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Justiça investiga agentes de segurança do Amazonas por ligação com milicianos

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Foto: Reprodução.

Os policiais presos na operação Militia, deflagrada nesta terça-feira (29) pelo Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM), tinham como alvo das extorsões criminosos e familiares de pessoas ligadas ao crime. Até agora, foram apreendidas 14 pistolas, quatro fuzis (sendo um airsoft), um revólver e mais de 600 munições.

A investigação conduzida pela 60ª Promotoria Especializada no Controle Externo da Atividade Policial (Proceap) prendeu nove agentes do Sistema de Segurança Pública do Amazonas. Destes, oito foram presos preventivamente, todos da Polícia Militar, entre eles um tenente da reserva identificado como Júlio de Almeida Lima Filho; e um perito da Polícia Civil que teve previsão temporária.

Ao todo, 32 mandados foram cumpridos como prisão e busca e apreensão, incluindo veicular. O saldo do material coletado também conta com 14 celulares, três veículos e R$ 10.695. Quanto ao armamento que foi apreendido, o coordenador da Proceap, Armando Gurgel, informou que as investigações ainda não apontaram a origem das armas e munições.

“Ainda é cedo para falar se esses fuzis são contrabandeados ou não, acabaram de serem apreendidos e será feito um levantamento a partir de um banco de dados disponível assim como todas essas armas serão devidamente periciadas e incluídas no nosso banco nacional de balística para efeito de comparação, para indicar se foram usadas em algum crime”, comentou.

 Atuação do grupo 

 Para o Ministério Público, os milicianos atuavam com extorsão e roubo contra pessoas ligadas às atividades criminosas ou seus familiares. Ainda não há um levamento de quanto o grupo conseguiu movimentar em dinheiro, mas apenas em uma das abordagens eles levaram cerca de R$ 300 mil da vítima. Eles usavam veículos com placas “frias”, geralmente dois eram utilizados para cercar os alvos.

“Os veículos eram particulares, placas falsas na maioria das oportunidades. Eles não apenas subtraíam dinheiro, tentavam também alcançar alguma arma ilícita ou droga para tomar como espólio”, disse Gurgel.

As autoridades também investigam a forma como o dinheiro era movimentado e isso está relacionado com a prisão temporária do agente da Polícia Civil. Até agora, os investigadores conseguiram encontrar indícios de que a conta desse policial movimentava valores que teriam como destino, como beneficiário, o grupo de milicianos.

 Denúncia e processos de expulsão 

 O MPAM iniciou as investigações depois que o grupo foi flagrado agindo na Zona Norte de Manaus, no dia 14 de fevereiro deste ano. Naquela ocasião, os homens, armados com fuzis, cercaram o veículo de uma das vítimas no bairro do Manoa, durante o dia. Eles quebraram o vidro da janela do motorista e arrancaram o condutor do carro de lá. Ele ficou sob o poder dos criminosos durante horas, até ser liberado no bairro Santa Etelvina.

O crime ganhou grande repercussão na capital do Amazonas, a Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS) foi a primeira a iniciar as investigações, posteriormente a Proceap entrou em atividade por causa dos fortes indícios de métodos militares usados na abordagem durante a ação dos milicianos.

O diretor de Justiça e Disciplina da Polícia Militar do Amazonas (PMAM) Coronel Corrêa Júnior, informou que os próximos passos dentro da corporação são o processo de expulsão desses policiais, caso haja provas o suficiente para relacionar eles às práticas criminosas. Por enquanto, a Polícia Militar aguarda o envio das informações levantadas pelos agentes do Ministério Público.

“Para que nós comecemos a confeccionar o procedimento administrativo disciplinar, ele se trata de uma apuração da transgressão da disciplina, o que fere nosso código de ética. A partir daí vamos aplicar a sanção cabível seja ela, provavelmente, a demissão”, disse.

O comandante geral da PMAM, Coronel Klinger Paiva, disse que a corporação recebe essa denúncia com muita seriedade e destacou que já é de natureza dela se movimentar internamente para investigar e coibir práticas criminosas.

“Acreditamos que esses policiais que estão envolvidos nessa investigação, nesses crimes, não representam os mais de 8.500 policiais que estão na rua, que têm compromisso com a sociedade de proteger e servir”, disse.

Conteúdo Originalmente Publicado em: Portal A Crítica.

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