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CORECON-AM/RR analisa impactos da estiagem sobre a economia do Amazonas

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Foto: Divulgação

O Conselho Regional de Economia do Amazonas e Roraima (CORECON-AM/RR) avalia como a estiagem pode gerar impactos na logística, nos custos de transporte e nos preços de produtos no Amazonas. Embora a redução do nível dos rios seja um fenômeno recorrente no estado, a possibilidade de uma estiagem mais intensa neste ano reforça a importância de analisar seus reflexos sobre a atividade econômica. A experiência acumulada ao longo dos últimos anos, no entanto, permite que diferentes setores se preparem para enfrentar esse período.

O cenário deste ano exige atenção devido à possibilidade de uma estiagem mais severa, influenciada pelos efeitos do fenômeno El Niño, que pode contribuir para uma redução ainda maior do nível dos rios. Cerca de 90% do transporte no Amazonas ocorre pelos rios, de forma direta ou indireta. Durante a estiagem, a redução da capacidade de carga das embarcações, a necessidade de alterações nas rotas e o aumento do tempo de deslocamento podem elevar os custos logísticos e pressionar diferentes etapas da cadeia de abastecimento.

“A redução do nível dos rios dificulta a navegação. Com isso, o transporte fica mais lento e mais caro. Esses custos acabam sendo parcialmente incorporados aos preços finais dos produtos. Por isso, planejamento logístico e ações preventivas são fundamentais”, afirma o presidente do CORECON-AM/RR, Márcio Paixão.

Além dos efeitos sobre a navegação, a formação de estoques para garantir a regularidade da oferta também representa custos para as empresas. O aumento dos estoques exige maior capital de giro e pode gerar um descompasso entre os ciclos operacional e financeiro. Como consequência, parte desses custos pode ser refletida no preço final dos produtos.

“A estiagem não é apenas um fenômeno ambiental; ela também representa um choque econômico que eleva custos logísticos, pressiona preços, reduz a eficiência da cadeia de abastecimento e exige planejamento antecipado do poder público e do setor privado para minimizar seus impactos sobre a população”, destaca Márcio Paixão.

Essa preparação, segundo a análise do Conselho, também evidencia a importância de investimentos em infraestrutura capazes de ampliar as alternativas logísticas do estado. Entre os pontos destacados está a BR-319, que pode contribuir para reduzir a dependência do transporte hidroviário.

“O Amazonas possui uma característica singular: sua economia depende fortemente da logística hidroviária. Quando enfrentamos uma estiagem severa, não estamos diante apenas de um problema ambiental, mas também de um desafio econômico. A redução da navegabilidade dos rios aumenta os custos do transporte, compromete o abastecimento de diversas localidades e gera reflexos sobre preços, produção e atividade econômica”, afirma o presidente do CORECON-AM/RR.

O CORECON-AM/RR orienta que não há necessidade de compras antecipadas ou da formação de estoques domésticos em razão da estiagem. Uma corrida por produtos pode elevar a demanda e gerar pressão sobre os preços, sem que haja, neste momento, indicativos de desabastecimento. O Conselho seguirá acompanhando os impactos do período de vazante sobre a economia amazonense e contribuindo com análises técnicas sobre o tema.

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