O Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM) deflagrou, na manhã desta sexta-feira (31), a segunda fase da Operação Usura para investigar um grupo suspeito de atuar com empréstimos informais mediante cobrança de juros abusivos. A ação, denominada Usura 2 – Juros Sobre Juros, cumpriu oito mandados de busca e apreensão, sendo sete em Manaus e um no município de Benjamin Constant, no interior do estado.
Coordenada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), a operação é um desdobramento da primeira fase da investigação, realizada na última segunda-feira (27), quando foram cumpridos mandados de prisão e de busca e apreensão contra integrantes do grupo.
Segundo o MPAM, a investigação começou após uma vítima denunciar ameaças sofridas ao tentar quitar empréstimos obtidos fora do sistema financeiro oficial. A partir das apurações, foram analisadas conversas, comprovantes de transferências bancárias e outros documentos que indicam a atuação organizada dos suspeitos na concessão dos empréstimos, cobrança das dívidas e movimentação financeira por meio de contas de terceiros.
As investigações apontam indícios da prática dos crimes de usura pecuniária (agiotagem), extorsão e lavagem de capitais. Conforme o Ministério Público, o grupo utilizava contas bancárias de pessoas interpostas para receber os pagamentos e ocultar os verdadeiros beneficiários dos valores.
Durante o cumprimento dos mandados, as equipes buscaram apreender celulares, computadores, documentos, contratos, promissórias, comprovantes de movimentações financeiras, dinheiro sem origem comprovada, armas e outros materiais que possam auxiliar no avanço das investigações e na identificação de novas vítimas e envolvidos.
Na primeira fase da operação, o MPAM informou que três pessoas foram presas, entre elas um policial militar investigado por integrar o grupo. Também foram apreendidos cerca de R$ 160 mil em espécie, veículos, joias, documentos e aparelhos celulares, além do bloqueio de contas bancárias dos investigados.
O Ministério Público informou que as investigações seguem sob sigilo e ressaltou que todos os investigados têm garantidos os direitos previstos na Constituição Federal, incluindo a presunção de inocência.
