25/03/2020 às 11h06min - Atualizada em 25/03/2020 às 11h06min

Diretor da OMS responde a Bolsonaro: "UTIs estão lotadas em muitos países"

Redação M2
Jamil Chade/UOL
Diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, durante entrevista coletiva em Genebra

Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, mandou uma resposta direta ao presidente Jair Bolsonaro, que insistiu em qualificar o coronavírus como uma "gripezinha".

Questionado pela coluna sobre qual mensagem ele passaria para o presidente brasileiro, o africano que lidera a agência de Saúde foi claro em contestar sua posição.


"Em muitos países, as UTIs estão lotadas e essa é uma doença muito séria", declarou Tedros.


O tom usado pelo presidente Jair Bolsonaro em sua mensagem ao país na noite de terça-feira sobre o coronavírus deixou entidades internacionais perplexas e preocupadas com o destino de milhares de pessoas.


Em sua fala, Bolsonaro questionou alguns dos pilares martelados desde janeiro pela OMS para tentar frear a pandemia. Ele colocou em xeque o distanciamento social e o fechamento de escolas. Mas, acima de tudo, deu a impressão de que a doença apenas atinge os mais velhos, algo que a OMS tem alertado que não é o caso.


Há poucas semanas, Tedros Adhanom Ghebreyesus chegou a dizer que vender tal percepção de que se trata de um doença que mata apenas idosos - mesmo que fosse verdade - representa a "falência moral" da sociedade.


Numa outra coletiva, Tedros foi enfático: "jovens: vocês não são invencíveis".


Para fontes nos organismos internacionais, o discurso de Bolsonaro é "perigoso", já que incita os mais jovens a desrespeitar medidas de distanciamento social e cuidados básicos.


Mas é o tom de Bolsonaro minimizando a doença - a chamando de histeria e "gripezinha" - que gerou enorme preocupação entre os técnicos internacionais nesta quarta-feira.

Consultados pela coluna, vários deles indicaram que o temor é de que, ao mandar essa mensagem, Bolsonaro mina a tentativa da OMS de conscientizar milhões de pessoas sobre a necessidade de tratar a doença como algo sério. Por semanas, a direção da agência vem tentando convencer políticos pelo mundo de que a situação é grave. "Acordem", chegou a dizer o chefe de operações da entidade, Michael Ryan, aos governos.

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