De sessão em sessão, houve quem passasse boa parte do dia dentro das salas de cinema. Na oitava edição do Festival de Cinema da Amazônia – Olhar do Norte, espectadores acompanharam diferentes mostras em sequência, transformando a passagem pelo festival em uma verdadeira maratona cinematográfica.
Ao todo, 4.081 pessoas foram contabilizadas nas sessões realizadas no Teatro Amazonas e no Teatro Gebes Medeiros e na cerimônia de premiação. A programação exibiu 67 filmes e contou ainda com atividades formativas e debates em outros espaços culturais de Manaus.
Para o curador do Olhar do Norte, Diego Bauer, o movimento reflete uma relação construída entre o festival e seu público ao longo de oito edições.
“É muito gratificante ver o público comparecendo e maratonando os filmes que nós passamos meses selecionando, assistindo e pensando com todo carinho. A razão de ser do festival é oferecer uma programação de alta qualidade e sentir o público abraçando isso de coração. É uma maratona de filmes, é cansativo acompanhar 67 filmes em cinco dias, mas, ao mesmo tempo, é uma experiência muito recompensadora”, avalia.
Para Bauer, a oferta de filmes que dificilmente chegam ao circuito comercial também contribui para a permanência dos espectadores nas salas e para ampliar o interesse pela produção amazônica.
“A gente sempre faz uma mostra abrangente, com muitas possibilidades diferentes de cinema. Sinto que estamos criando esse companheirismo com o público, que sabe que vai encontrar uma programação diferenciada. Percebemos mais carinho, mais autoestima e mais vontade de se ver na tela, de ver os atores, os rostos e os sotaques da Amazônia. É um trabalho de construção, mas sinto que, ano após ano, caminhamos para frente nessa direção”, afirma.

Imersão
A cantora e atriz Vívian Oliveira foi uma das espectadoras que mergulhou na programação. No primeiro dia, chegou às 14h ao Teatro Gebes Medeiros para a sessão de curtas. Depois, seguiu para o Teatro Amazonas, onde acompanhou as sessões das 16h, 18h30 e 20h30.
“Percebi o público muito interessado e atento aos filmes. Teve muitos aplausos em alguns que foram realmente emocionantes. Nos de terror, como ‘Limbo’, de Sérgio Santos Barroso, e ‘Cabeça de Martelo’, do Rafael Creder, o público estava bem envolvido, inclusive eu”, conta.
Neste ano, Vívian decidiu acompanhar o festival pela oportunidade de conhecer o que vem sendo produzido dentro e fora do Amazonas. A experiência, segundo ela, também ampliou seu repertório como artista.
“Gosto muito de saber o que andam produzindo Brasil afora e me surpreendi bastante com as obras. Vi tudo e fiquei muito satisfeita de ter feito isso. Como atriz, me sinto muito inspirada e com um repertório mais amplo”, afirma.
“Tem cineastas amazonenses produzindo e artistas atuando em ficção científica, terror, drama, filmes com viés político, épicos. O Amazonas é um celeiro de talentos no audiovisual”, completa.
Retorno
Para parte dos espectadores, acompanhar o Olhar do Norte já faz parte do calendário cultural. É o caso do designer e estudante de Arquitetura e Urbanismo Paulo Maciel, que frequenta o festival desde 2020, quando assistiu a “Manaus Hot City” pela primeira vez.
Neste ano, uma das principais motivações para retornar foi o curta-metragem “3×4”, dirigido pela amazonense Juliana Tizatto.
“Além de gostar de cinema, sinto que o festival é uma ótima forma de conhecer novos filmes. Acho uma oportunidade única de acompanhar, por exemplo, produções que são feitas em Manaus e também no Norte do nosso país”, pontua.
Paulo passou a acompanhar com mais atenção o cinema fora do circuito comercial depois de trabalhar no curta “Pranto Lunar”. “Foi quando tive a noção da importância das narrativas que o Norte pode e deve trazer para o cinema nacional”, relata.
De Manaus para outras telas
A relação entre produção local e público também marcou a estreia de “3×4”, primeiro curta-metragem de ficção da diretora e roteirista amazonense Juliana Tizatto.
“É especial fazer essa estreia no Olhar do Norte, um festival que acompanhamos há anos, e em Manaus, onde o filme foi pensado e realizado. Por conta disso, a primeira exibição do curta foi uma sessão mais calorosa, com mais identificação e abertura para troca com o público”, afirma a diretora.
Depois da estreia em casa, “3×4” segue para uma das principais vitrines do cinema brasileiro. O curta está entre os 11 títulos selecionados para a Première Brasil – Competição Curtas-Metragens do Festival do Rio, que acontece de 1º a 11 de outubro, no Rio de Janeiro.
“Levamos com a gente a vontade de dividir esse curta e falar sobre o nosso cinema, vontades que já se acenderam nessa edição do Olhar do Norte”, destaca Juliana.

Alcance
A oitava edição também marcou a estreia da mostra competitiva Amazônia Longas, dedicada a obras realizadas nos estados da Amazônia Legal ou dirigidas por cineastas da região.
Ao todo, o Olhar do Norte recebeu 596 filmes inscritos: 28 na Amazônia Longas, 188 na Amazônia Curtas, 325 em Outros Nortes e 55 na Olhinho.
Com o fim das sessões presenciais, parte da seleção ganha uma nova janela de exibição. Por meio da parceria com a plataforma Itaú Cultural Play, títulos das mostras de curtas amazônicos e panorâmicos estarão disponíveis on-line até 12 de outubro.
A 8ª edição do Festival de Cinema da Amazônia – Olhar do Norte é realizada pela Artrupe Produções, por meio da Lei Rouanet, com patrocínio do Itaú e parceria do Itaú Cultural Play e Cine Set, além do apoio da Rede Amazônica, Amazonas Shopping, Atelo e Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa.
A Artrupe Produções, responsável pela realização do festival, é comandada por Diego Bauer, Victor Kaleb, Hamyle Nobre e César Nogueira.
Mais informações estão disponíveis no site do Festival Olhar do Norte e no Instagram @olhardonorte.





