02/07/2019 às 14h25min - Atualizada em 02/07/2019 às 14h25min

Dia Nacional do Bombeiro, conheça algumas histórias dos bombeiros militares amazonenses

FOTOS: Divulgação/CBMAM
Com a chegada da Família Imperial ao Rio de Janeiro, em 1808, muita coisa mudou no Brasil, principalmente na estruturação dos serviços essenciais. No dia 2 de julho de 1856, o Corpo Provisório de Bombeiros da Corte foi criado no Rio de Janeiro. A partir de então, o serviço de combate às chamas se expandiu para os lugares mais distantes do país, carregando consigo a filosofia que seria defendida por cada nova corporação: “Vida alheia e riquezas salvar”.

Nesse contexto, o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) reúne as mais diversas ocorrências atendidas pelos bombeiros militares: são os amigos certos nas horas incertas.

Dentre elas, histórias como a do subtenente BM Alfredo Martins Barroso, de 47 anos. Bombeiro referência em salvamento em altura no Amazonas, ele completou 28 anos de serviços prestados para a corporação em 2019.

“Vim do interior atrás de emprego e prestei concurso para a Polícia Militar em 1991. Fui aprovado e iniciei a academia da Polícia Militar pensando na oportunidade de trabalhar nas ocorrências de incêndio. Nessa época, os policiais executavam a função de bombeiros. Fui para o 1º Grupamento de Incêndio (1º GI) e, durante uma instrução, com o tenente Serafim, eu me identifiquei com o salvamento em altura. O equipamento era muito antigo. Cabo da vida, freio oito, mosquetões, cinto de couro, o capacete era parecido com os antigos capacetes de motociclistas”, relembra o subtenente.
 
Em 2001, Barroso teve a oportunidade de fazer o curso de salvamento em altura no Corpo de Bombeiros Militar do Espírito Santo, um dos estados-referência nesse tipo de resgate. Ele relembra ocorrências que marcaram sua carreira no CBMAM.

“Tive duas ocorrências marcantes na minha vida como bombeiro. Na primeira, uma das primeiras ocorrências de salvamento em altura em que atuei, um rapaz estava trabalhando na ornamentação de uma festa junina no Ginásio Ninimberg Guerra, no bairro São Jorge. Era à tarde, estava muito quente e, pelo desgaste físico, ele não conseguiu descer sozinho. A subida foi tão trabalhosa, mas consegui tirá-lo de lá com segurança. A segunda foi em 2001, quando um lanche próximo à Igreja dos Remédios pegou fogo. No mesmo local havia quitinetes alugadas, e uma senhora com o filho, ambos presos. Desci em meio à fumaça e procurei por eles, e quando cheguei no quarto em que eles estavam presos, o menino comemorou: ‘Olha, mamãe! Chegou o bombeiro! Ele veio nos salvar’. Nunca saiu de minha memória. É por momentos como esse que sinto que fiz a escolha certa. Tenho muito amor por minha profissão”, conta o subtenente.
 
Outra história de destaque é a do comandante do Batalhão de Bombeiros Especial (BBE), o major BM Ricardo Rocha. Bombeiro mergulhador e instrutor de mergulho, ele decidiu desde jovem por uma profissão que envolvesse o atual oficio.

“Aos 12 anos, decidi que eu seria militar e, à medida em que as oportunidades foram surgindo, fui conquistando meu espaço. Ingressei na Polícia Militar, depois fui para o Exército Brasileiro, onde fui sargento, e lá tomei conhecimento do concurso para o Corpo de Bombeiros. Decidi fazer a prova para compor o quadro de oficiais combatentes. Fui aprovado e, durante a formação de oficial, me identifiquei com o treinamento e as operações de mergulho. Após a academia, fiz o curso de mergulhador autônomo”, afirmou o oficial.
 
O Bombeiro destaca um trabalho de resgate de vítimas em meio líquido. “É um trabalho difícil pois, além dos desafios característicos da nossa região – como águas escuras e barrentas, que dificultam a visibilidade –, ainda tem o trabalho de autocontrole”, conta ele.

Nos 14 anos em que vem atuando como bombeiro militar, o major BM Rocha vivenciou muitas ocorrências marcantes. “Uma das mais difíceis foi a queda de uma aeronave no rio, em 2008, nas proximidades do município de Manacapuru. Havia 30 pessoas no avião, todas mortas. Tivemos que tirá-las uma a uma, algumas estavam abraçadas, outros ainda segurando as poltronas. É trabalho doloroso, porque mexe com a parte sensível das pessoas, o conforto de ao menos poder enterrar seu ente querido”, diz.

Apesar de momentos como esse, o bombeiro mergulhador se diz “realizado como pessoa” graças à profissão que escolheu. “Sempre quis fazer algo útil pelas pessoas. Servir o próximo, esse é o nosso ofício todos os dias. Meus pais admiram meu trabalho. Minha mãe tem pavor, está sempre preocupada. Meu pai gosta de me ouvir relembrando as ocorrências”.


 
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