Início Brasil PF encontrou áudios no celular de Bolsonaro durante apreensão em 2023, revela...

PF encontrou áudios no celular de Bolsonaro durante apreensão em 2023, revela jornal

0

A Polícia Federal (PF) encontrou áudios do telefone celular de Jair Bolsonaro (PL) que mostram que o ex-presidente orientou aliado a assinar pedido de abertura de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, a preocupação em manter o apoio do agronegócio após o início do governo Lula, além de uma conversa com um ex-embaixador de Israel.

Os áudios foram extraídos após a apreensão do celular, em 3 de maio de 2023, durante a operação que investigou fraudes em certificados de vacinas, foram obtidos pelo Estadão e divulgados nesta segunda-feira, 28.

CPI contra Moraes

Segundo a publicação, em um dos diálogos, de 26 de abril de 2023, o ex-presidente orientou o deputado federal Hélio Lopes (PL-RJ) a assinar a CPI contra Moraes e outros integrantes da Corte. Na conversa, o parlamentar questionou Bolsonaro a respeito do que ele achava sobre assinar o documento.

“Boa noite, presidente. A galera tá me pressionando aí porque Eduardo, todo mundo assinou essa CPI de abuso de autoridade do TSE e do STF e eu não assinei até agora porque… eu não queria entrar nessa bola dividida, com medo de prejudicar até o senhor mesmo nas decisões lá. O que o senhor acha aí mais ou menos?”, disse. Bolsonaro respondeu: “Eu assinaria. Sempre existe a possibilidade de retaliações”. Após isso, Lopes afirmou que assinou.

A CPI foi proposta em 2022 pelo deputado Marcel Van Hattem (Novo-RS). Em 2023, deputados tentaram emplacar, mas a comissão não saiu do papel até hoje.

Uma outra conversa mostra que Bolsonaro também orientou seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), a articular a derrota do projeto de lei das fake news na Câmara, apelidada pelos bolsonaristas de PL da Censura. Em 2 de maio de 2023, o ex-presidente escreveu a Eduardo que o projeto deveria ser levado à votação naquele dia.

Convite de viagem

Entre os diálogos, também aconteceu um com o ex-embaixador de Israel no Brasil, Yossi Shelley, que ofereceu para bancar uma viagem de Bolsonaro ao país em 2023. As mensagens mostram que eles mantiveram contato mesmo após o ex-embaixador ter deixado o posto. Atualmente, ele está nos Emirados Árabes Unidos.

Em 26 de abril de 2023, ele enviou ao ex-presidente imagens de uma inovação tecnológica de Israel — um tipo de carne produzido em uma impressora 3D.

Bolsonaro respondeu parabenizando-o e enviando um abraço ao primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. Na sequência, Shelley fez o convite da viagem. “Vou cuidar de você 14 semanas em Israel, vou pagar o custo de sua presença, hotel e tal por 3 pessoas se vc quiser”, disse em um trecho. Minutos depois, ele corrigiu o período para “14 dias”.

“Ô Shelley, obrigado, vou falar com a esposa aí e ver o que ela acha. Obrigado, um abraço”, respondeu Bolsonaro, que encaminhou o convite a Michelle. A ex-primeira-dama não deu uma resposta.

Preocupação com agronegócio

Outras mensagens extraídas mostram a preocupação de Bolsonaro em manter o apoio do agronegócio, mesmo com o início do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em abril de 2023, ele disparou mensagens sobre a demarcação de terras indígenas e a invasão de fazendas pelo MST para um grupo de contatos que incluía deputados e aliados dele. “Cada vez mais problemas para o agro”, escreveu. “Com Bolsonaro: ZERO demarcações”, acrescentou.

Fazenda emprestada

Em mensagens, Bolsonaro também contou que o empresário Paulo Junqueira lhe cedeu sua fazenda durante a viagem a Ribeirão Preto para participar da Agrishow, feira de tecnologia e agronegócio em 2023.

Junqueira presidiu o Sindicato Rural da cidade e chegou a ser citado em investigações da PF sobre o ex-presidente. Mensagens interceptadas e que estão sob apuração indicam que o empresário enviou dinheiro vivo para bancar a estadia de Bolsonaro nos EUA no início de 2023.

Cautela com notícias falsas

Em trocas de mensagens com o seu assessor Tércio Arnaud Tomaz, apontado como um dos integrantes do chamado “gabinete do ódio”, Bolsonaro foi orientado a ter um tom mais cauteloso com a divulgação de notícias falsas após ter se tornado alvo de investigações da PF sobre o assunto.

Em um dos diálogos, o ex-presidente pediu para ele verificar um vídeo que mostrava um invasor do Palácio do Planalto no 8 de Janeiro alterando o horário do relógio de Dom João VI. Nas redes sociais, bolsonaristas usavam o vídeo como uma evidência de que os atos tinham sido realizados por pessoas infiltradas.

com “cuidado”. “Presidente, falei aqui com a assessora do Ramagem e ela disse que confere o vídeo. O cara alterou mesmo. Então se for disparar aí no zap cuidado pra não te arrolarem mais nesse processo do dia 8, do jeito que tá. Que pode ser verdade, mas eles vão dizer que tá compartilhando fake news. Minha preocupação é só essa, tá. Mas confere, tá. Valeu”.

Procurada pelo jornal, a defesa de Bolsonaro disse que não iria se manifestar sobre o assunto. Os deputados Hélio Lopes e Eduardo Bolsonaro, o ex-embaixador Shelley, o empresário Paulo Junqueira e o assessor Tércio não responderam aos contatos do Estadão.

Conteúdo Originalmente Publicado em: Terra

 

Sair da versão mobile