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EUA vão investigar se políticas brasileiras restringem comércio americano

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legenda: Getty Images

O governo americano vai investigar se práticas e políticas do Brasil restringem ou prejudicam o comércio dos Estados Unidos.

O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos vai averiguar atividades relacionadas a serviços de pagamento eletrônico, comércio digital, propriedade intelectual, iniciativas de combate à corrupção, o uso de tarifas para favorecer outros países e até desmatamento ilegal.

O representante dos Estados Unidos para o comércio, Jamieson Greer, informou em comunicado que tomou a decisão por ordem do presidente Donald Trump. Na carta enviada ao presidente Lula na semana passada, em que anunciou o tarifaço de 50% sobre todos os brasileiros, Trump já tinha indicado que ia determinar a abertura desta investigação.

O documento que detalha a investigação diz que o Brasil pode estar prejudicando a competitividade de empresas americanas ao retaliar redes sociais por elas não censurarem conteúdo político e restringir a capacidade das empresas de oferecer serviços.

O texto não cita diretamente as decisões do Supremo Tribunal Federal para remoção de conteúdo considerado golpista de big techs, mas o ponto foi levantado por Trump quando anunciou a sobretaxa de 50%.

A investigação se soma ao tarifaço de 50% sobre todos os produtos brasileiros, que entra em vigor em primeiro de agosto, se não houver acordo.

Nessa terça-feira (15), perguntado sobre como justificaria a sobretaxa contra o Brasil, com quem os Estados Unidos têm superávit, o presidente Donald Trump reagiu de forma autoritária:

‘Estamos fazendo isso porque eu posso. Ninguém mais conseguiria fazer. Temos tarifas em vigor porque queremos tarifas e queremos que o dinheiro entre nos Estados Unidos. E o outro aspecto é que, em vez de pagar a tarifa, o país ou a empresa construirá nos Estados Unidos e isso gera empregos’.

O presidente americano disse que não é amigo de Jair Bolsonaro, mas voltou a criticar o processo contra o ex-presidente conduzido pelo ministro Alexandre de Moraes.

Na segunda-feira, a Procuradoria-Geral da República pediu a condenação de Bolsonaro por tentativa de golpe e outros quatro crimes, em que as penas somadas chegam a 43 anos de prisão. Em entrevistas nessa terça-feira, Bolsonaro voltou a dizer que está sendo perseguido e agradeceu o apoio do presidente dos Estados Unidos.

À CNN Brasil, Bolsonaro afirmou que está disposto a ir aos Estados Unidos para negociar a redução das tarifas diretamente com Trump, desde que tenha o passaporte de volta:

Embora negue que tenha participado da negociação que culminou na tarifa de 50%, o ex-presidente apoia a campanha do filho, Eduardo, que está nos Estados Unidos articulando sanções ao Brasil e ao ministro Alexandre de Moraes.

Nessa terça-feira, o deputado licenciado voltou a criticar o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que recebeu no Palácio dos Bandeirantes representantes da embaixada americana no Brasil e empresários de setores afetados pelo tarifaço.

A intenção do governador é buscar diálogo com autoridades estaduais americanas e parlamentares republicanos para negociar a redução da tarifa de 50% sobre as exportações. Por causa da iniciativa, Eduardo Bolsonaro disse que Tarcísio é “subserviente e servil às elites”.

Em entrevista ao Poder 360, o ex-presidente Jair Bolsonaro disse que já resolveu a briga entre o filho e o governador aliado, que disputam uma possível candidatura à presidência em 2026. Mais tarde, à CNN, Bolsonaro afirmou que o governador Tarcísio não vai resolver a questão das tarifas porque quem comanda as negociações é Eduardo Bolsonaro:

‘O Relações Exteriores do Lula acabou de puxar a orelha do Tarcísio. Quem negocia é ele. Quando o Tarcísio vê que o governo não negocia, ele está buscando alguma coisa dentro do seu estado. O estado que mais vai ser prejudicado com a taxação vai ser São Paulo. O Tarcísio faz alguma coisa ao seu alcance. Agora, a solução não vai ser feita pelo Tarcísio. Tem que resolver para o Brasil. E quem está à frente dessa negociação chama-se Eduardo Nantes Bolsonaro. Pronto, não custa nada quem quiser estar em contato com ele, liga para mim que eu passo o telefone e converso com o Eduardo, que está dentro da Casa Branca’.

Conteúdo Originalmente Publicado em: CNN Brasil

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