Nesta sexta-feira (09), a União Europeia aprovou provisoriamente o acordo comercial com o Mercosul, após mais de 25 anos de negociações iniciadas em 1999. A decisão dos países do bloco europeu abre caminho para a assinatura do tratado e sua posterior ratificação pelo Parlamento Europeu e pelos países-membros, além da adoção de regulamentações complementares.
Segundo a Comissão Europeia, o acordo prevê a eliminação gradual de tarifas sobre cerca de 91% das mercadorias comercializadas entre os dois blocos, com prazos mais longos para setores considerados sensíveis. A medida pode ampliar de forma significativa o acesso de produtos brasileiros, especialmente do agronegócio, ao mercado europeu, que reúne cerca de 451 milhões de consumidores.
O aval político foi confirmado em reunião de embaixadores em Bruxelas, com apoio da maioria dos 27 Estados-membros da União Europeia. Para que o texto avançasse, era necessário o voto favorável de ao menos 15 países que representassem 65% da população do bloco, critério que foi alcançado, apesar da oposição de nações como França, Irlanda, Hungria e Polônia.
A aprovação permite que a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, assine oficialmente o acordo na próxima segunda-feira (12), no Paraguai. Caso entre em vigor, o tratado poderá criar a maior área de livre comércio do mundo, envolvendo cerca de 700 milhões de pessoas, e fortalecer a integração econômica entre Europa e América do Sul.
Apesar do apoio institucional, o acordo segue enfrentando resistência de setores agrícolas europeus, sobretudo na França, que temem concorrência de produtos latino-americanos com custos mais baixos e padrões ambientais diferentes. Ainda assim, a expectativa é de que o tratado avance para a etapa final de aprovação dentro da União Europeia.
