O Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram) afirmou, nesta terça-feira (21), que o sistema de transporte coletivo de Manaus está sob risco de colapso financeiro em meio à greve dos rodoviários e ao impasse envolvendo o custeio do Passe Livre Estudantil da rede estadual.
A declaração foi feita pelo presidente da entidade, César Tadeu Teixeira, durante coletiva de imprensa realizada na capital. Segundo ele, as empresas enfrentam dificuldades para manter a operação e acumulam um déficit relacionado aos repasses destinados à gratuidade dos estudantes.
“Hoje, o sistema está à beira do colapso. As empresas estão recorrendo a bancos, renegociando dívidas e já não têm mais de onde tirar recursos”, afirmou.
De acordo com o Sinetram, o Governo do Amazonas realizou dois pagamentos referentes ao benefício em 2025, totalizando R$ 31,1 milhões. No entanto, a entidade sustenta que ainda há um passivo pendente relacionado aos créditos disponibilizados aos estudantes da rede estadual.
Em nota divulgada após a coletiva, o sindicato informou que cabe à Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar (Seduc) indicar os alunos beneficiados, enquanto o Sinetram é responsável pela disponibilização dos créditos. Segundo a entidade, o benefício continua sendo concedido normalmente aos estudantes cadastrados.
Ainda conforme o sindicato, permanecem pendentes valores referentes ao exercício de 2025, além dos créditos disponibilizados entre fevereiro e junho de 2026.
O tema também foi abordado pelo prefeito em exercício de Manaus, Renato Junior (Avante), que atribuiu parte da crise no transporte à falta de repasses estaduais para o Passe Livre Estudantil. Durante coletiva realizada no Centro de Cooperação da Cidade (CCC), ele afirmou que a Prefeitura está em dia com suas obrigações junto ao sistema.
“É legítimo que o trabalhador cobre seu salário. O Governo do Estado está devendo o Passe Livre Estudantil. A Prefeitura não está devendo o Passe Livre dos alunos da rede municipal”, declarou.
Renato Junior informou ainda que o município já repassou recursos ao sistema de transporte coletivo e afirmou que o Governo do Amazonas não teria quitado integralmente os valores relacionados ao benefício destinado aos estudantes da rede estadual.
A greve dos rodoviários entrou no segundo dia nesta terça-feira. Após decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (TRT-11), 80% da frota passou a operar nos horários de pico e 50% nos demais períodos. O descumprimento da medida pode resultar em multa de R$ 120 mil por hora ao Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Manaus (STTRM).
O Governo do Amazonas convocou uma coletiva de imprensa para apresentar seu posicionamento sobre os repasses e a paralisação do transporte coletivo. O Executivo estadual informou que anunciará medidas relacionadas ao impasse ainda nesta terça-feira.





