
A apresentação da exposição é assinada pelo professor e pesquisador indígena Ytanajé Cardoso, do povo Munduruku, gerente de Educação Escolar Indígena da Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar do Amazonas. Ele destaca o cocar como um símbolo que reúne diferentes dimensões culturais dos povos indígenas. “O cocar é um dos símbolos mais expressivos dos povos indígenas, possuindo dimensões espirituais, estéticas e reflexivas. A dimensão espiritual diz respeito à sua ancestralidade. A dimensão estética é evidenciada em sua força de representação. A dimensão reflexiva está presente na história contada por cada cocar”, afirma.
Segundo o diretor da Manaus Amazônia Galeria de Arte, Carlysson Sena, a exposição busca ampliar o olhar do público sobre o significado cultural do cocar. “O cocar é um símbolo muito presente no imaginário amazônico, mas que muitas vezes é visto de uma forma superficial. A proposta da exposição é justamente convidar o público a refletir sobre esse objeto como uma expressão da identidade, da memória e como objeto de arte, por isso, todas as obras estarão à venda para que o público possa levar estas reflexões para dentro de seus lares e escritórios”, afirmou.
Os artistas
Selecionados pela curadoria, os artistas participantes desta exposição são: Alessandro Hipz, Dhiani Pa’saro, Duhigó, Juliana Lama, Lino Mura, Monik Ventilari e Sãnipã, que apresentam interpretações diversas sobre o símbolo.

O artista visual, grafiteiro e muralista Alessandro Hipz aproxima o cocar da estética do grafite e da arte urbana, propondo reflexões sobre a identidade brasileira contemporânea. Dhiani Pa’saro leva para a pintura referências ligadas à memória e ao pensamento do povo Wanano, enquanto Duhigó mobiliza elementos simbólicos da cultura Tukano e aborda o deslocamento de artefatos indígenas para coleções e museus.
Já a artista e pesquisadora Juliana Lama direciona o olhar para o processo de criação do cocar, destacando os gestos e as mãos responsáveis por sua feitura e pela transmissão de saberes. O artesão indígena Lino Mura trabalha o resgate técnico de práticas culturais associadas à tradição Mura como forma de resistência, enquanto Monik Ventilari explora traduções contemporâneas do tema por meio de formas abstratas e dobraduras em papel. A artista Sãnipã amplia o repertório visual da mostra com cocares e pinturas em acrílica sobre tela ligados às culturas Apurinã e Kamadeni.
Serviço
Exposição: Reflexões Amazônicas
Abertura: 20 de março
Visitação: de segunda à sábado, 10h às 22h, e aos domingos, 08h às 22h
Local: Galeria de Arte da Valer Teatro
Endereço: Rua José Clemente, 600 – Largo São Sebastião, Centro, Manaus




