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De craque no Real Madrid a atleta da Série D: a história que ninguém esperava

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Por muito tempo, o nome de Augusto Galvan foi sinônimo de promessa. Nascido em Ribeirão Preto, o meia despontou na base do São Paulo com atuações que chamaram atenção até do poderoso Real Madrid. Sete anos depois de sua venda por 3 milhões de euros, o meia agora vive uma nova etapa: é reforço da Inter de Limeira para fase decisiva da Série D do Brasileiro.

Aos 26 anos, o jogador sorri ao relembrar a trajetória curiosa que percorreu até aqui. Em entrevista ao ge, Galvan fala com maturidade sobre os altos e baixos da carreira e se mostra empolgado com a oportunidade de retomar o protagonismo a partir do interior de São Paulo.

Agradeço pela oportunidade de contar um pouco mais sobre a minha carreira. A minha família é muito ligada ao futebol e comecei minha caminhada muito cedo. Me alojei em Cotia com 14 anos para jogar na base do São Paulo e depois fui vendido. As coisas sempre foram assim, trabalhando com futebol desde pequeno e frequentando estádios da região desde sempre. Futebol é minha vida.

Enfrentando uma distância maior de 300 km de casa, Galvan chegou ao São Paulo em 2013, quando ainda era adolescente. Na base tricolor, fez parte de uma geração vitoriosa ao lado de nomes como Igor Gomes e Gabriel Sara.

— A base do São Paulo é a melhor do Brasil. Eu fiz testes em outros clubes, mas ninguém forma igual. Isso pesou muito na decisão da minha família. Eles também deixaram minha mãe muito tranquila

As inspirações estavam por perto. Ele se recorda bem dos treinos que assistia, observando jovens que se tornariam ídolos do clube e do futebol mundial.

— No início, lembro que a gente acompanhava os treinos do Lucas Moura e do Casemiro. Eles estavam começando no profissional e aquilo me marcou muito. Depois, reencontrei o Casemiro no Real Madrid, onde viramos amigos.

O chamado galáctico

Foto: Reprodução

Em 2015, durante a disputa da Al Kass Cup, torneio sub-17 disputado no Catar, Galvan brilhou e atraiu olhares internacionais. Marcou dois gols, ajudou o São Paulo a ser vice-campeão e entrou no radar do Real Madrid, que o contrataria dois anos depois.

— A gente fez um campeonato no Catar e ali vários clubes estavam observando. Nosso time foi muito bem e ali consegui mostrar meu futebol. Depois disso, recebi várias ligações, mas quando eu soube do Real Madrid, eu não acreditei. É algo surreal.

Aos 18 anos, desembarcou em Madrid para um desafio que muitos sonham, mas poucos vivem.

— Cheguei no Real Madrid ainda muito novo. O que ajudou foi a quantidade de brasileiros no clube, mas também aprendi muito com os estrangeiros. Lá é 100% razão, não emoção. Você precisa chegar no jogo preparado, pensar nas estratégias. Mesmo passando por lesões, o Real me deu uma mentalidade muito diferente. Passei a enxergar o futebol de outra forma.

Apesar de não ter atuado pelo time principal, o brasileiro integrou o Castilla (time B do Real Madrid) e participou da Liga dos Campeões sub-19. Conviveu com estrelas e absorveu tudo o que pôde — especialmente de um camisa 10 muito especial.

Tive a chance de conhecer o Cristiano Ronaldo e isso me marcou por ele ser o maior nome do clube na época. Mas minha grande referência foi o Modric. Ele me passou várias coisas, eu ficava observando a técnica, tentava aprender ao máximo.

— No vestiário, mesmo com toda a badalação em torno deles, a gente tinha essa troca de experiências. Eles passavam muitos conselhos. Foi um período muito mágico.

    Foto: Reprodução

A vida na Europa e o retorno ao Brasil

Apesar de não ter se consolidado no clube, a vivência na capital espanhola teve impacto positivo em sua vida pessoal. A família de Galvan, inclusive, segue morando na cidade até hoje.

— Madrid nos recebeu muito bem. A gente se adaptou rápido. É uma cultura muito legal, um povo muito acessível. Eu recebia muitos jogadores do Castilla em casa, mostrava a comida brasileira… criei um vínculo muito legal com eles.

Mas nem tudo foram flores. Lesões, mudanças de clube e o peso da expectativa acabaram minando o desenvolvimento do meia. Pessoas próximas a Galvan admitem que a ida ao Real Madrid pode ter sido precoce. A falta de adaptação, os problemas físicos e a pressão o fizeram perder confiança.

Após empréstimos para clubes de menores prateleiras, o retorno ao Brasil ocorreu em 2021 após uma proposta do Santos, onde treinou com o profissional, mas teve chances somente no sub-23. Depois, passou por Caxias e Azuriz-PR até desembarcar na Inter de Limeira para a reta final da Série D.

— No Santos, eu estava fisicamente melhor, mas o clube vivia uma fase de reformulação e com elenco cheio. Mesmo assim, foi uma experiência muito boa. Conheci jogadores renomados e vi como o futebol aqui estava diferente.

Sete anos depois de sua venda por 3 milhões de euros, o meia agora vive uma nova etapa: é reforço da Inter de Limeira para fase decisiva da Série D do Brasileiro.

A vida na Europa e o retorno ao Brasil

A chegada à Inter marca uma tentativa de reconstrução. Galvan sabe da expectativa que o cerca, mas garante estar pronto para o desafio.

— Gosto muito dessa experiência de jogar no interior. Eu cresci no interior, sei como o povo é apaixonado. Criaram uma expectativa grande com nosso elenco e quero corresponder dentro de campo.

De promessa internacional a reforço para o mata-mata da Série D, Augusto Galvan vive uma trajetória que mistura sonho, aprendizado e recomeço. E se depender da vontade do meia, ainda há muitos capítulos por escrever.

— A gente aprende com tudo que vive. Estou mais maduro, com uma nova mentalidade, e pronto para mostrar meu futebol de novo. Estou à disposição para ajudar na Inter e vamos em busca desse tão sonhado acesso.

Galvan volta a campo neste sábado, às 16h, para o jogo da volta contra o Marcílio Dias, pela segunda fase da Série D. Os dois se enfrentam no Major Levy Sobrinho, em Limeira, após empate sem gols no jogo de ida. Quem vencer no tempo normal, avança. Em caso de uma nova igualdade, independentemente do placar, a disputa vai para os pênaltis.

Conteúdo Originalmente Publicado em: Globo Esporte

 

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