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Tarifa de 50% dos EUA ameaça exportações paraenses de açaí e preocupa setor

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A imposição de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros a partir de 1º de agosto, anunciada pelo presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, gerou preocupações em relação ao futuro da produção de açaí paraense. O Pará é responsável por grande parte das exportações da fruta, e os Estados Unidos são, de longe, o principal destino do produto.

Os EUA absorvem cerca de 75% das exportações paraenses de açaí, segundo dados do economista Nélio Bordalo Filho, conselheiro do Conselho Regional de Economia dos Estados do Pará e Amapá (Corecon PA/AP). Apenas em 2025, o Estado havia enviado aproximadamente 15.107 toneladas do fruto ao exterior, totalizando US$ 57,9 milhões — dos quais US$ 43,6 milhões tiveram como destino o mercado norte-americano.

Fonte: Reprodução.

A medida tarifária, que eleva de 10% para 50% os impostos de importação sobre produtos brasileiros, representa uma ameaça direta à competitividade do açaí. “O impacto direto dessa imposição protecionista será imediato na competitividade do produto paraense. Uma sobretaxa de 50% tornará a polpa de açaí menos atrativa aos importadores estrangeiros”, afirma Bordalo. Ele alerta que o impacto pode se refletir na redução abrupta da receita estadual, com prejuízos de dezenas de milhões de dólares.

Além das perdas econômicas, a tarifa deve provocar efeitos sociais imediatos. Pequenos produtores e processadores, que operam com margens apertadas, serão os primeiros a sentir a retração do mercado, aponta o especialista. Com contratos desfeitos ou diminuídos, o risco é de falência de empresas, desemprego e impacto direto na renda de famílias que vivem da coleta e do beneficiamento do açaí, sobretudo em municípios do interior paraense.

Fonte: Reprodução.

Bordalo diz, ainda, que a elevação da tarifa também pode gerar desequilíbrios no mercado interno. A expectativa, segundo o economista, é que parte da produção voltada à exportação seja redirecionada ao consumo nacional, o que pode provocar aumento nos preços locais e pressionar o custo de vida nas cidades da região.

Pará busca estratégia

Para o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Pará (FiepaI), Alex Carvalho, a medida compromete a sustentabilidade de uma das cadeias mais importantes da bioeconomia amazônica. “O açaí representa 56,49% do volume total de frutas exportadas pelo Pará e, no primeiro semestre deste ano, mais de 75% dessas exportações tiveram como destino os Estados Unidos. Portanto, a imposição de uma tarifa de 50% tende a reduzir a competitividade do produto paraense no mercado norte-americano, podendo resultar em retração de contratos, suspensão de novos pedidos e desequilíbrios econômicos para fornecedores e produtores locais”, explica.

Fonte: Reprodução.

Ainda segundo Carvalho, entre janeiro e junho de 2025, as exportações de açaí para os Estados Unidos cresceram 59,34% em comparação com o mesmo período do ano anterior, confirmando o peso do mercado norte-americano nas receitas do setor. “Ainda que o açaí seja reconhecido por seu valor nutricional e alta demanda internacional, um impacto tarifário desse porte certamente compromete margens de comercialização, podendo reduzir a atratividade do produto para os importadores norte-americanos. Isso geraria prejuízos que atingem desde pequenas comunidades produtoras até agroindústrias que hoje têm no mercado dos EUA seu principal destino”, alerta.

Fonte: Reprodução.

Diante do cenário, a Fiepa articula, em conjunto com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), estratégias para mitigar os efeitos da medida. “Essa é uma agenda de negociação que deve ser conduzida com estrita responsabilidade e seriedade, de modo a evitar qualquer politização de um tema que é comercial, estratégico e vital para o desenvolvimento econômico do Pará e do Brasil. Alinhados à Confederação Nacional da Indústria, a Federação se posiciona fortemente no sentido de exaurir todas as possibilidades de negociação junto aos entes competentes, buscando razoabilidade, sensatez e sobriedade para garantir a manutenção do acesso ao mercado norte-americano e a estabilidade das cadeias produtivas paraenses”, reforça Carvalho.

Conteúdo Originalmente Publicado em: Revista Cenarium.

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