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09/09/2019 às 13h42min - Atualizada em 09/09/2019 às 13h51min

No Brasil, ao contrário do mundo, o suicídio cresce estrondosamente

No Brasil, ao contrário do que acontece no mundo houve um aumento de suicídios. A taxa entre adolescentes que vivem nas grandes cidades brasileiras aumentou 24% entre 2006 e 2015, informa pesquisa da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

Redação M2
DINO

Todo suicídio é uma tragédia e sua causa um mistério. Suicídio é resultado de um profundo sentimento de desesperança e a inabilidade de ver soluções para problemas ou lidar com circunstâncias desafiadoras da vida. Potencial suicidas, podem se ver tirando a própria vida como a única solução possível.

Estatisticamente, o suicídio ocorre com maior frequência entre pessoas de 45 a 54 anos. As mulheres são mais propensas que os homens a tentarem suicídio; os homens são mais propensos que as mulheres a concluir o ato. O suicídio é uma questão de saúde pública, que leva 32 brasileiros por dia, mais do que o HIV ou muitos tipos de câncer, por exemplo. Assim, se o suicídio é prevenível em 90% dos casos, como aponta a Organização Mundial da Saúde, é preciso saber como preveni-lo e isso só se sabe com informação e conhecimento.

No Brasil, ao contrário do que acontece no mundo houve um aumento de suicídios. A taxa entre adolescentes que vivem nas grandes cidades brasileiras aumentou 24% entre 2006 e 2015, informa pesquisa da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). O estudo, publicado na Revista Brasileira de Psiquiatria, indica que o suicídio é até três vezes maior entre jovens do sexo masculino. Os sete pesquisadores da Unifesp utilizaram dados do SUS (Sistema Único de Saúde), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e do Coeficiente Gini (que mede desigualdade) para chegar às conclusões. Eles apontam a popularização da internet, as mudanças sociais no país e a falta de políticas públicas de combate ao suicídio como as principais razões para esse aumento.

De acordo com o estudo, a taxa entre jovens entre 10 e 19 anos aumentou 24% nas seis maiores cidades brasileiras: Porto Alegre, Recife, Salvador, Belo Horizonte, São Paulo e Rio de Janeiro, enquanto cresceu 13% no interior do país. O aumento contrasta com a evolução dos índices de suicídios no resto do mundo, que caíram 17% no mesmo período. "Estamos na contramão", avalia Elson Azevedo, um dos autores do estudo e psiquiatra da EPM (Escola Paulista de Medicina) da Unifesp. "Em 2013, a OMS (Organização Mundial de Saúde) definiu como imperativo global que seus signatários reduzissem essas taxas em até 10% até 2020."

Por aqui, a cidade com maior taxa de suicídio é Belo Horizonte: 3,13 para cada 100 mil habitantes em 2015. É seguido por Porto Alegre (2,93), São Paulo (2,44), Rio de Janeiro (1,52), Recife (1,23) e Salvador (0,23). Na média, o aumento do índice foi de 24%, ao subir de 1,60 para 1,99 entre 2006 e 2015. Ao todo, 20.445 adolescentes tiraram a própria vida naquele ano.

A depressão é a chave e o fator de risco para o suicídio, outros incluem desordens psiquiátricas, uso de substâncias, pânico crônico e histórico familiar de suicídio. Aqueles que falam sobre ser um fardo para os outros, não ter motivos para viver, sentir-se preso ou sentir uma dor insuportável também pode estar contemplando o suicídio. Há muitos mitos sobre o suicídio, e um dos erros mais consideráveis é a crença de que falar sobre o assunto incentiva o ato. Iniciar uma conversa é essencial e salva vidas.  Falar é a melhor solução!

A psicóloga Neiva Gonçalves fundadora da Success People — empresa de gestão de pessoas, localizada em São Paulo e que atende todo o território nacional — apontou em uma palestra recente: “Quando encontramos alguém que pensa em suicídio, nos sentimos impotentes e muitas vezes acreditamos que não há como intervir, ou que não sabemos lidar com a situação. Ao contrário do que o senso comum tende a reproduzir, existem diversas maneiras de auxiliar essa pessoa. Primeiro, é importante dialogar com a pessoa que está sofrendo demonstrando respeito, empatia e compreensão. Procurar saber como a pessoa está, o que tem feito ultimamente, como está se sentindo. O foco da conversa deve ser o outro, portanto, não é recomendável: falar muito sobre si mesmo”.

Oferecer soluções simples para os problemas que a pessoa relatar e desmerecer o que ela sente, nunca é recomendável. Caso a pessoa se sinta à vontade para compartilhar o seu sofrimento, não é indicado rechaçar (“Credo, isso é pecado!”), esboçar expressões de choque (“Não acredito que você tá pensando nisso!”) e reprimir, caso o choro venha (“Pra que chorar? Você sempre teve tudo do bom e do melhor!”). A escuta que realmente consiste em ouvir e compreender o que o outro diz é o mais indicado. Ofereça suporte e se mostre à disposição.

Essa conversa pode ter melhores resultados se for feita em um lugar tranquilo e sem pressa. Seja direto, faça perguntas como:

· Como você está lidando com seus desafios?

· Você está pensando em se machucar?

· Você está pensando em morrer?

· Você está pensando em suicídio?

· Você elaborou um plano para tirar a própria vida?

Casos em que a pessoa parece estar decidida em tirar a vida, é primordial que ela não seja deixada sozinha. Podem ser contatados os serviços de saúde mental, familiares e amigos. Pode ser necessário que ela fique em um ambiente seguro, sendo auxiliada por um profissional. Se você perceber que a pessoa não se sente à vontade para se abrir, deixe claro que você estará disponível para conversar em outras oportunidades. Você também pode indicar os serviços oferecidos pelo CVV, O Centro de Valorização da Vida disponível em www.cvv.org.br, que trabalha para promover o bem-estar das pessoas e prevenir o suicídio, em total sigilo, 24h por dia. 

Precisamos nos informar e reconhecer os sinais, diferenciar mitos e verdades, ouvir profissionais e ter acesso a formas de apoio, como o próprio CVV. Se você precisa falar sobre o assunto ou gostaria de agendar uma palestra podemos auxiliá-lo em:

 



 
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