Julia Rimoli Bossoni, de 28 anos, ficou com sequelas neurológicas graves após andar na montanha-russa Montezum, no parque de diversões Hopi Hari, em Vinhedo, no interior de São Paulo. O acidente aconteceu em 20 de abril deste ano e é investigado pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) e pela Polícia Civil.
O caso foi revelado pelo programa Fantástico, da TV Globo, e confirmado pela CNN Brasil. Segundo informações divulgadas pelas emissoras, Julia estava no parque com o marido, João Pedro Bossoni Dionisio, de 26 anos, quando os dois fizeram pela segunda vez o percurso da atração.
De acordo com o depoimento do marido à Polícia Civil, a montanha-russa apresentou fortes solavancos durante o trajeto. Quando o carrinho retornou à estação, Julia estava desacordada e convulsionando. Ela recebeu os primeiros atendimentos no ambulatório do parque e, em seguida, foi levada para a Santa Casa de Vinhedo.
Exames identificaram um hematoma subdural na região frontal do cérebro. Julia passou por uma craniotomia de emergência para conter a hemorragia e a pressão intracraniana. Ela permaneceu cerca de 60 dias na UTI e passou por outros procedimentos, incluindo a implantação de uma válvula para drenagem de líquor. Depois, foi transferida para um hospital particular em Londrina, no Paraná.
Laudos e depoimentos médicos anexados à investigação descartaram malformação arteriovenosa congênita e a ocorrência espontânea de um acidente vascular cerebral (AVC). Os documentos relacionam o quadro a um trauma sofrido durante o passeio.
Segundo a família, Julia perdeu os movimentos do lado esquerdo do corpo e apresenta limitações na fala. Ela também passou por outras cirurgias durante o tratamento e segue em recuperação.
Investigação
O MPSP abriu investigação em agosto para apurar as circunstâncias do acidente e requisitou uma série de diligências. Entre elas estão uma perícia técnica no carrinho e na estrutura da Montezum, a elaboração de laudo indireto de corpo de delito e a obtenção dos prontuários médicos completos dos hospitais que atenderam a jovem.
O Ministério Público também solicitou informações sobre o sistema de fotografia comercial da atração. A família, por meio da defesa, pediu ainda vistorias presenciais nos equipamentos responsáveis pela captação das imagens.
O caso foi inicialmente registrado no 1º Distrito Policial de Campinas e posteriormente encaminhado à Delegacia de Polícia de Vinhedo.
O que diz o Hopi Hari
Em nota, o Hopi Hari afirmou que a Montezum possui certificação internacional de segurança emitida pelo grupo alemão TÜV Nord e passa por inspeções anuais. O parque também informou que a atração segue as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).
Segundo a administração, são realizadas diariamente manutenções preventivas mecânicas e elétricas antes da abertura do parque, incluindo verificações dos trilhos, travas de segurança, cintos e sistemas de frenagem.
O parque afirmou ainda que existem sinalizações visuais e avisos sonoros sobre as restrições médicas para utilização da atração. De acordo com o Hopi Hari, pareceres do Ministério Público apontaram a regularidade do funcionamento da montanha-russa sob a ótica da segurança coletiva, sem constatação de defeito no projeto ou de risco coletivo.
A empresa também declarou que manteve contato com a família de Julia para prestar suporte e disponibilizou o seguro para o tratamento médico.
A defesa da família, representada pela advogada Luana Bossoni, contestou a afirmação. Segundo a advogada, a família não recebeu seguro para custear o tratamento nem indenização relacionada aos danos sofridos. A defesa também afirmou que, apesar das informações sobre manutenções periódicas, considera necessária uma investigação aprofundada sobre as circunstâncias do acidente.
