O governo do Paraguai convocou o embaixador do Brasil em Assunção, José Antônio Marcondes de Carvalho, para entregar uma nota oficial em resposta às declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre a Guerra da Tríplice Aliança. O anúncio foi feito nesta quinta-feira (30) pelo chanceler paraguaio, Rubén Ramírez Lezcano.
Segundo o ministro das Relações Exteriores, a convocação demonstra a insatisfação do governo paraguaio com a fala de Lula, feita no último dia 24 de julho, durante um evento em Jacareí (SP). Na ocasião, o presidente afirmou que “o Paraguai resolveu invadir o Brasil”, ao citar o conflito do século XIX enquanto defendia investimentos na área de defesa.
Lezcano informou ainda que os presidentes Santiago Peña e Lula conversaram por telefone sobre o episódio. De acordo com o chanceler, o governo do Paraguai tratará o assunto em defesa da “dignidade” e dos interesses do país.
As declarações de Lula também provocaram reação do Congresso paraguaio. Na quarta-feira (29), a Câmara dos Deputados aprovou uma declaração de repúdio, afirmando que a fala do presidente brasileiro “distorce e minimiza” a dimensão histórica da Guerra da Tríplice Aliança e desconsidera o sofrimento enfrentado pelo povo paraguaio durante o conflito.
A Guerra da Tríplice Aliança, também conhecida como Guerra do Paraguai, ocorreu entre 1864 e 1870 e envolveu Brasil, Argentina e Uruguai contra o Paraguai. Considerado o maior conflito armado da América do Sul, o episódio deixou graves consequências para o território paraguaio, com perdas humanas, territoriais e econômicas que marcaram a história do país.
