Bombeiros de Hong Kong encontraram dezenas de corpos adicionais nesta sexta-feira, durante uma busca intensa apartamento por apartamento em um complexo de prédios onde um incêndio de grandes proporções atingiu sete edifícios. As autoridades também prenderam mais oito pessoas ligadas à reforma das torres. O número de mortos, em um dos incêndios mais letais da história da cidade, subiu para 128, e muitas pessoas continuam desaparecidas.
Socorristas descobriram que alguns alarmes de incêndio do complexo, que abrigava muitos idosos, não dispararam durante os testes, informou Andy Yeung, diretor do Serviço de Bombeiros de Hong Kong. Ele não especificou quantos sistemas falharam nem se havia outros com problemas.
O fogo se espalhou rapidamente de um prédio para outro quando painéis de espuma e andaimes de bambu cobertos por uma rede — aparentemente instalados por uma empresa de construção — pegaram fogo.
Nesta sexta-feira, as autoridades prenderam sete homens e uma mulher, com idades entre 40 e 63 anos, incluindo subcontratados de andaimes, diretores de uma consultoria de engenharia e gerentes responsáveis pela supervisão da obra, informou a Comissão Independente Contra a Corrupção, em comunicado.
Segundo Derek Armstrong Chan, vice-diretor do Serviço de Bombeiros, as equipes priorizaram os apartamentos de onde haviam recebido chamadas de emergência durante o incêndio, mas que não conseguiram alcançar enquanto o fogo estava fora de controle. Os bombeiros levaram um dia inteiro para conter o incêndio, que só foi totalmente extinto na manhã de sexta-feira — cerca de 40 horas após começar.
Mesmo dois dias depois do início do fogo, fumaça ainda saía da estrutura carbonizada dos prédios devido a focos ocasionais.
Mais corpos podem ser encontrados
Cerca de 200 pessoas ainda estão desaparecidas, disse o secretário de Segurança, Chris Tang. Isso inclui 89 corpos que ainda não foram identificados. Segundo as autoridades, mais corpos podem ser descobertos, embora a busca por sobreviventes tenha sido concluída.
Mais de 2.300 bombeiros e profissionais de saúde participaram da operação, e 12 bombeiros estão entre os 79 feridos, disse Yeung. Um bombeiro também morreu, conforme informado anteriormente.
Katy Lo, 70 anos, moradora do edifício Wang Fuk Court, não estava em casa quando o incêndio começou na quarta-feira. Ela voltou cerca de uma hora depois e viu que o fogo já havia alcançado seu prédio.
“É a minha casa… Ainda não consigo acreditar no que aconteceu”, disse Lo na sexta-feira, enquanto se registrava para receber assistência governamental às famílias afetadas. “Tudo isso ainda parece um pesadelo.”
Entre os mortos estavam duas trabalhadoras migrantes da Indonésia, segundo o Ministério das Relações Exteriores indonésio. Outras 11 trabalhadoras do país, que atuavam como empregadas domésticas no complexo, continuam desaparecidas, disse o cônsul-geral Yul Edison.
O governo anunciou que todas as bandeiras oficiais da cidade serão hasteadas a meio mastro, de sábado a segunda-feira, em sinal de luto. O líder de Hong Kong, John Lee, conduzirá três minutos de silêncio no sábado, na sede do governo.
O complexo, formado por oito torres de 31 andares no distrito de Tai Po — próximo à fronteira com a China continental — foi construído na década de 1980 e passava por uma grande reforma. O conjunto tinha quase 2 mil apartamentos e aproximadamente 4.800 moradores.
Painéis de espuma altamente inflamáveis são apontados como causa
Três homens — diretores e um consultor de engenharia de uma empresa de construção — foram presos na quinta-feira sob suspeita de homicídio culposo. Segundo a polícia, havia fortes indícios de negligência grave por parte da empresa.
As autoridades não divulgaram o nome da empresa envolvida, mas documentos no site da associação de moradores indicam que a Prestige Construction & Engineering Company era responsável pela obra. Policiais apreenderam caixas de documentos da sede da empresa, onde os telefones não foram atendidos na quinta-feira.
Além das novas prisões nesta sexta-feira, a agência anticorrupção também vasculhou os escritórios dos suspeitos e apreendeu documentos e registros bancários.
A polícia informou ter encontrado painéis de espuma plástica altamente inflamáveis fixados nas janelas de todos os andares do único prédio que não foi atingido. Acredita-se que os painéis tenham sido instalados pela empresa de construção, embora sua finalidade não esteja clara.
Investigações preliminares mostram que o incêndio começou na rede de andaimes de um dos prédios, em um nível mais baixo, e se espalhou rapidamente quando os painéis de espuma pegaram fogo, explicou Tang.
“As chamas incendiaram os painéis, causando o rompimento dos vidros e permitindo que o fogo se intensificasse e invadisse os espaços internos”, afirmou Tang.
As autoridades suspeitam que alguns materiais usados nas fachadas dos prédios não atendiam aos padrões de resistência ao fogo, o que pode ter contribuído para a propagação anormalmente rápida das chamas.
Inspeções imediatas serão feitas em outros conjuntos habitacionais que estejam passando por reformas para garantir que andaimes e materiais estejam dentro dos padrões de segurança.
Este foi o incêndio mais mortal em Hong Kong em décadas. Em 1996, um incêndio em um prédio comercial em Kowloon matou 41 pessoas. E, em 1948, um incêndio em um galpão deixou 176 mortos, segundo o jornal South China Morning Post.
Com informações da Associeted Press




