com que as galerias possam ser pontos de concentrações de consumidores. O que eu posso garantir é que nenhum vendedor que está fora das galerias tem nossa autorização para vender na rua”, disse.
Já sobre a concentração de camelôs em pequenas bancas e sobre a venda de celulares na Avenida Eduardo Ribeiro, o presidente afirmou que falta fiscalização do poder público. “Infelizmente falta fiscalização. Muitas das vezes existe omissão dos fiscais, mas isso quem precisa resolver é o poder concedente”, conclui José Assis.

 

Prefeitura admite que número de fiscais é insuficiente 

Em nota enviada ao M2News a Subsecretaria Municipal de Abastecimento Mercados e Feiras (Subsempab) informou que atua constantemente na fiscalização, mas que o número de ambulantes é muito superior ao efetivo de 6 fiscais que trabalham no Centro. Isso, segundo a própria secretaria, facilita a venda ilegal naquela área da cidade. Sobre os haitianos e outros entrangeiros que vendem na área central, a prefeitura de Manaus informou que pretende criar uma Feira para abrigar imigrantes e já estaria conversando com estrangeiros interessados. O local para funcionamento dessa feira está sendo procurado.
 
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