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Maduro se declara inocente em tribunal de Nova York após captura por forças dos EUA

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Foto: XNY/Star Max/GC Images

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, declarou-se inocente nesta segunda-feira (05/01) diante de um tribunal federal de Nova York, nos Estados Unidos, onde responde a acusações de narcoterrorismo e tráfico de drogas. A audiência ocorreu dois dias após a captura de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, em Caracas, durante uma operação autorizada pelo presidente norte-americano Donald Trump.

Maduro enfrenta quatro acusações: conspiração para narcoterrorismo, conspiração para importação de cocaína, posse de metralhadoras e de dispositivos explosivos. Segundo promotores federais, ele teria chefiado uma rede internacional de tráfico de drogas com ligações a grupos criminosos violentos, como os cartéis mexicanos de Sinaloa e Los Zetas, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e a organização venezuelana Tren de Aragua.

Durante a audiência, conduzida pelo juiz distrital Alvin Hellerstein, Maduro ouviu a leitura das acusações por meio de um intérprete. Vestindo uniforme de presidiário laranja e bege, ele afirmou: “Sou inocente. Não sou culpado. Sou um homem decente. Ainda sou presidente do meu país”, antes de ser interrompido pelo magistrado. Cilia Flores também se declarou inocente.

O juiz solicitou que o casal confirmasse sua identidade e informou sobre o direito de comunicar as prisões ao consulado venezuelano. A próxima audiência foi marcada para 17 de março.

Dezenas de manifestantes, tanto favoráveis quanto contrários a Maduro, se reuniram em frente ao tribunal em Manhattan durante a sessão, que durou cerca de meia hora.

As acusações contra o líder venezuelano não são novas. Promotores de Nova York o indiciaram pela primeira vez em 2020, no âmbito de uma investigação de longa duração envolvendo autoridades venezuelanas e guerrilheiros colombianos. Uma denúncia atualizada, tornada pública no sábado, incluiu novos detalhes e acrescentou Cilia Flores como corré.

Maduro nega todas as acusações e afirma que o processo faz parte de uma estratégia do governo Trump para intervir na Venezuela e se apropriar de suas reservas de petróleo. Os Estados Unidos, por sua vez, consideram o venezuelano um líder ilegítimo desde as eleições de 2018, contestadas por denúncias de irregularidades.

A captura de Maduro provocou reações internacionais e levantou questionamentos de especialistas em direito internacional sobre a legalidade da operação norte-americana. O caso segue em tramitação na Justiça dos Estados Unidos.

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