Mesmo com sua importância para a promoção e valorização da cultura a nível regional e nacional (até mesmo internacional), muitos de nós nascidos aqui nessa região encantadora menosprezam esse festival ou a cultura do boi, por motivos de falta de identificação, ou por motivos religiosos e entre outros preconceitos. Eu devo admitir que não era muito afinado com a cultura do boi bumbá, achava brega, não tinha afinidade com a sonoridade, muito menos com a dança que era muito complicada de acompanhar (já tinha ido a eventos do segmento no sambódromo de Manaus, mas por não saber os passos, me sentia deslocado e acabava indo para a tenda eletrônica onde eu podia dançar de forma livre como o gênero musical permite).
Superado esse preconceito e distanciamento inicial, resolvi ano passado conhecer o maior festival folclórico do estado. É tão estranho você viajar pelo Brasil e pelo mundo, as pessoas te perguntarem sobre o festival de Parintins e você não saber informar a elas como ele é ou ter que afirmar que nunca foi, enquanto muitas pessoas de fora tem vontade em conhecer ou até mesmo já foram. E com o conhecimento que eu tive nessa experiência vim listar algumas dicas e motivos para você deixar o ritmo quente que existe dentro de você vir à tona que a energia dessa festa vai te contagiar e você vai aprender como sobreviver na ilha Tupinambarana.

1 – Indo de Barco
O legal de ir de barco é que ele é barato, você vai encontrando e conhecendo novas pessoas, além de ir aprendendo todas as músicas de boi e principalmente as danças, você já chega na ilha sabendo todos os passos e isso é muito importante.
Os barcos oferecem a opção do andar com ar condicionado para quem for ficar em redes e os camarotes também. Se você é uma pessoa calorenta, não se preocupe: de noite faz um clima agradável.
A parte chata é ter que parar em uma balsa da marinha, enquanto eles passam quase uma hora fazendo revisão no barco e vendo se não tem gente em excesso na navegação, fora isso, eu recomendo muito, fui e gostei.
2 – Alugue um lugar para ficar com uma família local
A minha ida foi no calor do momento e eu fiquei onde meus amigos já tinham alugado para passar a temporada na casa de uma família, lá é muito comum as famílias alugarem quartos para o período do festival e o bom que você convive com pessoas da cidade que vão sempre te dar as melhores dicas de onde sacar dinheiro, onde comer e onde ir.
Se você puder ficar em hotel ou outra locação, ótimo. Mas, não deixe de experimentar essa opção se o bolso tiver um pouco apertado, o bom que você vai ter pessoas que vão saber se você chegou bem ou não chegou e testemunhar sua convivência na ilha.
3 – Não fique parado, se locomova pela ilha com muitas opções
Ficamos no lado vermelho da ilha e essa localização é um pouco longe do centro, mas esse não era um problema já que existem os táxis, os mototáxis e os triciclos que fazem o transporte dos visitantes. Uma viagem de mototáxi partindo dessa região quase próxima do aeroporto não sai por mais que R$ 5 indo até o centro da cidade. Andar de triciclo também é muito interessante, o rapaz leva você pedalando em uma cabininha pela cidade e você vai vendo as pessoas, as regiões e consegue passar até perto dos carros alegóricos e observá-los com atenção antes deles entrarem no bumbódromo. Vale a pena a alternativa.
4 – Comidas coloridas
Existe na ilha a opção de comer alguns pratos com as cores dos bois, principalmente a tapioca e eu fui inventar de comer a tapioca azul. Cuidado esses alimentos vem com corantes e deixam seu organismo um pouco “colorido” por alguns dias, é estranho. Se tiver estomago sensível evite a experiência, mas se não conseguir resistir vale a pena pelo menos pelo registro fotográfico.
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5 – Comuna’s
Chegar à orla de Parintins às três horas da tarde e curtir o fervo em frente ao Comuna’s Bar e outros bares das adjacências é uma experiência que tem que entrar para o seu currículo do festival. É como um carnaval fora de época, onde você encontra os amigos, conhecidos e até pessoas que você nem sabia que iam para a ilha naquele ano.
É o esquenta para as festas da noite e uma ótima pedida para quem tem pique de começar os trabalhos antes da abertura dos portões do bumbódromo.
6 – Com que roupa eu vou?
Ano passado foi um ano atípico no festival, a festa dos visitantes que acontece tradicionalmente na quinta-feira que antecede o início das apresentações dos bois na sexta, aconteceu separadamente em cada curral e não junta com os dois públicos em um só evento.
Despreparado com essa informação, acabei vestindo um tênis azul, camisa azul e fui para o curral do boi caprichoso, depois resolvemos ir ao curral do boi garantido e achávamos que as regras de cores estariam mais brandas por ser a noite dos visitantes. Nada disso. Eles levam à sério essa questão das cores, eu não pude entrar no curral e tive que comprar uma camisa de R$ 45,00 lá na frente, trocar para poder assistir a festa do garantido.
Preste atenção nas suas vestes.
7 – Camarotes, Arquibancas e Galera
Se você não conseguiu comprar a tempo o seu ingresso não se preocupe, você consegue comprar ainda na bilheteria do Bumbódromo se tiver a venda ou com os cambistas que conforme o festival vai acontecendo podem diminuir o preço do ingresso para não perder a venda.
O camarote que você for, caso compre esse acesso, tem que ser algum bem estruturado com algo acontecendo nele (banquete, organização no geral dentro dele com cadeiras e tudo), fora isso você vai ficar competindo por espaço na sacada do camarote para ter uma visão do festival. Sair para o banheiro e perder o lugar é o risco que você corre.
A Arquibancada tem o lado azul e vermelho e o lado especial que é o neutro você pode curtir as duas apresentações tranquilamente, sendo que esse acesso é um pouco mais caro. E a arquibancada da galera tem acesso livre, mas o que impede de ir nela é o tamanho da fila, alguns moradores locais ficam na fila por você e cobram uma taxa por isso e você pode pegar o lugar mais tarde quando estiver próximo de entrar. É uma chance de ver o festival de dentro e se emocionar.
8 – Bebeu água?
A composição da água muda de região para região que você vai, você que já viajou deve saber disso, você que nunca viajou fique sabendo. Cuidado com a água que você toma, prefira tomar água mineral engarrafada, pois você pode se sentir mal por não está acostumado com a composição da água de outra região.

9 – Copão
Mas, beber água para quê se na praça central da cidade os ambulantes chegam a vender três copos grandes de 600ml de cerveja por 10,00 o combo? É o que eles chamam de copão e comporta uma garrafa de cerveja tranquilamente. Vale a pena o investimento. E você pode se divertir com os amigos e alternar com eles quem paga a rodada da vez.
10 – Estamos indo de volta pra casa
Se ir para ilha de barco pode ter suas vantagens, voltar para Manaus de barco não é tão prazeroso. Todos estão exaustos e fica aquele clima de luto, fora que a volta é mais demorada já que o barco vem contra o rio e ninguém está mais tão animado para beber e se conhecer. Para os que querem voltar logo tem a opção de lancha que leva entre 8h a 7h para chegar em Manaus e avião também, é claro.
Bom, depois que você embarca nessa aventura quer repetir a dose todo ano e entende o porque de tantos amazonenses, paraenses e pessoas do mundo inteiro serem tão apaixonadas por esse festival. Não perca a oportunidade de conhecer essa festa gigantesca que acontece aqui do nosso lado. Valorizar os eventos da nossa terra é importante e ainda ajuda na economia local. Vale a pena o investimento.
Sobre o autor:
Leandro Leite é Relações Públicas, Especialista em Gestão e Produção de Eventos




