Na manhã desta segunda-feira (30/07), foi realizada a abertura da Semana Nacional de Mobilização para o Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, que faz parte da campanha “Coração Azul”. O Amazonas, que entre 2011 e 2017 registrou um total de 30 casos de tráfico humano, aderiu à campanha por meio da Secretaria de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc) e do Comitê Intersetorial de Prevenção e Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas e Atenção aos Refugiados e Migrantes do Amazonas.
Em Manaus, o evento de abertura foi realizado no Terminal Rodoviário localizado no bairro Flores, onde funciona uma das 13 unidades de Posto Avançado de Atendimento Humanizado ao Migrante instaladas pelo Governo do Amazonas, por meio da Sejusc.
Dos 30 casos de tráfico de pessoas registrados no Amazonas desde 2011, nove surgiram em 2016 e quatro no ano passado. O objetivo da campanha é fazer com que o número seja cada vez menor.
“O grande problema do tráfico humano é que é um crime invisível. As pessoas não conseguem identificar e não registram a ocorrência. Os registros que geralmente são feitos são de desaparecimento. Somente após investigação é que nós chegamos à conclusão de que aquela pessoa foi vítima do tráfico humano”, disse a gerente de migração, refúgio e enfrentamento ao tráfico de pessoas e trabalho escravo da Sejusc, Maria José Ramos.
Denúncias – De acordo com a gerente, os Postos Avançados de Atendimento Humanizado ao Migrante foram instalados em locais estratégicos, para incentivar os cidadãos a denunciarem supostos casos de crimes relacionados ao tráfico de pessoas, como trabalho escravo, subtração de crianças e remoção de órgãos.
“Nós temos três postos em Manaus (rodoviária, aeroporto e Porto da Ceasa) e dez no interior, aptos ao recebimento de denúncias. Também é possível denunciar pelo Disk 100 e Disk 180 ou comparecer ao Centro Estadual de Referência de Direitos Humanos Adamor Guedes, que fica na Major Gabriel, 1192”, informou Maria José Ramos.
No interior, os postos funcionam nos municípios de Itacoatiara, Parintins, Tabatinga, Presidente Figueiredo, São Gabriel da Cachoeira, Novo Airão, Humaitá, Coari, Manacapuru e Iranduba. As denúncias são recebidas e investigadas pela Polícia Federal.
Programação – A campanha segue até a próxima sexta-feira (03/08), com ações de cunho informativo e preventivo. Nesta terça-feira (31/07), das 9h às 11h, cinco escolas públicas de Manaus receberão palestras simultâneas, com atividades de identificação do traficante e informações sobre como denunciar e se prevenir contra o tráfico humano, atingindo 1.900 alunos dos ensinos fundamental e médio.
Na quarta-feira (01/08), a agenda inclui uma roda de conversa com 363 migrantes venezuelanos em um dos abrigos destinados a esse público, localizado no bairro Alfredo Nascimento, zona norte de Manaus, abordando a vulnerabilidade nas fronteiras. Na próxima quinta-feira (02/08), serão realizadas abordagens informativas das 9h às 12h, na rodoviária e no aeroporto da capital.
O encerramento da programação será na sexta-feira (03/08), das 17h às 19h, no Largo de São Sebastião, com apresentações culturais e lúdicas coordenadas pelo “Projeto Oseas” e Comitê Intersetorial de Prevenção e Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas e Atenção aos Refugiados e Migrantes do Amazonas.
