A Operação Erga Omnes, deflagrada pela Polícia Civil do Amazonas nesta sexta-feira (20), revelou o que os investigadores classificam como um “núcleo político” ligado à facção Comando Vermelho no Amazonas. Entre os presos estão servidores públicos, uma policial civil e um policial militar.
Até a última atualização, 14 pessoas haviam sido presas em diferentes estados, sendo oito no Amazonas. Segundo a polícia, o esquema movimentou cerca de R$ 78 milhões em quatro anos.
Entre os detidos está Anabela Cardoso Freitas, investigadora da Polícia Civil que integrava a Comissão de Licitação da Prefeitura de Manaus e que também atuou como chefe de gabinete do prefeito David Almeida até 2023. Também foram presos Izaldir Moreno Barros, servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM); Adriana Almeida Lima, ex-secretária de gabinete da Assembleia Legislativa; Alcir Queiroga Teixeira Júnior; Josafá de Figueiredo Silva, ex-assessor parlamentar; Osimar Vieira Nascimento, policial militar; Bruno Renato Gatinho Araújo; e Ronilson Xisto Jordão, preso em Itacoatiara.
De acordo com o delegado Marcelo Martins, do 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP), o grupo utilizava influência em órgãos públicos para obter informações privilegiadas e facilitar as ações da organização criminosa, investigada por tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e corrupção ativa.
Conforme as investigações, os suspeitos atuavam principalmente na logística do tráfico. As drogas eram compradas na Colômbia e os valores eram movimentados por meio de empresas de fachada registradas no Amazonas e no Pará. Formalmente, as empresas atuavam no setor de logística, mas, segundo a polícia, serviam para encobrir a movimentação de entorpecentes para diversos estados.
A apuração aponta que a presença de servidores em cargos estratégicos era fundamental para garantir proteção, repasse de informações sigilosas e facilitação de procedimentos internos, fortalecendo a atuação da facção.




